Após bloqueio pelo TCE e contestações de concorrentes, CPTM cancela licitações para serviços de segurança e videomonitoramento nas estações

Estações da CPTM devem ser concedidas à iniciativa privada, segundo o governador João Doria. Concessionários deverão investir em segurança. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte) / Clique para ampliar

Em nota, empresa diz que todas as estações possuem câmeras, mas funcionários relataram equipamentos sem operação

ADAMO BAZANI

A CPTM – Companha Paulista de Trens Metropolitanos revogou as licitações que iam contratar serviços de segurança nas estações, com previsão de instalação, modernização e operação de equipamentos como câmeras de vigilância.

A decisão da estatal foi oficializada nesta terça-feira, 19 de fevereiro de 2019.

Os editais se referem às concorrências para os serviços nas linhas 7-Rubi, 10-Turquesa, 11-Cora, 12-Safira e 13-Jade.

Em janeiro, o TCE – Tribunal de Contas do Estado de São Paulo havia determinado a suspensão das concorrências acatando as alegações de três empresas concorrentes nos procedimentos: Telematica Sistemas Inteligentes Ltda, Gocil Serviços de Vigilância e Segurança e Textel Tecnologia S/A.

Entre os argumentos estavam prazos indevidos de impugnações, a forma das licitações que, no entendimento das empresas deveria ser de por pregão eletrônico ou sessão pública, além da possibilidade de subcontratação integral para vigilância eletrônica “ sem exigir a comprovação de qualificação técnica, também para a vigilância eletrônica, quando seria indicado separar os 2 objetos, além do que envolveria serviços especializados de engenharia”.

Na ocasião, a CPTM disse que responderia ao TCE em 48 horas todos os questionamentos formulados.

Funcionários ouvidos pela reportagem do Diário do Transporte, que pediram para não serem identificados, disseram que há falhas de segurança nas estações, inclusive com câmeras sem operar, como na linha 10-Turquesa.

Segundo estes empregados, são registradas falhas no monitoramento em estações como Mooca, Ipiranga e Utinga.

No dia 03 de janeiro, uma mulher em situação de rua, de 27 anos, sofreu tentativa de estupro nas dependências da Estação Mooca, da linha 10-Turquesa.

A Polícia Civil pediu imagens do circuito da estação, mas os equipamentos estavam inoperantes.

O caso chegou a ser comentado dia seguinte pelo governador João Doria, que prometeu privatizar as estações.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/01/04/ouca-doria-confirma-que-vai-privatizar-cptm-e-promete-portas-de-plataforma-nas-estacoes-da-companhia-de-trens/

Em nota, a CPTM diz que a revogação das concorrências vai permitir editais que favoreçam a competitividade. Sobre os equipamentos, a empresa alegou que todas as estações possuem câmeras.

“Todas as estações da CPTM possuem sistemas de CFTV (circuito fechado de TV) e de segurança com contratos em vigor. Essa revogação é ato administrativo para aperfeiçoamento dos futuros editais da área, permitindo maior competitividade e melhoramento dos serviços.”

A empresa estatal não informou a data de lançamento de nova disputa.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    A Lei de Licitações – Lei nº 8.666 é de 21 de junho de 1993.

    Será que depois de 16 anos ninguém aprendeu a fazer este procedimento no Barsil ?

    Há profissionais capacitados para tal, nem que tenham aprendido por osmose, afinal depois de 16 anos …

    Isto só pode ser proposital para nada funcionar ou acelerar a privatização da CPTM, na “bacia das almas” é claro.

    MUDA BARSIL.

    Att,

    Paulo Gil

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