Apesar de a ampliação da bilhetagem eletrônica no sistema reduzir custos da operação, benefício para o usuário seria a manutenção do valor da tarifa por mais tempo
ALEXANDRE PELEGI
Enviado à Câmara de Vereadores de Curitiba no dia 25 de outubro de 2018, o projeto de lei da prefeitura que aponta para a extinção progressiva da função de cobrador provocou manifestações de protesto do Sindicato dos Motoristas e Cobradores da capital (Sindimoc). Relembre: Projeto da prefeitura de Curitiba aponta para extinção progressiva da função de cobrador
Apelidada pelo Sindimoc como “Lei do Desemprego”, a proposta vem sendo debatida pelos vereadores que, pressionados pelos trabalhadores, adiaram nesta terça-feira, 20 de novembro de 2018, o regime de urgência para realizar a votação da lei. Relembre: Votação de projeto que pode acabar com cobradores em Curitiba fica para dezembro
Também conhecida como a lei da bilhetagem eletrônica nos ônibus da capital paranaense, com o adiamento o projeto agora deverá ser votado somente em 2019.
Mas ao contrário do que se poderia imaginar, a redução de custo com a extinção dos cobradores não vai redundar numa tarifa mais barata para os passageiros do sistema.
O presidente da Urbanização de Curitiba S/A (Urbs), Ogeny Maia Neto, explicou em entrevista ao jornal Gazeta do Povo que o custo vai cair, mas não o suficiente para beneficiar diretamente o passageiro.
Ele explica que isso se deve à atual diferença entre a tarifa técnica e a tarifa social.
A tarifa técnica, valor que as empresas recebem por passageiro transportado, embute os custos de operação e o retorno financeiro aos donos das companhias de ônibus. Hoje ela está em R$ 4,71. Já a tarifa social, aquela paga pelos usuários, esta está em R$ 4,25.
A diferença entre as duas é coberta pela Urbs, que se utiliza do subsídio dado pelo governo estadual ao sistema, por conta da integração com as linhas da Região Metropolitana de Curitiba.
Logo, a redução do custo com a eventual saída dos cobradores do sistema irá, na verdade, reduzir essa diferença, entre o valor pago pelo usuário e o valor da tarifa técnica.
Na entrevista para o jornal de Curitiba, Ogeny explicou que economia com o uso exclusivo do sistema eletrônico (sem a figura do cobrador) possibilitaria, ao invés de um custo menor para o passageiro, a manutenção do valor atual da tarifa por um tempo maior, retardando o reajuste previsto no contrato de concessão do serviço de transporte. Mas ele lembra que os custos vão seguir acontecendo, “o que acarreta reajuste na tarifa, inevitavelmente”, apenas num período maior.
Dados da Urbs contam 3.424 cobradores no sistema, o que difere do número divulgado pelo Sindicato dos Motoristas e Cobradores, que fala em seis mil pessoas. Para Ogeny, o sindicato “vem inflacionando esse número”.
Na entrevista, o presidente da Urbs afirmou que a prefeitura está conversando com os vereadores para que eles entendam o objetivo do projeto. E garante que “não haverá demissão em massa”, o oposto do que vem alardeando o Sindimoc.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
