Plano da CNT estima investimento mínimo de 1,7 trilhão de reais para setor de transportes

Foto: Divulgação

Região metropolitana de São Paulo precisaria investir R$ 72,4 bilhões para melhorar transporte de passageiros

ALEXANDRE PELEGI

A Confederação Nacional do Transporte – CNT lançou nesta segunda-feira, dia 27 de agosto de 2018, a sexta edição do Plano CNT de Transporte e Logística.

O Plano levou em consideração as atuais e as futuras necessidades do país, além das particularidades físicas, econômicas e sociais de cada região.

São 2.663 projetos essenciais para o desenvolvimento da infraestrutura de transporte nacional, com intervenções que abrangem todos os modais (aéreo, aquaviário, ferroviário e rodoviário) de cargas e de passageiros, incluindo a estrutura de terminais.

O investimento total mínimo, segundo o Plano, é de R$ 1,7 trilhão, necessário para que o país tenha um sistema de transporte moderno e livre de problemas.

O Plano separou os projetos dentro do conceito de um sistema de transporte integrado, e os estruturou em dois grupos: “Integração Nacional” e “Urbanos”.

O primeiro abrange as intervenções necessárias para interligar regiões de grande demanda de passageiros, polos de produção e centros consumidores e de exportação. Divididos em nove eixos estruturantes, os projetos somam 2.343 intervenções, que correspondem a investimentos de R$ 1,4 trilhão.

O segundo grupo, referente aos projetos urbanos, concentra aqueles que a CNT entende como de relevância nos contextos urbanos ou metropolitanos e compreendem, principalmente, o transporte de passageiros. Somam R$ 291 bilhões de investimentos, distribuídos em 320 projetos nas 20 principais Regiões Metropolitanas e Regiões Integradas de Desenvolvimento do país.

Somados os dois grupos de projetos – Integração Nacional e Urbanos –, os projetos e investimentos necessários ficaram distribuídos por região da seguinte forma:

REGIÃO

 VALOR TOTAL

 QTDE PROJETOS

Região Norte

 R$ 236,9 bilhões

 353

Região Nordeste

 R$ 275,8 bilhões

 675

Região Centro-Oeste

 R$ 260,5 bilhões

 292

Região Sudeste

 R$ 686,4 bilhões

 831

Região Sul

 R$ 281,0 bilhões

 554

PROJETOS URBANOS – TRANSPORTE DE PASSAGEIROS

O documento da CNT observa que “para os Projetos Urbanos, as principais considerações foram a mobilidade e a acessibilidade urbanas, a integração tanto dos municípios como dos modais de transporte urbano e o nível de serviço aos usuários”.

Com os projetos propostos, a CNT objetiva “melhorar a qualidade da infraestrutura para os operadores de transporte, aumentar a qualidade do serviço prestado aos usuários e promover, no território, as ligações mais eficientes entre os diversos pontos de origem e destino, de modo a diminuir os custos dos transportes e mitigar seus impactos”.

O Plano da CNT, segundo observa a própria Associação, “não abrange a formulação de uma política de transporte, sendo antes um conjunto de recomendações para o setor de transporte e logística, com a definição de intervenções e as respectivas estimativas de investimentos mínimos necessários”. Ou seja, é um documento de referência para decisores políticos, gestores públicos e privados e demais agentes do setor.

Os projetos urbanos, ainda segundo a metodologia adotada pela CNT, “se apoiam no delineamento das Regiões Metropolitanas (RMs), Aglomerações Urbanas e Regiões Integradas de Desenvolvimento (Rides), que, pela interdependência econômica, social e territorial entre os seus municípios, demandam uma lógica de operação em rede para os seus sistemas de transporte”.

No caso dos projetos rodoviários, o Plano da CNT contempla, por um lado, “a melhoria e a ampliação da capacidade das vias urbanas existentes, visando, notadamente, ao melhor atendimento do fluxo de veículos em circulação nas grandes cidades do país”. E, por outro lado, “o aperfeiçoamento dos sistemas de Bus Rapid Transit (BRT), de Veículo Leve sobre Pneus (VLP), de Bus Rapid System (BRS), de corredores e de faixas exclusivas, por meio da implantação ou modernização dos sistemas operacionais, da recuperação do pavimento e da adequação da sinalização nessas estruturas, entre outras intervenções”.

Os projetos ferroviários urbanos são de adequação da infraestrutura ferroviária urbana, e compreendem intervenções que visam melhorar o conforto e a segurança dos usuários, e aumentar a velocidade de operação dos sistemas de transporte de passageiros sobre trilhos existentes no país. Eles abrangem a aquisição e melhoria de material rodante (aquisição e/ou reforma de trens/carros de passageiros) e recuperação de ferrovia (recuperação, emodelagem e/ou revitalização da via férrea e/ou implantação ou modernização de sistemas operacionais).

Apenas no caso de projetos urbanos para a Região Metropolitana de São Paulo, o Plano da CNT estima um investimento mínimo da ordem de R$ 72,4 bilhões, assim distribuídos:

PLANO_CNT_investimento_minimo_GdeSP

As propostas para o setor rodoviário e ferroviário em São Paulo contemplam obras importantes, como a implantação de inúmeros corredores de ônibus, como BRT Radial Leste (28,8 km), Corredor Leste Itaquera (14,0 km), Corredor Leste Aricanduva (14,0 km), Corredor Capão Redondo – Vila Sônia (12,1 km), Corredor Carlos Caldeira Filho (3,5 km), BRT Metropolitano Perimetral Leste São Paulo/Guarulhos (26,7 km), dentre muitos outros.

No caso dos projetos ferroviários, a lista também é extensa, e vai desde a ampliação da Linha4-Amarela do Metrô para Taboão da Serra, até a extensão da Linha 2-Verde para Guarulhos e a construção da Linha 20-Rosa ligando São Paulo a São Bernardo do Campo.

O documento completo, com mais de 600 páginas, pode ser baixado direto pelo link:

Plano CNT Transporte – Pesquisa Completa

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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