Furtos e roubos de cabos da CPTM e do Metrô causaram prejuízos de R$ 900 mil em oito meses

Somente em uma das ações, na estação Chácara Kabin, quadrilha roubou R$ 300 mil de cabos e R$ 700 mil de ferramentas e equipamentos. Foto: Reprodução Imagem SBT. Clique para Ampliar

Empresas dizem que fazem rondas e instalam telas, gradis, muros mais altos e câmeras. Segurança de passageiros pode ser colocada em risco

ADAMO BAZANI

Colaborou Jessica Marques

O cidadão chega cedo a uma estação de tem e metrô de São Paulo, ainda na madrugada, muitas vezes já depois de ter utilizado um ou dois ônibus e de ter feito longas caminhadas.

A expectativa é de ao menos chegar na hora ao serviço. Mas a esperança cai por terra ao saber que o metrô ou o trem não estão funcionando ou operam com atraso, o que é sinônimo também, de mais lotação ainda.

Muitas vezes, esta cena que não é nada rara para quem usa o sistema de trilhos em São Paulo, tem um motivo: roubo ou furto de cabos de alimentação de energia dos trens e estações.

Somente entre janeiro e agosto deste ano, entre Metrô e CPTM foram mais de 15 km de cabos subtraídos. O prejuízo ao cidadão é de R$ 900 mil, dinheiro que poderia ser investido em melhorias do próprio sistema que precisa de investimentos. Os dados da CPTM já levam em conta o período entre janeiro e setembro

Os dados foram obtidos pela reportagem do Diário do Transporte por meio da Lei de Acesso à Informação e da notícia do maior roubo deste ano, quando foram levados em torno de 2 km de cabos da estação Chácara Kablin, da linha 2 Verde do Metrô, em 27 de agosto.

Na ocasião, o prejuízo foi de cerca de R$ 1 milhão entre cabos, ferramentas e equipamentos. Somente os cabos valiam em torno de R$ 300 mil. Os 34 funcionários de plantão na madrugada foram rendidos por criminosos que arrombaram o portão e levaram os materiais usando dois caminhões.

De acordo com os dados da Lei de Acesso à Informação, ainda sem contar a ocorrência de 27 de agosto, a Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô, registrou 15 ocorrências de roubos e furtos de cabos de janeiro a agosto de 2018. Foram subtraídos 5.920 m de cabos causando um prejuízo financeiro no valor de R$ 282.850,04 com reposição do material roubado/furtado e mão de obra para restabelecimento do sistema.

A situação é pior ainda na CPTM, que tem uma malha maior, de cerca de 270 km de extensão, a maior parte descoberta, em regiões periféricas com pouca iluminação e infraestrutura nas imediações.

Segundo os dados da Secretaria de Transportes Metropolitanos, pela Lei de Acesso à Informação, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM registrou 117 ocorrências, no período de janeiro a setembro de 2018. Foram subtraídos 7.852,2 m de cabos, com prejuízo financeiro no valor de R$ 314.080,00.

A Secretaria diz que medidas preventivas são tomadas, como rondas na malha da CPTM e instalação de câmeras, telas metálicas e elevação da altura dos muros, além de troca de gradis no Metrô. No caso do Metrô, por exemplo, “nos trechos com maior registro de ocorrências, foram instaladas 24 câmeras adicionais de monitoramento de via, interligadas diretamente ao Centro de Controle da Segurança.”

A pasta também informa que foi feita uma parceria com a 3ª Delegacia Especializada em Furtos de Fios, do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic).

Metrô e CPTM também pedem que a população ajude denunciando os criminosos:

Polícia Militar: 190

Deic: 2224-0300

Disque-Denúncia: 181

SMS-Denúncia CPTM: 97150-4949

SMS-Denúncia Metrô: 97333-2252

Na nota, a secretaria também diz que as ações criminosas colocam em risco a segurança dos passageiros.

Confira na íntegra:

Atos de vandalismo e/ou furto de fios e cabos no sistema ferroviário se constituem em prática criminosa, que dependendo das circunstâncias, podem ser enquadradas nos tipos penais previstos nos artigos 155 e 260, ambos do Código Penal Brasileiro, podendo levar seus autores a condenações entre 8 e 12 anos de reclusão, respectivamente, e multa.                                                                  

Tal prática também coloca em risco a vida do próprio criminoso, que pode ser vítima de descarga elétrica ou até atropelamento por trem. Além disso, o furto de fios e cabos gera atrasos nos trens e até interrupção da circulação em determinados casos, prejudicando milhares de usuários que utilizam esse meio de transporte para seus deslocamentos para o trabalho e estudo, por exemplo. Outro ponto a ser considerado é que essa prática criminosa pode provocar acidentes que, em virtude das características do transporte ferroviário, são potencialmente perigosos.

CPTM – Com o objetivo de reduzir as ocorrências de vandalismo e furtos de cabos em sua faixa de domínio, a CPTM mantém uma parceria com a 3ª Delegacia Especializada em Furtos de Fios, do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), com o intuito de identificar e prender autores e receptadores desse material. Também realiza rondas ao longo das sete linhas, que somam mais de 270 km de extensão. 

A Companhia pede a todos os cidadãos que denunciem ou forneçam informações sobre atitudes suspeitas, como furto e receptação de fios furtados, pelo Disque-Denúncia (181) ou pelo Serviço de Atendimento ao Usuário (0800 055 0121). As ligações são gratuitas. Também é possível enviar SMS-Denúncia para a Central de Monitoramento de Segurança da CPTM no número 97150-4949. Todos esses canais garantem sigilo à identidade do denunciante.

Metrô – O Metrô vem adotando medidas com o propósito de combater o roubo e furto de cabos em suas linhas. Entre essas ações, a instalação de telas metálicas e elevação da altura dos muros, além de troca de gradis. Nos trechos com maior registro de ocorrências, foram instaladas 24 câmeras adicionais de monitoramento de via, interligadas diretamente ao Centro de Controle da Segurança. Tudo para dificultar, ao máximo, o acesso de pessoas não autorizadas aos locais onde estão as instalações elétricas do Metrô.

O Metrô possui um corpo de seguranças com mais de 1.100 agentes, que atuam no combate ao crime e irregularidades dentro do sistema, além de um sistema de vigilância composto por mais de 3.000 câmeras de monitoramento. 

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Colaborou: Jessica Marques

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