Prestes a ser licitado, Transantiago registra o maior prejuízo em nove anos
Publicado em: 21 de agosto de 2018
Primeira tentativa de licitação teve grupo brasileiro interessado. Concorrência quer rever situação de déficits com remodelação de serviços
ADAMO BAZANI
Enquanto o governo chileno mais uma vez tenta licitar o sistema de ônibus Transantiago, a imprensa local divulgou nesta terça-feira, 21 de agosto de 2018, que a rede composta por linhas troncais e alimentadoras amargou no primeiro semestre deste ano, o maior prejuízo dos últimos nove anos: 2,8 bilhões de pesos. No primeiro semestre de 2009, segundo ano de operação, o déficit foi de 2,09 bilhões de pesos.
Ainda segundo a imprensa local, baseada em dados oficiais do sistema, neste primeiro semestre, a receita foi de 2,99 bilhões, mas os custos chegaram a 5,8 bilhões.
O aumento do déficit ocorre mesmo com o aumento dos recursos destinados ao sistema, que subiram 10% em relação ao primeiro semestre do ano anterior, chegando a 2,8 bilhões de pesos.
Um dos motivos para o resultado negativo é o alto índice de evasão tarifária, ou seja, pessoas que deveriam pagar a passagem, mas andam de graça. Mesmo com a queda de 3% em relação ao período anterior, este índice chega a 25,5%.
A maior parte dos recursos destinados pelo poder público ao sistema vai para pagar as operadoras de ônibus: 66% no primeiro semestre.
Entre 2009 e 2017, segundo a imprensa local, o governo chileno teve de desembolsar US$ 9,3 bilhões para as operadoras de ônibus pelo serviço prestado.
O Diário do Transporte mostrou que o governo chileno prevê ter de ainda subsidiar por pelo menos dois anos
Relembre:
A nova tentativa de licitação quer implantar um sistema de ônibus elétricos, com 200 unidades até fevereiro de 2009, e reorganizar as linhas para melhorar os serviços e reduzir os déficits.
LICITAÇÃO BARRADA E GRUPO DUARTE:
Após diversos recursos de empresas, a licitação do Transantigo foi barrada em fevereiro deste ano pelo Tribunal de Defesa da Livre Concorrência – TDLC, uma espécie de Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e TCU – Tribunal de Contas da União, do Chile.
Relembre:
A licitação dos transportes urbanos e metropolitanos é de responsabilidade federal.
Empresas de diversos locais, não somente do Chile, se interessaram pela concorrência.
O Grupo Duarte, de empresários de ônibus brasileiros, chegou a apresentar na primeira versão da licitação, propostas para os lotes 4 e 8 e foi desclassificado, mas recorreu.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


