Órgão diz que meio de transporte tem falhas. Metrô alega que meio de transporte é seguro
ADAMO BAZANI
Uma audiência pública vai discutir a segurança e as falhas de operação que têm ocorrido na Linha 15-Prata do monotrilho, de responsabilidade da Companhia do Metrô.
O encontro vai ocorrer na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo na próxima segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019, na Sala José Bonifácio, às 18h00, segundo o Sindicato dos Metroviários que diz que pediu a realização da audiência.
A entidade deve ainda pedir a instauração de uma CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar falhas e o acidente que ocorreu no dia 29 de janeiro, quando dois trens do monotrilho bateram na Estação Planalto, que ainda não recebe passageiros.
“As frequentes falhas na L-15 colocam em risco a vida de metroviários e usuários. É necessário realizar uma Audiência Pública para discutir os problemas da L-15 e abrir uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar o acidente de 29/1 e as medidas de segurança necessárias.” – diz nota do sindicato desta sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019.
De acordo com um laudo da comissão de segurança do Metrô, a causa do acidente foi uma falha humana.
Segundo nota da estatal, em 05 de fevereiro de 2019, “a ação humana tornou o trem M22, que estava estacionado na plataforma da estação Jardim Planalto, invisível ao sistema de comunicação e sinalização (CBTC), causando a colisão com o trem M23”.
Relembre:
O Sindicato dos Metroviários contesta que falhas humanas causaram o acidente.
Em entrevista coletiva, diretores da entidade disseram que uma característica do sistema do monotrilho explica a colisão.
O sindicato sustenta que quando um trem do monotrilho é “desligado”, se torna invisível ao outro que está em movimento, podendo provocar colisões.
No mesmo dia, o Metrô rebateu e informou, também por meio de nota, que “o monotrilho é seguro. A tecnologia é reconhecida internacionalmente e usada em diversos países”.
Relembre:
Ao site ao site Metrô-CPTM, a empresa Bombardier, responsável pelo sistema de controle dos trens chamado de CBTC, contestou a acusação e disse que, diferentemente do que disse o sindicato, “o trem M22 não estava ‘desligado’. O trem estava estacionado junto à plataforma da estação Jardim Planalto, que não está operacional, e estava protegido pelo sistema, que estabelece uma área de restrição em torno do trem e evita que outro trem entre naquela região”.
Menos de um dia antes da batida, outro problema com o monotrilho chamou a atenção.
Um suporte do “terceiro trilho”, por onde passa a energia elétrica para alimentar os trens, se soltou no trecho entre as estações São Lucas e Vila União.
As operações foram afetadas por mais de quatro horas e o Metrô teve de contar com apoio de ônibus da empresa Via Sul na Operação PAESE.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
