Prefeitura de Curitiba e Governo do Paraná decidem criar Agência Metropolitana de Transporte

Foto: Cesar Brustolin/SMCS

Órgão único nascerá da fusão entre Urbs e Comec

ALEXANDRE PELEGI

A Prefeitura de Curitiba e o Governo do Estado do Paraná firmaram acordo nesta sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019, que prevê a criação de uma Agência Metropolitana de Transporte.

A Agência nascerá da fusão entre Urbs (Urbanização de Curitiba S/A) e Comec (Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba) em uma única entidade. Um grupo de trabalho será formado para encaminhar a união entre os dois organismos que gerem o transporte coletivo nas diferentes instâncias. A previsão é que ela passe a operar a partir de 2020.

Na coletiva concedida nesta sexta-feira, o presidente da Urbs, Ogeny Maia Neto, explicou que com a agência será possível fazer a gestão e a otimização de todo o sistema. Ele afirma que haverá economia direta, porque será possível, de forma integrada, evitar linhas sobrepostas que concorrem entre si, o que é comum ao transporte metropolitano e urbano. O objetivo é diminuir o “gap” entre a tarifa técnica e a tarifa social.

A proposta faz parte de um Programa de Economia Popular e tarifa social do transporte coletivo. Segundo a prefeitura, as medidas ajudarão a manter a tarifa do transporte coletivo da capital e dos municípios integrados a R$ 4,50, frente a uma tarifa técnica (custo real do sistema) que poderá chegar a R$ 5,20.

O acordo prevê vias exclusivas de transporte, bilhetagem eletrônica única entre Curitiba e Região Metropolitana (RMC) e mais linhas integradas começando com a Tupi/Vila Juliana, entre Araucária e o bairro Tatuquara. “Já determinei à Urbs para que priorize essa integração”, disse Greca.

A criação de faixas exclusivas em Curitiba alcançará as Avenidas Victor Ferreira do Amaral, Comendador Franco e Cândido de Abreu, além da Rua João Negrão, por exemplo.

O programa começa com um aporte de R$ 50 milhões da Prefeitura, R$ 40 milhões do Governo do Estado e mais R$ 50 milhões em obras para o transporte coletivo da capital.

Rafael Greca, ao anunciar o programa, afirmou ser esta a primeira vez que um prefeito coloca recursos no sistema de transporte. Greca atribui isso ao Plano de Recuperação de Curitiba, “pois já vi o terror da desintegração metropolitana em 2015 e nem eu nem o governador queremos isso para a população”, disse.

Para o governador Ratinho Jr, estado e município estão fazendo um grande esforço para aportar recursos e “fazer um planejamento do transporte coletivo integrado entre Curitiba e região metropolitana pelos próximos 30 anos”.

Além dos R$ 40 milhões aplicados na capital, Ratinho Jr, anunciou outros R$ 110 milhões para a Região Metropolitana.

AUMENTO DA TARIFA

Na entrevista coletiva sobre o reajuste da tarifa nesta sexta-feira, 22, Ogeny Pedro Maia Neto, presidente da Urbs, afirmou que a prefeitura fez todo o esforço possível para manter a tarifa congelada por dois anos, mas “com os aumentos do diesel, a previsão de um aumento salarial de motoristas e cobradores de aproximadamente 3,8%, e outros impostos foi necessário reajustar para não comprometer o equilíbrio financeiro do sistema”.

Ogeny estima que com a retirada do desconto do ICMS do diesel a partir janeiro deste ano, o principal insumo dos ônibus aumentou 13%, e poderá chegar a 23% nos próximos meses. A base de cálculo é a pesquisa da Agência Nacional de Petróleo. Por dia os ônibus das 250 linhas urbanas fazem 14 mil viagens e rodam cerca de 282 mil quilômetros.

A Urbs projeta ainda um aumento de 3,5% para motoristas e cobradores. As despesas com pessoal, segundo o presidente da Urbs, representam o maior custo na planilha do transporte, correspondendo a 56,7%% dos custos do sistema.

Todos esses itens, afirmou Ogeny, incidirão no custo real do transporte para aproximadamente R$ 5,20. Atualmente esse custo, a tarifa técnica, está em R$ 4,79.

Relembre: Tarifa de ônibus de Curitiba e Região Metropolitana terá reajuste para R$ 4,50

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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