Barrada, licitação do Transantiago começa a desagradar grupos internacionais

Sistema é considerado de referência, mas precisa ser remodelado. Clique na imagem para ampliar RODRIGO SAENZ/AGENCIAUNO.

Entre estes grupos, estão empresários mineiros que foram desclassificados, mas recorreram

ADAMO BAZANI

A América Latina tem neste momento em curso, duas grandes licitações de sistemas de ônibus urbanos que ainda enfrentam indefinições.

A maior delas é a da Capital Paulista, cujos contratos por 20 anos devem ser de R$ 66 bilhões, com operações que devem envolver em torno de 13 mil ônibus, que registram 9 milhões de passagens por dia. O certame, atrasado faz cinco anos, está em fase de consulta pública, com a prefeitura recebendo sugestões sobre o edital definitivo até 5 de março. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2018/01/31/prazo-prorrogado-licitacao/

A segunda é o do sistema Transantiago, do Chile, que envolve grandes grupos locais e internacionais, como da Inglaterra e do Brasil, e que foi barrada no último dia 25 de janeiro pelo Tribunal de Defesa da Livre Concorrência – TDLC, uma espécie de Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e TCU – Tribunal de Contas da União, do Chile.

A questão dos entraves da licitação do maior sistema do Chile já está levantando descrédito entre os investidores não chilenos que participam do certame.

É o que revela uma reportagem do Metro Santiago.

O entraves estão entre os lotes operacionais 1,4,6,7,8 e 9, que devem atender localidades como  Peñalolén, A Rainha, Macul, Ñuñoa, Independencia, Huechuraba, Lo Barnechea, Providencia, Las Condes, Vitacura e Puente Alto.

Logo nos primeiros meses de operação, após as assinaturas de contratos, estavam previstos 90 ônibus de grande porte e alto padrão para as linhas e outros 90 ônibus elétricos.

Mas a indefinição impede qualquer tipo de previsão de frota nova e mais qualificada.

O processo estima renovar 3 mil dos 6,5 mil ônibus que hoje operam no sistema Transantiago.

Ao jornal, a ministra dos transportes, Paola Tapia, disse que a licitação é muito mais que renovação de frota, mas uma remodelação do sistema, que agora está travada.

“Esta não é uma mudança de frota de ônibus, essa seria a pior maneira de ver o concurso [licitação], é uma mudança abrangente, buscando integrar a chegada de novos contratos, novos incentivos e novos ônibus que o sistema exige”, disse Paolo na entrevista ao Metro.

Os grupos empresariais que não são chilenos lamentam os impasses. Segundo nota do Tower Transit, que opera ônibus em Londres, os investimentos exigidos são altos e não há como fazer encomendas às montadoras e encarroçadoras devido às incertezas:

“É muito ruim porque os investimentos exigidos envolvem custos de instalação significativos e o Chile foi escolhido porque entendemos que é um país sério e estável. Este concurso [licitação] é feito pelo Estado e é executado pela administração ou governo do dia, o lógico é seguir seu cronograma e ser resolvido agora, pois há custos e prazos. As fábricas, para entregar 500 ou 1.000 ônibus, precisam de vários meses”

O Governo do Chile será mudado. Em 11 de março, assume o presidente eleito Sebastián Piñera.

A licitação dos transportes urbanos e metropolitanos é de responsabilidade federal.

O Grupo Duarte, de empresários de ônibus brasileiros, apresentou propostas para os lotes 4 e 8 e foi desclassificado, mas recorreu.

https://diariodotransporte.com.br/2017/12/28/grupo-duarte-e-desclassificado-da-licitacao-do-sistema-transantiago/

A quantidade de recursos da maior parte dos participantes foi um dos principais motivos para Tribunal de Defesa da Livre Concorrência – TDLC suspender o processo.

O órgão, que também funciona como um tribunal de contas, não tem data para liberar a licitação ou cancelar o processo e determinar uma nova concorrência.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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