Corredor expresso é entregue em meio a protestos em Fortaleza

Impedidos pela Justiça de fazerem paralisação, rodoviários se manifestam contra decisão da Prefeitura que pode acabar com cobradores na cidade

JESSICA MARQUES

A Prefeitura de Fortaleza entregou nesta sexta-feira, 28 de dezembro de 2018, o corredor expresso de ônibus da Avenida Aguanambi. A entrega ocorreu em meio a um protesto do Sintro (Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários do Estado do Ceará).

Os trabalhadores são contra um projeto da Prefeitura que dispensa a função de cobradores em algumas linhas de ônibus da capital.
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A manifestação foi feita após uma liminar da Justiça que proibiu o bloqueio de terminais de ônibus de Fortaleza, no Ceará. A decisão foi publicada nesta quinta-feira, 27 de dezembro de 2018.

Segundo o documento, os terminais Antônio Bezerra, Papicu, Parangaba, Lagoa, Siqueira, Messejana e Conjunto Ceará não devem ser obstruídos em um raio de 200 metros. As vias públicas pelas quais passam os veículos da empresa também não devem ser bloqueadas, de acordo com a decisão.

CORREDOR EXPRESSO

O corredor expresso da Avenida Aguanambi vai ter nove linhas expressas, segundo a prefeitura. A partir desta sexta-feira, duas linhas vão fazer uma operação assistida para “afinar as tecnologias necessárias” como o sistema de GPS e abertura de portas, de acordo com o prefeito Roberto Cláudio e conforme publicado pelo Diário do Nordeste.

A Avenida Aguanambi foi entregue revitalizada para marcar o início da operação da primeira etapa do Corredor Expresso Messejana-Centro, em Fortaleza.

Os itinerários expressos que têm início nesta sexta são as linhas 206 – Antônio Bezerra/Messejana e 226 – Expresso Antônio Bezerra/Messejana.

PROTESTOS

Na manhã desta quinta-feira, motoristas e cobradores realizaram novo protesto contra o novo modelo de transporte. O motivo do protesto é o mesmo desde novembro: o sindicato da categoria se posiciona contra o projeto da Prefeitura que, segundo a entidade, pode pôr fim à função de cobrador no transporte coletivo da capital cearense.

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Em 22 de novembro, o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), por meio do Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon), notificou o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus) e a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) sobre as mudanças no transporte coletivo da Capital.

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HISTÓRICO

(Alexandre Pelegi)

Em Fortaleza, a extinção do cobrador ainda não é objeto de lei, como em Curitiba, mas preocupa o sindicato da categoria diante de testes que começaram a ser realizados no fim de outubro na linha 150 (Siqueira/ Papicu/ Washington Soares) da capital cearense. A 150 faz o mesmo itinerário da linha 050-Siqueira/Papicu/Washington Soares.

Os veículos que rodam nas linhas escolhidas para o projeto-piloto aceitam apenas pagamento eletrônico – vale transporte, bilhete único ou carteirinha de estudante (com crédito).

O ônibus circula sem a figura do cobrador e, portanto, não aceita passageiros que desejam pagar a tarifa em dinheiro.

Para quem prefere pagar a passagem em dinheiro, a SCSP esclarece que “o projeto piloto não interfere na opção dos usuários que utilizam outra forma de pagamento, já que as novas linhas realizam os mesmos percursos de linhas já existentes, ou seja, operam simultaneamente.”

E para quem se queixa da ausência do cobrador, os dois órgãos municipais, Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (SCSP) e a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), já esclareceram por meio de nota que buscam somente “fornecer mais uma alternativa para o usuário do transporte público, promovendo ganhos de velocidade, mas mantendo o serviço original nas linhas já existentes”. E que o conceito adotado se propõe a ser uma estratégia de operação de curto prazo, “mantendo o serviço original do sistema, onde os cobradores estão presentes”.

Em resumo, o objetivo é usar a tecnologia para agilizar o embarque e desembarque de passageiros, e desta forma encurtar os tempos de viagem dos ônibus, melhorando a conexão entre os terminais do Siqueira, Conjunto Ceará e Papicu.

Outro ponto citado pela administração municipal é a redução do dinheiro a bordo dos ônibus, o que aumenta a segurança, tanto do público, como dos funcionários.

As novas linhas permitem também o uso da integração por Bilhete Único.

O medo dos rodoviários de Fortaleza é que o projeto possa gerar a demissão de 4.500 trabalhadores.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

1 comentário em Corredor expresso é entregue em meio a protestos em Fortaleza

  1. No século passado, os tecelões quebraram as maquinas de tear, mas isto não impediu sua adoção. Mas há um outro lado da moeda que não pode ser esquecido. O serviço prestado nos ônibus não pode ser atribuído a uma só pessoas nos transportes públicos, porque o condutor já exerce múltiplas tarefas e se ficar sobrecarregado haverá aumento de riscos diversos na viagem. Nos sistemas europeus há vigilantes até nos trechos onde o transporte é gratuito. E, aliás, é onde ocorre mais vandalismo, pela impressão de que “não tem dono”…

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