Segundo gestora dos transportes metropolitanos de São Paulo, nota média de satisfação com os ônibus é de 7,06. Em levantamento do Idec, nota foi de 4,37
ADAMO BAZANI
A EMTU – Empresa EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, que gerencia os ônibus intermunicipais na Grande São Paulo, contestou levantamento divulgado pelo Idec – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, segundo o qual, as linhas metropolitanas receberam as piores avaliações por parte dos passageiros, com notas inferiores às dadas para as linhas municipais da capital paulista, gerenciadas pela SPTrans.
O levantamento do Idec teve como base as respostas de cerca de três mil passageiros por meio do aplicativo de celular MoveCidade, nos últimos 12 meses, nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
Em São Paulo, a nota média de zero a 10 dos ônibus municipais gerenciados pela SPTrans foi de 5,65, segundo a pesquisa. Já os ônibus das linhas gerenciadas pela EMTU na região metropolitana de São Paulo receberam nota de 4,37. – Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2018/09/14/onibus-intermunicipais-tem-pior-avaliacao-que-os-municipais-nas-regioes-metropolitanas-de-sao-paulo-e-bh-diz-pesquisa-do-idec/
Já a EMTU diz que pelo mais recente IQC – Índice de Qualidade da Satisfação do Cliente, do ano de 2017, cujos resultados são obtidos por meio de pesquisas de campo, a nota média dada pelos passageiros para atributos semelhantes aos divulgados pelo Idec foi 7,06; superior, portanto, às notas apuradas pelo Instituto de Defesa do Consumidor.
A gerenciadora estadual de transportes diz ainda que pesquisas feitas por aplicativos podem gerar distorções nos resultados e cita também a Pesquisa de Imagem da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), realizada até o ano de 2014, na qual, segundo a EMTU, as linhas metropolitanas aparecem com maior aprovação que as municipais da capital paulista.
A EMTU/SP informa que realiza anualmente pesquisa de avaliação de qualidade do transporte metropolitano na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), na qual é analisada a opinião dos usuários do serviço por meio do Índice de Qualidade da Satisfação do Cliente (IQC).
Trata-se de pesquisa estruturada de avaliação de serviço junto a uma amostra probabilística e representativa dos usuários. É aplicada pessoalmente por pesquisadores profissionais credenciados e treinados, em três períodos típicos ao longo do dia nas linhas com maior representatividade.
No levantamento mais recente realizado em 2017 em todos os atributos do IQC, “similares” ao aplicativo do Idec, a média é de 7,06, portanto superior à pesquisa.
Outra pesquisa realizada por entidade representativa do setor de transporte público é a Pesquisa de Imagem aplicada anualmente pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) até o ano de 2014 (menos 2013), que pesquisava vários meios de transporte de São Paulo, inclusive os ônibus municipais da capital e os ônibus intermunicipais metropolitanos.
Os gráficos abaixo apresentam a série histórica dos últimos nove anos de pesquisa em que apenas em 2010 (59%) os ônibus da capital obtiveram aprovação (excelente + bom) igual ao dos ônibus metropolitanos. Nos demais anos, os índices são inferiores aos dos ônibus metropolitanos.
É importante ressaltar que pesquisas feitas por aplicativos se fundamentam em dados obtidos sem um pesquisador treinado que esclareça o teor de cada aspecto pesquisado. Os usuários podem avaliar vários modais, mesmo que não os utilize e ainda há a possibilidade de uma mesma pessoa acessar várias vezes o aplicativo, o que pode distorcer a amostra.
CORREDORES METROPOLITANOS:
A EMTU ainda explicou, na resposta, que o sistema de ônibus metropolitanos conta com dois corredores em plena operação, Corredor ABD (São Mateus – Jabaquara), que recebe boa avaliação dos passageiros, e o Corredor Guarulhos – São Paulo (Vila Galvão) que possui 12 km de extensão.
A gerenciadora também citou as obras do corredor Itapevi – São Paulo.
Em relação à observação do pesquisador em mobilidade do Idec, Rafael Calabria, cabe esclarecer que a RMSP conta com dois corredores de ônibus metropolitanos estruturados: o Corredor ABD (São Mateus – Jabaquara), que além da capital atende mais quatro cidades daquela região e é muito bem avaliado pelos seus usuários, e o Guarulhos – São Paulo (Vila Galvão) que possui 12 km de extensão.
Está em fase final de construção o corredor Itapevi – São Paulo, onde já estão em operação 5 km de viário entre as cidades de Itapevi e Jandira. O trecho Jandira – Carapicuíba, de 8,8 km, que inclui a construção do Terminal Carapicuíba, uma estação de transferência e nove estações de embarque e desembarque, está previsto para ser entregue no primeiro trimestre de 2019.
As obras do trecho Carapicuíba – Terminal Osasco km 21, com 2,2 km de extensão, serão iniciadas neste ano. O trecho já conta com o moderno Terminal Metropolitano Luiz Bortolosso, em Osasco.
No trecho Terminal Osasco km 21 – Vila Yara, com 7,6 km de extensão, o terminal Vila Yara está em obras para reforma e ampliação que serão concluídas em 2019. Já foi emitida a licença prévia ambiental para a construção do viário.
Feitas todas essas considerações, cabe ratificar que a EMTU/SP trabalha continuamente para aprimorar a prestação de serviços aos usuários do transporte de ônibus intermunicipais.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
