Número de crimes em ferrovias da Grã-Bretanha sobe 17%

Um veículo da Polícia Britânica de Transportes em frente à entrada da estação de King Cross, centro de Londres Foto: Yui Mok/PA

Invasão a trilhos e furto de cabos estão entre as ocorrências que tiveram aumento de registros no último ano

ALEXANDRE PELEGI

(Com informações do jornal The Guardian)

A quantidade de crimes registrados em ferrovias da Grã-Bretanha aumentou em 17%, alimentados por um forte aumento no número de crimes violentos e sexuais, mostram números oficiais da Polícia Britânica de Transportes (British Transport Police – BTP).

O organismo policial informou que foram registrados 61.159 crimes no biênio 2017-18, acima dos 52.235 dos 12 meses anteriores.

A BTP é uma força policial especial de abrangência nacional que controla ferrovias e sistemas ferroviários urbanos na Inglaterra, Escócia e País de Gales, para os quais firmou um contrato de fornecimento de serviços de segurança. Setenta e cinco por cento do financiamento da força provém das empresas ferroviárias privatizadas da Grã-Bretanha.

O crime violento representa quase um em cada cinco dos casos, e aumentou 26%, saltando para 11.711 registros. O número de crimes sexuais (assédio) aumentou 16%, para 2.472; a BTG acrescenta que ainda há muito mais crimes desse tipo que não são registrados.

No mesmo período, agressões envolvendo facas ou outras armas subiram 46%, para 206 casos, enquanto o número de roubos saltou 53%, para 553 crimes registrados.

O vice-chefe da British Transport Police, Adrian Hanstock, disse ao jornal inglês “The Guardian” que o ano passado foi muito desafiador para os integrantes da força, que responderam a vários ataques terroristas e intervieram quase 2.000 vezes em situações de vulnerabilidade na rede. “Apesar desses desafios, é reconfortante ver que a chance da pessoa se tornar vítima de crime na rede ferroviária permanece incrivelmente baixa”, completou.

Os dados de crimes da BTP são menores quando examinados a longo prazo. Uma década atrás, a força policial registrou cerca de 30 crimes por milhão de viagens de passageiros na rede ferroviária; no ano passado, foram registrados 19 crimes por milhão de viagens de passageiros.

A polícia do setor de transportes britânica diz que o aumento no número de viagens de passageiros e a popularidade de seu serviço de mensagem confidencial, utilizado para denunciar crimes, são dois fatores importantes que contribuem para o aumento do número de ocorrências registradas.

Os números da BTP mostram um número recorde de pessoas invadindo trilhos, o que responde por 43% dos casos de interrupção dos trens, em comparação com 38% no ano passado.

Outros crimes que aumentaram na rede ferroviária incluem lançar objetos (pedras, p.ex.) nos trens (aumento de 35%, com 316 casos), incêndios criminosos (aumento de 93%, 143 casos), furto de cabo (aumento de 86%, 158 casos) e roubo de máquinas de venda automática (aumento de 21%, com 240 casos).

Paul Plummer, diretor-executivo da Rail Delivery Group (RDG), órgão de associação do setor ferroviário do Reino Unido (passageiros e carga), disse que a natureza de alguns crimes está mudando, o que tem levado as empresas, como parte de seu plano de longo prazo, a investir em novas tecnologias e inovações para tornar a ferrovia ainda mais segura para funcionários e clientes.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

 

2 comentários em Número de crimes em ferrovias da Grã-Bretanha sobe 17%

  1. Isso mostra o problema no Brasil: dado que nosso sistema ferroviário é menor e mais “largado”, a diminuição dos serviços da “Polícia Ferroviária” (que merecia até uma matéria, a propósito) ficam de lado, deixando todo o sistema de transporte sobre tilhos a mercê.

    Soma-se isso a legislação que confunde e gera dissonâncias: dizem que policiais do Estado não podem atuar na região das linhas férreas (incluso CPTM) por serem áreas federais.

    Ou o governo federal reconstrói a Polícia Ferroviária Federal ou readequa ela, unificando com as polícias estaduais ou a própria polícia federal (como departamento). Toda a operação, seja ela própria ou repassada para vigilantes e profisisonais contratados, seria gerenciada pela PFF e assim criando a inteligência para evitar novos crimes.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: