Trem da Coppe/UFRJ que flutua sobre trilhos está aberto ao público para testes

Maglev-Cobra: único atrito do veículo é com o ar durante o deslocamento

Maglev-Cobra: único atrito do veículo é com o ar durante o deslocamento

ALEXANDRE PELEGI

A Cidade Universitária da Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, é protagonista de um importante projeto de modernização de equipamentos urbanos. Trata-se do Maglev-Cobra, ou trem de levitação, que flutua sobre os trilhos sem atrito.

Desenvolvido há dois anos na UFRJ pela Coppe e pela Escola Politécnica, o Maglev-Cobra é compacto e leve, se desloca silenciosamente sobre trilhos imantados, sem emitir poluentes em uma linha experimental construída na Cidade Universitária, alimentada por quatro painéis de energia solar.

O projeto, sob a coordenação do professor Richard Stephan, é desenvolvido por pesquisadores do Laboratório de Aplicações de Supercondutores (Lasup), e é o primeiro veículo de levitação magnética para transporte urbano do Hemisfério Sul.

O objetivo do projeto é revolucionar o transporte coletivo com alta tecnologia, energia eficiente, não poluente e de custo acessível para os grandes centros urbanos, informa o site da Coppe.

Segundo o professor Richard Stephan, além de ser eficiente do ponto de vista ambiental, ele é economicamente vantajoso. O custo de implantação por quilômetro é de cerca de 1/3 do valor de um metrô subterrâneo, garante Stephan.

Composto por quatro módulos de 1,5 metro de comprimento cada, o Maglev Cobra pode transportar até 30 passageiros por viagem.

Em lugar das rodas, o veículo tem sapatas com cerâmicas supercondutoras resfriadas com nitrogênio líquido – a 196 graus centígrados negativos, a cerâmica adquire a propriedade de repelir um campo magnético gerado nos trilhos.

O Maglev Cobra tem uma série de vantagens se comparado a outros meios de transporte. A principal delas é o baixo custo. Por dispensar instalações complexas e dispendiosas, seu custo de implantação, por quilômetro, é estimado em R$ 33 milhões – cerca de um terço dos R$ 100 milhões necessários para cada quilômetro construído de um metrô subterrâneo no Rio de Janeiro.

O veículo está à espera do resultado de um pedido de certificação internacional, que poderá abrir caminho para a sua produção industrial e comercialização. Atualmente ele já ocupa o nível 6 da escala de evolução utilizada pela Nasa (TRL – Technology Readiness Level), que mede o grau de amadurecimento de uma nova tecnologia. A escala TRL vai até o nível 9, que indica que o produto está pronto para ser posto lançado comercialmente.

O veículo Maglev-Cobra está aberto ao público para testes.

As viagens são realizadas todas às terças-feiras, entre 11h e 15h. A estação do Centro de Tecnologia da UFRJ fica no segundo andar do Bloco I-2000 (altura do Bloco H), na Av. Horácio Macedo, 2030, Cidade Universitária.

A expectativa é de que o veículo obtenha a certificação em 2020 e entre em operação em uma linha de 5 km, na Cidade Universitária, ligando a Estação de BRT Aroldo Melodia ao Parque Tecnológico, conforme previsto no Plano Diretor da UFRJ. Logo após, a ideia é que faça a conexão entre os aeroportos Galeão e Santos Dumont.

Veja o vídeo do projeto:

Se você quiser saber mais sobre o projeto, o site oficial do Maglev Cobra tem uma página exclusiva com respostas a perguntas frequentes, como “se acabar a energia o trem descarrilha?”; “o campo magnético do trilho pode afetar a saúde do passageiro?”; de onde vem o nitrogênio líquido usado para refrigerar os supercondutores?”; “qual é a velocidade máxima que o Maglev Cobra atinge?”, dentre outras. Leia aqui.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Carmaba. Na década de 1970 (!) era estudante de engenharia e a FEI em SP já tinha este projeto e protótipo. Estamos em 2018………!

    1. Ligeiro disse:

      O problema é que para um protótipo amadurecer, depende de N fatores. Desde o financiamento e interesse público até as próprias tecnologias ao arredor também se aperfeiçoarem. E claro, custos e disponibilidade de itens para a construção.

      Tecnologias de transporte magnético são caras e complexas. O fato de em 1970 ter o protótipo e até hoje estar em fase de aprimoramento significa que ou houve entraves (o que de fato houve) ou que as tecnologias assessórias ainda não estavam aperfeiçoadas.

  2. Elisabeth de Souza Silveira disse:

    Acho relevante este projeto , pra uma cidade que a população esta muito grande , e osistema de transporte atual , ja não da conta.mas o valor será populsr?

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