Prefeitura de Santo André estima economia de 30% em tempo no trânsito após duplicação do Viaduto Adib Chammas

Projeção de como ficará viaduto após o fim das obras. Foto: Divulgação.

Transporte público deve ser beneficiado com menos veículos na rotatória, segundo o secretário de Mobilidade Urbana, Edilson Factori

JESSICA MARQUES

A Prefeitura de Santo André, no ABC Paulista, informou ao Diário do Transporte que estima uma economia de pelo menos 30% no tempo dos motoristas no trânsito após a duplicação do Viaduto Adib Chammas. O acesso tem como objetivo melhorar o tráfego de veículos entre o centro da cidade e o segundo subdistrito.

Conforme noticiado na última quarta-feira, 12 de dezembro de 2018, pelo Diário do Transporte, a licitação para as obras de duplicação do viaduto foi lançada nesta semana.

Segundo a Prefeitura, o orçamento referencial para esta licitação é de R$ 14 milhões, sendo 85,7% dos recursos oriundos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e os 14,3% restantes como contrapartida da Prefeitura.

A obra integra o Programa de Mobilidade Sustentável, previsto para ser executado em cinco anos por meio de um empréstimo com o BID, que engloba outras intervenções na cidade.

Relembre: Santo André abre licitação para obras de duplicação do Viaduto Adib Chammas

A administração municipal informou que atualmente circulam pelo viaduto 72 mil veículos por sentido diariamente. Após as obras serem entregues, a ideia é de que os motoristas economizem pelo menos 30% no tempo gasto atualmente.

“Esperamos ainda acabar com todo o congestionamento nesta região. Esta é a estimativa da Prefeitura”, informou a administração municipal, em nota.

Segundo o secretário de Mobilidade Urbana, Edilson Factori, o transporte público da região deve ser beneficiado com menos veículos na rotatória, com a entrega da duplicação do viaduto.

Desta forma, os ônibus municipais não enfrentariam o congestionamento pelo qual passam atualmente. “O resultado para o transporte público é tirar os carros da rotatória e jogar para o viaduto Adib Chammas”, explicou o secretário.

A obra do viaduto terá uma extensão aproximada de 172 metros e largura de 9,80 metros. A plataforma contemplará duas faixas de tráfego, duas faixas de segurança e duas barreiras que irão transpor a avenida dos Estados e o rio Tamanduateí.

Os encontros do viaduto serão com as avenidas Itamarati, dos Estados e com a rua dos Alpes. A Prefeitura divulgou projeções de como ficará o viaduto após o término das obras. Confira:

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PREVISÃO DE ENTREGA

A previsão da Prefeitura é de que o viaduto seja entregue até junho de 2020, uma vez que as obras estão previstas para terem início em março de 2019. Segundo o prefeito Paulo Serra, o cronograma está sendo estimado com o “pé no chão”.

Ainda para 2019, está previsto o início do projeto executivo para obras no viaduto Castelo Branco, que será interligado à avenida dos Estados. A finalização desta etapa deve ocorrer em um ano, segundo o secretário de Mobilidade Urbana.

“A próxima fase é transformar o projeto funcional em um projeto executivo e licitar as obras para o viaduto Castelo Branco”, disse Paulo Serra. “Vamos entregar o Adib Chammas antes de interditar o Castelo Branco. Ampliando a capacidade desse eixo, vamos estar mais preparados para fazer as obras”, avaliou o prefeito.

Ainda no pacote de obras de mobilidade em Santo André, o prefeito afirmou que a ponte do bairro Santa Teresinha está prevista para ser entregue no início de 2019, próximo ao prazo de início das obras do viaduto Adib Chammas.

A travessia, sobre o rio Tamanduateí, fica na Avenida dos Estados, na altura da Rua Bartolomeu de Gusmão e do Sesi. A ponte está perto da estrutura que precisou ser demolida em 2017, após solapamento que gerou um dano irreversível.

A licitação para a construção foi lançada em junho deste ano e as obras estão em andamento atualmente.

Relembre: Santo André lança licitação internacional para construir ponte no bairro Santa Teresinha

HISTÓRICO

A Prefeitura de Santo André tem até cinco anos para realizar todo o projeto previsto no Programa de Mobilidade Urbana Sustentável do Município de Santo André, além de oferecer o mesmo valor, US$ 25 milhões, em contrapartida para obras viárias, totalizando US$ 50 milhões em investimento.

As tratativas para o pleito do crédito estavam em andamento desde 2013. Em 28 de março de 2018, a Presidência da República publicou um despacho no Diário Oficial da União propondo ao Senado Federal que autorizasse o crédito externo.

Relembre:

Empréstimo do BID para mobilidade em Santo André está em fase final de aprovação

Em 4 de julho, o Governo Federal publicou aval final para o empréstimo.

Relembre:

Ministério da Fazenda dá aval final para Santo André captar do BID US$ 25 milhões para mobilidade

Com carência de cinco anos, o crédito terá 20 anos para ser pago pela Prefeitura ao BID. Segundo o prefeito, a capacidade financeira da cidade é alta para a realização de empréstimos, apesar das dívidas “herdadas” da gestão anterior, conforme afirmou Serra.

O último viaduto de Santo André, que cruzou a linha férrea, foi o Cassaquera, construído em 2006. Em 1996, foi construída a Avenida José Amazonas. Foi o último viário novo, segundo o prefeito.

PLANO DE MOBILIDADE

O Plano de Mobilidade tem como objetivo fazer um diagnóstico da situação atual do município. Segundo o secretário de Mobilidade Urbana, Edilson Factori, a intenção é identificar pontos de congestionamento, pontos de acidente e direcionar as medidas que devem ser tomadas para corrigir os problemas mapeados, avaliando o impacto de cada solução.

A rede de transporte público também será avaliada, com apontamentos de possíveis melhorias. As diretrizes do Plano de Mobilidade devem ser seguidas pelos próximos 30 anos, conforme explicou o secretário.

A SNTMU (Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana), do Ministério das Cidades, realizou um levantamento com 3.341 municípios, mais o Distrito Federal, com informações sobre a situação do Plano de Mobilidade Urbana.

Destes municípios, apenas 193 possuem o plano elaborado, apesar de ser estabelecido por lei. O número corresponde a 9% das cidades que responderam aos ofícios da Pasta e a 25% da população brasileira.

Relembre: Apenas 193 municípios brasileiros possuem Plano de Mobilidade Urbana elaborado

DETALHES DO PROGRAMA DE MOBILIDADE SUSTENTÁVEL

Confira o detalhamento do projeto (chamado Programa de Mobilidade Sustentável) que será executado por meio do empréstimo do BID, conforme publicado no site da Prefeitura:

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Complementação do Viaduto Antônio Adib Chammas

Dentre as quatro ligações norte-sul hoje existentes em Santo André, o viaduto Adib Chammas é a única delas que transpõe completamente o feixe de linhas férreas, o rio Tamanduateí e a Avenida dos Estados. O viaduto se localiza entre a Avenida José Antônio de Almeida Amazonas, na região central do Município, e a Rua dos Alpes, no segundo subdistrito de Santo André. Sua função é especialmente importante na circulação de veículos devido a sua posição bastante central, próxima ao Paço Municipal, à Estação Prefeito Celso Daniel – Santo André da Linha 10 – Turquesa da CPTM, aos Terminais Metropolitanos Leste e Oeste (ônibus municipais e intermunicipais) e aos acessos à Rua Oratório e à Avenida Itamarati, ambas no segundo subdistrito. O projeto original do complexo previa a construção de dois viadutos com seis faixas de tráfego, um viaduto com três faixas para cada sentido de circulação. No entanto, entre a Praça do Abraço e a Travessa Aracaré, foi executada a implantação de apenas um viaduto, inaugurado em 1981. O viaduto existente compreende três faixas de tráfego, sendo que duas são hoje utilizadas no sentido sul-norte do primeiro para o segundo subdistrito e a restante no sentido contrário.

O projeto compreende a duplicação do viaduto Adib Chammas, a fim de completar o complexo viário como previsto inicialmente.

O viaduto projetado terá um comprimento de 160m e uma largura de 9,80m, contemplando duas novas faixas de circulação de 3,50m cada, duas faixas de segurança de 1,00m e duas barreiras intransponíveis de 0,40m cada.

O objetivo do projeto de completude do viaduto Adib Chammas é o de melhorar de modo significativo a capacidade de escoamento de veículos entre os subdistritos municipais.

Construção de Viadutos na rotatória de Santa Terezinha

A Avenida dos Estados, que margeia o Rio Tamanduateí, é uma importante via de integração regional, interligando ao Sul com os municípios de Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra e também acessando o Rodoanel metropolitano, o Aeroporto Internacional André Franco Montoro (Cumbica-Guarulhos) e as Rodovias Dutra e Ayrton Senna. Ao Norte a Avenida dos Estados interliga os municípios de São Caetano do Sul e São Paulo.

Na altura do Bairro Santa Terezinha, em Santo André, a Avenida dos Estados se interliga com o Anel Viário Metropolitano, que dá acesso aos Municípios de São Bernardo do Campo, Diadema e Zona Sul de São Paulo. Esse também é o acesso as Rodovias do Sistema Anchieta/ Imigrantes e Porto de Santos. Paralela à Avenida dos Estados está a linha férrea da CPTM Linha 10 Turquesa, para transporte de passageiros e da MRS para transporte de carga que interliga o Porto de Santos ao Município de São Paulo.

Ressalta-se que o bairro Santa Terezinha é o mais populoso do 2º Subdistrito de Santo André, cujo único acesso ao 1º subdistrito se dá pela rotatória da Avenida dos Estados. Nesse ponto o tráfego de caminhões, de veículos com destino a outros municípios e o fluxo local é intenso e provoca congestionamentos sistemáticos, devido às restrições físicas da via, das duas transposições em nível da Avenida dos Estados e do rio Tamanduateí e principalmente da rotatória semaforizada operada com múltiplos estágios.

Após a rotatória se encontra construído o Viaduto Castelo Branco que não atende à demanda do tráfego atual uma vez que ele não transpõe a Avenida dos Estados nem o rio Tamanduateí.

Desta forma, para reduzir os congestionamentos e garantir a melhor mobilidade, segurança e conforto dos usuários da via, o PMUS propõe a construção de dois viadutos direcionais (Complexo Viário Santa Terezinha) com extensão de que irão transpor o Rio Tamanduateí, interligando a Avenida dos Estados ao viaduto Castelo Branco, eliminando a rotatória e o semáforo do local.

Implantação do Corredor de transporte coletivo na Av. Santos Dumont

O corredor Santos Dumont é um conjunto de vias que conecta o Corredor Alfredo Fláquer à divisa com o Município de Mauá. O eixo é também uma importante conexão interna leste-oeste, tanto por modos motorizados quanto por bicicleta.

No intuito de priorizar a circulação de ônibus e por modos não motorizados, este corredor será reestruturado, com a criação de faixa exclusiva à direita para os ônibus (extensão: 7.400m), implantação de ciclovia integrada à existente em Mauá e à projetada na região central de Santo André, melhorias significativas das calçadas e melhorias dos pontos de parada.

Para a estruturação do corredor, será necessário um conjunto de obras de requalificação urbana ao longo das seguintes vias: Avenida Santos Dumont, Viaduto Millo Camarosano (acessos), Avenida Pedro Américo e Avenida Giovanni Battista Pirelli.

O corredor compreende as avenidas Santos Dumont, junto à Rua Coronel Seabra na região central, segue pelo complexo viário Millo Camarosano e em seguida continua pela Avenida Giovanni Battista Pirelli até a divisa de Santo André com o Município de Mauá. O corredor também permite a ligação viária para os Municípios de São Paulo, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, seja por ônibus intermunicipais, ou por meio de integrações para a CPTM (trem metropolitano) e EMTU (terminais de trólebus e ônibus).

Implantação do Corredor de transporte coletivo na Av. Cel. Alfredo Fláquer

A Avenida Cel. Alfredo Fláquer, localizada de forma perimetral ao centro da cidade, é o principal corredor de transporte coletivo municipal e intermunicipal, conectando a região central a importantes corredores de transporte para acesso aos bairros, como a Avenida Carijós e a Avenida Dom Pedro I, bem como entre os municípios de São Paulo e São Caetano do Sul a Mauá e Ribeirão Pires.

Atualmente o tráfego de passagem é intenso, causando congestionamentos nos horários de pico da manhã e da tarde, uma vez que a grande quantidade de ônibus (aprox. 141 mil passag./dia) que acessam o terminal do centro da cidade utilizam as mesmas vias que os veículos particulares.

No intuito de priorizar a circulação de ônibus e por modos não motorizados, este corredor será reestruturado, com a criação de faixa exclusiva à direita para os ônibus (extensão: 2.000m), melhorias significativas das calçadas, pontos de parada, acessibilidade, iluminação, paisagismo e sinalização.

Elaboração do Plano de Mobilidade

A elaboração do Plano de Mobilidade (PlanMob) surgiu da necessidade de se adequar a cidade, no que diz respeito aos serviços e à infraestrutura, ao deslocamento seguro de pessoas, principalmente as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, serviços e bens. Em termos legais, a elaboração do Plano justifica-se em virtude do número de habitantes do Município e por Santo André fazer parte da região metropolitana, conforme o Art. 41 § 1º e 2º do Estatuto da Cidade e o Art.182 § 3º da Lei nº 8.696/04 – Plano Diretor Municipal de Santo André e a sua revisão dada pela Lei nº 9.394/12.

O PlanMob está fundamentado, nos seguintes princípios:

Acessibilidade universal;

Segurança nos deslocamentos das pessoas e a incolumidade dos usuários dos serviços;

Equidade no uso do espaço público de circulação, vias e logradouros;

Bem-estar da população e a melhoria de sua qualidade de vida;

Promoção da multimodalidade dos sistemas de transporte;

Prevalência do interesse coletivo sobre o individual e do interesse público sobre o privado;

Gestão participativa e inclusão social no planejamento, controle e avaliação da política de mobilidade e acessibilidade urbana;

Gestão integrada com os diversos órgãos, políticas e programas relacionados à mobilidade e à acessibilidade.

Justa distribuição dos benefícios e ônus decorrentes do uso dos diferentes meios e serviços;

A manutenção, a segurança e a preservação do patrimônio paisagístico, urbanístico arquitetônico, artístico e cultural;

Garantia de plena acessibilidade e de mobilidade segura e eficiente da população ao Município, por meio de intervenções urbanas, programas governamentais e alternativas de transporte coletivo compatíveis com a especificidade urbana;

Preservação do meio ambiente.

O principal objetivo do PlanMob é propiciar condições adequadas e de qualidade, tanto para o exercício da mobilidade da população como da logística de circulação de bens e serviços, de forma a melhorar a qualidade de vida urbana e de contribuir para a eficiência do processo econômico e a sustentabilidade da cidade. Visa proporcionar o deslocamento e acesso amplo, irrestrito e democrático ao espaço de forma segura, socialmente inclusiva e sustentável, priorizando a implementação de sistemas de transporte coletivo, dos meios não motorizados (pedestres e ciclistas), da integração entre as diversas modalidades de transporte.

Estudos sobre a reestruturação do sistema municipal de transporte coletivo e de viabilidade de implantação do corredor Taióca, interligando o terminal da Vila Luzita com a linha 18 – Bronze do Metrô, também são produtos do Plano de Mobilidade.

Ações de Fortalecimento Institucional

Abrange a capacitação e o fortalecimento das instituições do município diretamente ligadas à implementação do Programa, como SMUOSP – Secretaria de Mobilidade, Obras e Serviços Públicos, SDUH – Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação e SEMASA – Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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