Governador da Bahia assina hoje contrato do VLT do Subúrbio

Modelo de monotrilho para Salvador: Skyrail, que desde 2016 opera em Shenzhen, na China

Modal “do tipo monotrilho” será feito pelo consórcio Skyrail, liderado pela BYD, que terá prazo máximo de 90 dias para iniciar as obras

ALEXANDRE PELEGI

Após cair a liminar que suspendia a licitação, o governo do estado da Bahia assina na manhã desta quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019, o contrato para a construção e operação do VLT do Subúrbio. Só que não será um VLT, mas um monotrilho, em contrato de PPP (Parceria Público-Privada).

Em janeiro, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) derrubou a medida cautelar, que foi determinada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) em setembro de 2018.

O TCE identificou irregularidades no planejamento e na licitação para a concessão. Segundo a corte, havia possibilidade do processo licitatório “causar dano de difícil e incerta reparação ao patrimônio público e à ordem jurídica”. O TCE questionou a alteração do objeto da licitação, que previa apenas o VLT, mas em um segundo edital passou a admitir outros modais. No final, acabou vencendo a concorrência um modal que nada tem a ver com “veículo leve sobre trilhos”.

O consórcio Skyrail, que venceu o certame em maio de 2018, terá o prazo máximo de 90 dias para iniciar as obras, com previsão de que a construção seja concluída em 24 meses.

Com investimento de R$ 1,5 bilhão, o VLT “do tipo monotrilho” será movido à propulsão elétrica, sem emissão de agentes poluentes, com ar-condicionado e wi-fi

O modal fará o trajeto da Ilha de São João, em Simões Filho, ao bairro do Comércio, em Salvador. Ao todo, serão 22 estações e cerca de 20 km de extensão.

MUDANÇA DE MODAL

O resultado da licitação para implantação e operação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) do Subúrbio Ferroviário de Salvador foi anunciado no dia 23 de maio de 2018. Relembre: Consórcio liderado pela BYD Brasil vence licitação para implantação e operação do VLT do Subúrbio de Salvador

O Consórcio Skyrail Bahia, liderado pela empresa BYD Brasil (Build Your Dreams) e com participação da Metrogreen apresentou proposta no modelo de Parceria Público Privada (PPP), com desconto de 0,01% na contraprestação anual, que será de R$152.977.352,12. O investimento total previsto do VLT é de R$ 1.5 bilhão.

O leilão foi realizado na sede da Brasil Bolsa Balcão – B3 (fusão da BM&BOVESPA e Cetip), em São Paulo.

O projeto foi analisado e aprovado pela Comissão de Licitação da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur). A BYD Brasil, organização global especializada em energia limpa e atuante em 250 países, foi declarada totalmente apta para assumir a concessão do modal.

O VLT metropolitano ligará a região do Comércio de Salvador até a Ilha de São João, no município de Simões Filho, e será do tipo monotrilho, movido à propulsão elétrica, sem emissão de agentes poluentes que prejudicam o meio ambiente.

Em nota da Sedur, o secretário da Casa Civil, Bruno Dauster, afirmou no dia que o compromisso do Governo da Bahia “é fazer o VLT virar realidade”. Dauster disse que Salvador, “uma das maiores cidades do país, precisa de um transporte público adequado para sua população. Avançamos muito com o metrô e com as novas vias estruturantes. Agora, vamos poder oferecer um transporte público de qualidade, seguro e confortável para quem mora, trabalha ou estuda em toda região do Subúrbio”, afirmou.

LIMINAR

Após o conselheiro Pedro Lino determinar de forma monocrática no dia 12 de setembro de 2018, a suspensão do edital de licitação para a PPP do VLT do Subúrbio, o pleno do Tribunal de Contas do Estado (TCE) da Bahia decidiu seguir e manter a decisão. Relembre: TCE da Bahia decide por suspensão da licitação do VLT do Subúrbio

Desde então, o projeto do governo do estado ficou suspenso.

Os cinco conselheiros acompanharam o voto do relator, mas divergiram em outros pontos no relatório.

O principal questionamento apontado foi quanto à alteração do objeto da licitação. Inicialmente o projeto previa apenas o VLT, mas em um segundo edital passou a admitir outros modais. A alteração implicaria em rever a viabilidade financeira do projeto, alega o Tribunal.

O Ministério Público de Contas, que emitiu parecer favorável à decisão do TCE, afirma que a mudança no objeto – VLT por Monotrilho, o que acabou prevalecendo – inviabiliza a licitação. Isso porque há diferenças entre os diferentes modos sobre trilhos:  VLT, trem urbano, metrô e monotrilho. O governo do estado defende que a opção monotrilho é um tipo de VLT.

O MP de Contas afirmou em seu parecer: “Coube ao licitante definir que tipo de modal. Como se o estado tivesse licitando o contrato, não o objeto“.

A Procuradoria Geral do Estado (PGE) apresentou petição visando postergar a decisão, alegando tratar-se de questão técnica complexa, o que foi negado pelos conselheiros do pleno do TCE-BA.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Bruno Silva disse:

    Excelente matéria meu caro!! Parabens!! Enfim né, esse projeto se torna realidade! Eu só não gostei do fato de a ligação inter modais ser no Acesso Norte, pela Via Expressa e não no Retiro pela Av San Martin, como o Governador pro várias vezes foi a público prometer. Via San Martin iria beneficiar muito mais pessoas haja visto a avenida ser margeada por bairro populosos e carentes de estrutura de mobilidade.

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