ZF Aftermarket lança o e-troFit, serviço de conversão de ônibus diesel em elétrico

Foto: Divulgação (ZF Aftermarket)

No Brasil, a Eletra já fez transformação de ônibus a diesel em modelos movidos à eletricidade entre 2011 e 2012… e a CMTC já realizou essa experiência com sucesso em 1971

ADAMO BAZANI / ALEXANDRE PELEGI

A ZF Aftermarket, divisão da ZF, empresa líder mundial em driveline e tecnologia de chassis, lançou o conceito de e-troFit na Automechanika Frankfurt, Alemanha, umas das maiores feiras do setor de serviços automotivos do mundo que se encerrou no sábado, dia 15 de setembro de 2018.

Trata-se de um conceito que permite a conversão de ônibus urbanos diesel usados em veículos 100% elétricos.

O e-troFit foi lançado pela ZF em parceria com a empresa de engenharia In-tech, que formaram uma parceria estratégica cujo objetivo é reduzir significativamente as emissões de gases do efeito estufa nas cidades. O foco do trabalho é a conversão de ônibus convencionais do sistema de transporte público em veículos elétricos e ecologicamente corretos.

Com o e-troFit, a In-tech, especialista em desenvolvimento em tecnologia com sede em Munique, desenvolveu uma mecanismo de ponte inovadora, que permite uma mudança eficiente dos atuais motores a diesel para a alternativa elétrica, inteligente e sustentável.

Como fornecedor de sistemas, a ZF Aftermarket contribui com os componentes necessários para o veículo e, ao mesmo tempo, oferece acesso a sua rede global de oficinas.

Para Helmut Ernst, chefe da Divisão de Mercado de Reposição, a tecnologia e-troFit é oportuna, pois oferece a solução ideal para a transição para a era dos veículos puramente elétricos.

Os mercados não estarão prontos para fornecer o volume necessário de produção de veículos movidos a eletricidade até 2025. Até lá, converter veículos comerciais convencionais em acionamentos elétricos é uma excelente oportunidade para apoiar substancialmente as cidades na eletrificação do transporte público e ainda alcançar os objetivos exigidos de proteção ao clima”.

Numerosos estudos mostram a importância do campo da eletromobilidade, especialmente para o sistema de transporte público. Por exemplo, a Clean Air, uma federação de nove associações ambientais europeias, detectou que os ônibus a diesel usados no transporte público são um importante contribuinte de emissões nas cidades. Segundo o grupo do projeto, em algumas cidades, os ônibus representam apenas dois por cento de todos os veículos, mas são responsáveis por cerca de 30% dos poluentes emitidos.

A estimativa da ZF Aftermarket é que todos os ônibus em circulação que não atendem à norma Euro 6 podem receber o retrofit elétrico.

O primeiro protótipo e-troFit convertido para propulsão totalmente elétrica já está em testes em Munique, na Alemanha. O país provavelmente deverá ter a primeira frota do gênero no mundo.

Para o e-troFit, a ZF oferece dois tipos de sistemas eletrificados que há cinco anos vem desenvolvendo para os fabricantes de veículos: o CeTrax, com motorização central elétrica projetada para ônibus urbanos, e o AxTrax AVE, eixo com dois motores elétricos que são instalados nas rodas.

Para quem pergunta quanto custa essa opção – converter um ônibus diesel poluente em um elétrico limpo e sustentável – Andreas Hager, diretor do Centro de Inovação em eMobility da In-Tech, dá a resposta: “Não é possível fixar um valor porque depende das exigências de aplicação de cada veículo, como tamanho, autonomia das baterias e configuração do powertrain, mas calculamos que custa a metade de um ônibus novo”.

Mas Hager afirma que tomando por base a vida útil de dez anos e o consumo de combustível, um ônibus elétrico economiza perto de € 100 mil, quase meio milhão de reais, o que, para ele, é um forte atrativo, sem contar os enormes enormes benefícios ambientais.

A transformação de cada veículo demanda de um a seis meses de trabalho. O prazo dependerá de fatores tais como qual sistema usar, as especificações técnicas do projeto e a aprovação dos órgãos de fiscalização.

CONVERSÃO BRASILEIRA:

No Brasil, ônibus a diesel também já foram transformados em modelos movidos à eletricidade.

Entre 2011 e 2012, a Eletra, empresa de capital nacional com sede em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, conseguiu converter seis ônibus articulados a diesel modelo Volvo B10M, ano 2001, em trólebus. Os veículos com carroceria Busscar Urbanuss Pluss circulam até hoje, no Corredor Metropolitano ABD, pela empresa Metra.

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1- Modelo ainda com motorização a diesel

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2 – Veículo na fase de conversão

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2 – Veículo na fase de conversão

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3 – Veículo já operando como trólebus

A opção por trólebus, segundo a Eletra, na época, ocorreu para aproveitar a rede aérea do corredor, mas o veículo poderia ser convertido para elétrico puro, já que a forma de tração é a mesma, só mudando a fonte de alimentação (em vez de rede aérea, as unidades poderiam ser alimentadas com baterias).

Bem antes disso, entretanto, o Brasil já havia realizado uma conversão de ônibus poluente para tecnologia sustentável.

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Ônibus Margirius a diesel foi convertido em trólebus pela própria CMTC

Em 1971, a CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos, da capital paulista, converteu um ônibus diesel Margirius-Deutz com carroceria Striulli para trólebus, com equipamentos Villares.

Adamo Bazani e Alexandre Pelegi, jornalistas especializados em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Jair disse:

    A CMTC deve ter sido a pioneira na transformação de ônibus para trólebus já no começo dos anos 60 tendo convertido quase uma centena de ônibus GMC ODC inclusive reencarrocando em sua própria oficina
    Esses veículos rodaram até o início do dos anos 2000, quando a rede de trólebus foi diminuida em São Paulo.

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