Países da União Europeia decidem cortar 30% das emissões de CO2 de caminhões

A Alemanha é o lar do maior produtor de caminhões, a Daimler. Fabricantes temem os impactos econômicos que poderão advir da meta definida pela UE

Decisão vem três dias após os países do bloco definirem meta para reduzir em 37,5% as emissões para carros até 2030

ALEXANDRE PELEGI

A União Europeia (UE) deu mais um passo importante em direção à sua política de redução de emissões.

Os ministros dos países do bloco concordaram nesta quinta-feira, dia 20 de dezembro de 2018, em reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2) de caminhões e ônibus em 30% até 2030, embora com potencial para rever essa meta em 2022, segundo informou a presidência austríaca da UE.

Os ministros do Meio Ambiente fecharam o acordo, equilibrando os interesses da Alemanha e do maior setor automotivo do continente com o de outros países, como a Suécia, que pressionaram por um corte mais acentuado.

Os países, coletivamente conhecidos como o Conselho, ainda terão que negociar no próximo ano com o Parlamento Europeu, que prevê uma meta que iria de 20% a um corte máximo de 35%.

Os representantes dos governos também concordaram nesta quinta-feira com uma meta intermediária de redução de 15% até 2025, em relação aos níveis de 2019. O parlamento europeu está pressionando por 20%.

Atualmente, a UE não tem limites para as emissões dos veículos pesados, ao contrário de outros países como Estados Unidos, China, Japão e Canadá. Os caminhões respondem por quase um quarto das emissões relacionadas ao transporte da Europa.

Mais que definir os objetivos, a importância da reunião esteve em definir a obrigatoriedade das metas.

Os cortes no setor de transportes, o único em que as emissões ainda estão aumentando, visam ajudar a União Europeia a atingir sua meta de reduzir os gases do efeito estufa em pelo menos 40% abaixo dos níveis de 1990 até 2030, segundo as metas do acordo climático de Paris.

A UE já havia fechado um acordo na segunda-feira, dia 17 de dezembro, relativo às metas de redução de emissões de carros e vans. Pelo compromisso assumido, a meta será reduzir as emissões de CO2 em 37,5% para carros e novos SUVs em 2030, e 31% para veículos comerciais (vans) em relação a 2021.

Relembre: União Europeia assume compromisso de cortar emissões de CO2 de carros em 37,5% até 2030

POSIÇÃO DOS FABRICANTES

Segundo a avaliação da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA), a meta de redução de emissões para os caminhões é “ambiciosa”. Erik Jonnaert, secretário geral da ACEA, alertou que “o que é possível para carros, não é uma opção para caminhões”.

Evidente que para tal nível de redução de emissões a indústria terá de caminhar célere na fabricação de caminhões elétricos, assim como outras tecnologias como Gás Natural Liquefeito (GNL). Os fabricantes têm dúvidas sobre “a infraestrutura adequada de recarga e reabastecimento para caminhões que pode ser implementada dentro de alguns anos”, afirmou Jonnaert.

No caso dos caminhões elétricos, um dos pontos citados como “problemático” é o da necessidade de pontos de recarga. As baterias, com a tecnologia atual, têm maior capacidade de armazenamento. Com isso, precisam de pontos de recarga rápidos e ultrarrápidos para otimizar sua eficiência.

Já no caso da infraestrutura para reabastecer caminhões movidos a gás natural liquefeito (GNL), a ACEA afirma que ela é irregular em toda a Europa, e está ausente em todos os corredores de transporte.

A meta de redução de 15% de emissões até 2025 é o que causa mais desconfiança entre os fabricantes.

Jonnaert diz que os estados membros devem levar em conta que grandes investimentos devem ser feitos nessas estações de serviço, mas, ao mesmo tempo, adverte que “as operadoras de transporte também terão que renovar suas frotas de caminhões em um ritmo muito mais rápido”.

Como consequência, essa renovação de frota aumentaria o preço final que o consumidor teria que pagar por seus produtos. Ou então implicaria em uma redução das margens dos operadores, com os consequentes impactos nos salários ou nas planilhas de custos.

Já a fabricante de caminhões MAN da Volkswagen alertou que os novos limites de CO2 podem custar dezenas de milhares de empregos.

A Alemanha é o lar do maior produtor de caminhões, a Daimler. Outros fabricantes na Europa incluem a Volvo, Iveco (Itália), Paccar e Scania (membro do grupo Volkswagen desde 2008).

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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