Ex-secretário diz que Eduardo Paes recebeu propina da Odebrecht na construção do BRT Transoeste

Publicado em: 5 de outubro de 2018

Foto: Divulgação

Alexandre Pinto é réu confesso em processos que investigam corrupção em obras da prefeitura

ALEXANDRE PELEGI

O ex-secretário de Obras da prefeitura do Rio de Janeiro na gestão Eduardo Paes, Alexandre Pinto, foi preso pela força-tarefa da Lava-Jato na manhã desta terça-feira, dia 2 de outubro de 2018. Alvo da operação Mãos à Obra, que investiga irregularidades em obras da prefeitura do Rio, dentre as quais as do corredor BRT Transbrasil, ele foi preso em um condomínio de luxo na Zona Oeste do Rio.

Pinto já havia sido preso em agosto de 2017 na Operação Rio 40 Graus, mas foi libertado em novembro. Ele atuou como secretário de Obras do prefeito Eduardo Paes de 2010 a 2016, e hoje é réu confesso em processos que investigam corrupção em obras da prefeitura. Pinto estava em regime de prisão domiciliar desde 26 de julho.

Em depoimento nesta quinta-feira, dia 4 de outubro, ao juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal Criminal do Rio, o ex-secretário acusou o ex-prefeito, hoje concorrente ao cargo de governador pelo DEM, de receber propina da Odebrecht para que a empresa fosse escolhida para a construção do BRT Transoeste, obra inaugurada em 2012 na capital fluminense.

Alexandre Pinto afirmou no depoimento ao juiz Bretas que a propina foi negociada no gabinete do prefeito. As informações são do jornal O Estado de SP.

O ex-secretário afirma que o ex-prefeito foi muito claro em dizer que a Transoeste “seria da Odebrecht”. Ele garantiu que a negociação da propina foi fechada na sala do prefeito, antes da publicação do edital, em encontro com dois executivos da Odebrecht, na qual estava presente. Segundo o depoimento, Alexandre Pinto disse ter ouvido de Leandro Azevedo, então executivo da Odebrecht, que Paes receberia 1,75% do valor da obra, o que corresponderia a mais de R$ 10 milhões.

O ex-secretário também acusou o Tribunal de Contas do Município (TCM), que teria recebido propina de 1% sobre o valor da obra. Em troca, o TCM não fiscalizaria a obra de forma adequada.

Tanto o ex-prefeito Eduardo Paes, que chamou Alexandre Pinto de “ladrão confesso”, como o TCM-RJ, divulgaram notas em que negam a denúncia.

Paes, candidato ao Governo do Rio, é o atual líder nas pesquisas de intenção de voto.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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