Três empresas participam de licitação de trens na Argentina; Alstom e TMH são habilitadas

Empresa chinesa CRRC é a maior fornecedora de trens para o país. Sua decisão de não participar da concorrência surpreendeu o governo

Governo esperava mais competidores, mas crise econômica reduziu tamanho da encomenda, o que desestimulou participação de grandes grupos internacionais

ALEXANDRE PELEGI

A licitação do governo da Argentina voltada à compra de 70 trens elétricos de oito carros recebeu propostas de apenas três empresas: Alstom, a russa Transmashholding (TMH) e a argentina Vemerkiper Ingeniería.

Os envelopes foram abertos no dia 26 de dezembro de 2018.

Os novos trens de bitola larga serão destinados, em primeiro lugar, à linha eletrificada San Martín e depois às linhas Sarmiento e Roca.

Apenas Alstom e TMH foram habilitadas e continuam participando da concorrência. O resultado deverá ser anunciado nas próximas semanas. No momento, técnicos do governo analisam as propostas apresentadas.

As autoridades argentinas esperavam mais ofertas, mas muitas empresas, como a Siemens-Bombardier e a CRRC, retiraram-se após o tamanho da compra ter sido reduzido pela Red de Expresos Regionales (RER) em função da crise econômica que o país atravessa. A previsão inicial era comprar 169 trens (1.352 carros), segundo informações do site argentino enelSubte.

Outra que desistiu de participar da concorrência foi a espanhola Talgo, que recentemente entrou no mercado de trens suburbanos com a fabricação de 32 unidades múltiplas elétricas para a Letônia. Outras empresas que tinham participado no “data room”, organizado pelo Ministério dos Transportes da Argentina, como Hyundai Rotem, Mitsubishi, KBR, Stadler, CAF, Materfer, Emepa e Benito Roggio, também decidiram não apresentar proposta.

A indústria de carros de passageiros no Brasil estava interessada na concorrência, a ponto de o BNDES formatar condições de financiamento competitivas para as fabricantes e específicas para esse projeto, conforme informações da Revista Ferroviária.

O edital especifica que os trens precisam ter um mínimo de 20% de componentes nacionais. Tanto a Alstom quanto a russa TMH têm instalações no país, em Los Hornos e Mechita (ambas próximas a Buenos Aires), respectivamente.

A decisão da empresa CRRC de não se apresentar causou surpresa especial no mercado ferroviário, informa o site argentino. “A empresa chinesa é a maior fornecedora de trens para o país atualmente e, nos próximos meses fabricará 200 vagões adicionais para a linha Roca, com características idênticas às exigidas pela licitação”, informa o portal enelSubte.

A linha Roca é uma das 7 linhas suburbanas da região metropolitana de Buenos Aires, administradas pelo Estado Nacional, através da companhia Trenes Argentinos.

Já a linha Sarmiento – Ferrocarril Domingo Faustino Sarmiento (FCDFS), é uma das seis ferrovias que compõe a rede ferroviária argentina. Parte do centro de Buenos Aires em direção ao oeste do país, cruzando as províncias de Buenos Aires, La Pampa, Córdoba, San Luis e Mendoza.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Deixe uma resposta