Em mais um protesto, motoristas e cobradores de Fortaleza paralisam Terminal de Messejana

Crédito: Marcos Moura (prefeitura de Fortaleza) Foto meramente ilustrativa

Categoria se manifesta contra projeto da Prefeitura que dispensa presença de cobradores em 11 linhas de ônibus. 

ALEXANDRE PELEGI

Após o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) notificar o Sindicato das Empresas de ônibus e a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) sobre as mudanças no transporte coletivo da Capital, motoristas e cobradores realizaram novo protesto hoje, 27 de dezembro de 2018. Relembre: Ministério Público do Ceará aciona Sindiônibus e Etufor sobre mudanças no transporte coletivo de Fortaleza

O motivo do protesto é o mesmo das outras vezes: o sindicato da categoria se posiciona contra o projeto da Prefeitura que, segundo a entidade, pode pôr fim à função de cobrador no transporte coletivo da capital cearense. Relembre: Fortaleza faz testes com ônibus sem cobrador e sindicato teme desemprego

O protesto hoje aconteceu no terminal de ônibus do Bairro Messejana, em Fortaleza, e durou das 9h30 até por volta das 11h:30. Os ônibus não saíram do terminal nesse período. Esta é a segunda manifestação no mesmo terminal: a primeira vez ocorreu no dia 13 de dezembro. O Sintro fez recentemente manifestações também nos terminais Papicu,  Siqueira e Antônio Bezerra.

A instalação de um sistema que descarta a presença do cobrador em caráter experimental em algumas linhas de ônibus que operam na capital e na Região Metropolitana é o principal motivo da preocupação, segundo o Sintro (Sindicato dos Rodoviários do Estado do Ceará).

Foi esse também o motivo que levou o MPCE a instaurar o Procedimento Preparatório nº 07/2018 no dia 20 de dezembro. Segundo o Ministério Público, a ação ganhou corpo após a imprensa local noticiar a implantação de novo modelo de transporte coletivo intramunicipal em Fortaleza “que recusa ou restringe o pagamento por meio de dinheiro em espécie, sendo aceito apenas o pagamento mediante o Bilhete Único ou outros cartões eletrônicos de recarga de passagem”.

Hoje já são 11 as linhas que circulam na capital cearense sem a presença do cobrador, e portanto sem o dinheiro como forma de pagamento.

HISTÓRICO

Em Fortaleza, a extinção do cobrador ainda não é objeto de lei, como em Curitiba, mas preocupa o sindicato da categoria diante de testes que começaram a ser realizados no fim de outubro na linha 150 (Siqueira/ Papicu/ Washington Soares) da capital cearense. A 150 faz o mesmo itinerário da linha 050-Siqueira/Papicu/Washington Soares.

Os veículos que rodam nas linhas escolhidas para o projeto-piloto aceitam apenas pagamento eletrônico – vale transporte, bilhete único ou carteirinha de estudante (com crédito).

O ônibus circula sem a figura do cobrador e, portanto, não aceita passageiros que desejam pagar a tarifa em dinheiro.

Para quem prefere pagar a passagem em dinheiro, a SCSP esclarece que “o projeto piloto não interfere na opção dos usuários que utilizam outra forma de pagamento, já que as novas linhas realizam os mesmos percursos de linhas já existentes, ou seja, operam simultaneamente.”

E para quem se queixa da ausência do cobrador, os dois órgãos municipais, Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (SCSP) e a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), já esclareceram por meio de nota que buscam somente “fornecer mais uma alternativa para o usuário do transporte público, promovendo ganhos de velocidade, mas mantendo o serviço original nas linhas já existentes”. E que o conceito adotado se propõe a ser uma estratégia de operação de curto prazo, “mantendo o serviço original do sistema, onde os cobradores estão presentes”.

Em resumo, o objetivo é usar a tecnologia para agilizar o embarque e desembarque de passageiros, e desta forma encurtar os tempos de viagem dos ônibus, melhorando a conexão entre os terminais do Siqueira, Conjunto Ceará e Papicu.

Outro ponto citado pela administração municipal é a redução do dinheiro a bordo dos ônibus, o que aumenta a segurança, tanto do público, como dos funcionários.

As novas linhas permitem também o uso da integração por Bilhete Único.

O medo dos rodoviários de Fortaleza é que o projeto possa gerar a demissão de 4.500 trabalhadores.

Veja quais são as 11 linhas que participam dessa fase de testes:

124

 Antônio Bezerra/Lagoa/Unifor

129

 Parangaba/Naútico II

141

 Parangaba/Oliviera Paiva/Papicu

145

 Conjunto Ceará/Papicu/Via Montese II

144

 Parangaba/Papicu/Via Montese II

150

 Siqueira/Papicu/Washington Soares

174

 Antônio Bezerra/Unifor

177

 Parangaba/Mucuripe

192

 Antônio Bezerra/Papicu/Praia de Iracema

199

 Siqueira/Mucuripe/Barão de Studart

300

 Siqueira/Centro/Expresso

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

 

 

 

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