Odebrecht é selecionada oficialmente para construção do BRT de Belém

Ônibus urbanos em Belém. BRT promete melhorias viárias e na prestação de serviços. Foto: Erick Miranda/Onibus Brasil – Imagem meramente ilustrativa/Clique para Ampliar

Empresa havia anunciado em maio que tinha vencido, mas na ocasião, Governo do Pará tinha desmentido. Agora seleção foi publicada no Diário Oficial da União

ADAMO BAZANI

A proposta financeira da Odebrecht foi oficialmente selecionada pelo Governo do Pará na licitação para construir o BRT, sistema de ônibus rápidos, de Belém.

A classificação da proposta foi publicada na edição desta segunda-feira, 20 de agosto de 2018, do Diário Oficial da União.

A proposta financeira foi de R$ 384,6 milhões (R$ 384.607.698,55 – trezentos e oitenta e quatro milhões seiscentos e sete mil seiscentos e noventa e oito reais e cinquenta e cinco centavos).

O sistema de ônibus foi orçado em R$ 525 milhões no edital, que classificava como vencedora a empresa que oferecesse o maior desconto sobre este valor.

A outra empresa a participar foi a Marquise Engenharia.

As obras e a implantação de um CCO – Centro de Controle Operacional terão financiamento da Agencia de Cooperação Internacional do Japão (JICA).

Ambas companhias, Odebrecht e Marquise são alvos de investigação da Operação Lava Jato.

A Odebrecht é acusada pela operação Lava-Jato de fraudes em licitações de contratos com o poder público. Em 2016, o presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, foi condenado a 19 anos de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e associação criminosa.

A Marquise, por sua vez, também está sendo investigada pela Lava-Jato, além de outras acusações de irregularidades. A empresa foi apontada como participante de um cartel de construtoras que cometeu irregularidades em 21 licitações de sistemas de transportes.

A empresa está envolvida em irregularidades no Distrito Federal, na Bahia, no Ceará, em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. A delação foi feita pela construtora Camargo Corrêa, que também integraria o suposto cartel, que também incluiria a Odebrecht.

CONFUSÃO:

O anúncio, ainda em 04 maio, por parte da Odebrecht que se tornara vencedora do certame causou confusão na imprensa e população e mal estar com o Governo do Estado.

No dia seguinte, o Núcleo de Gerenciamento de Transporte Metropolitano – NGTM informou que não tinha, na ocasião, selecionado a empresa que vai construir o sistema de ônibus rápidos BRT de Belém.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/05/05/governo-do-para-diz-que-ainda-nao-selecionou-proposta-do-brt-odebrecht-havia-informado-que-tinha-vencido/

O projeto de transporte vai provocar alterações na BR- 316, com a implantação do Sistema Troncal de Ônibus BRT Metropolitano. O corredor terá 10,8 quilômetros de extensão entre o Entroncamento e o município de Marituba.

Além disso, a proposta inclui a melhoria no sistema de transporte no trecho entre o Entroncamento e o município de Marituba; a construção de alternativas viárias à rodovia BR-316, como o prolongamento das avenidas João Paulo II e Independência; e a adequação de vias que integram a rede de transporte coletivo.

Em setembro de 2012, em Tóquio, o governador do Pará, Simão Jatene, assinou o Contrato de Empréstimo com a JICA, destinado a custear a execução das obras do Sistema Troncal de Ônibus da Região Metropolitana de Belém, incluindo a implantação do seu Sistema de Controle Operacional.

A população atendida é estimada em 1 milhão de habitantes nas regiões de Belém, Ananindeua e Marituba. O prazo da obra é de 585 dias, com expectativa de que o processo se inicie ainda em 2018.

Em julho, a Odebrecht informou que foi firmado um acordo de leniência o valor de aproximadamente R$ 2,7 bilhões com o Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU) e a Advocacia-Geral da União (AGU) .

Numa nota à imprensa, datada de 9 de julho, a Odebrecht ainda destacou que “o valor foi calculado pelas equipes da CGU e AGU e será abatido do valor do acordo de leniência firmado pela Odebrecht com o Ministério Público Federal e autoridades americanas e suíças, em dezembro de 2016. Será pago em 22 anos, com correção pela taxa Selic. Os recursos serão destinados à Petrobras e a outros órgãos da administração federal.”

Mesmo com o nome envolvido nos recentes escândalos de corrupção, a Odebrecht participou de alguns processos de licitação em 2017. Este foi o segundo que conseguiu vencer.

Em março a empreiteira foi contratada pela estatal federal Furnas, subsidiária da Eletrobras, para modernização de uma planta da Usina Termelétrica Santa Cruz (Rio de Janeiro).

HISTÓRICO

Em fevereiro de 2014 foi assinado o contrato com o Consórcio Troncal Belém, vencedor de licitação internacional, para a elaboração do projeto executivo e execução do gerenciamento da obra do BRT Metropolitano. O consórcio é constituído por quatro empresas, duas brasileiras e duas japonesas. O projeto executivo já foi concluído.

O início do processo licitatório para a execução das obras foi possível somente após o governo federal delegar um trecho da BR-316 ao Governo do Pará, em novembro de 2016.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

4 comentários em Odebrecht é selecionada oficialmente para construção do BRT de Belém

  1. Boa noticia, estamos precisando de trabalho aqui no Pará.

  2. Manoel Messias Moura // 20 de agosto de 2018 às 10:32 // Responder

    Parabéns Odebrecht. .

  3. Empresa mais suja que esgoto a céu aberto, que piada.

  4. Célio Henrique Reis do Nascimento // 4 de dezembro de 2018 às 08:41 // Responder

    QUANDO COMEÇAM, EFETIVAMENTE, AS OBRAS DO BRT METROPOLITANO?

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  1. Governo do Pará assina Ordem de Serviço e Odebrecht já pode iniciar obras do BRT Metropolitano de Belém – Diário do Transporte

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