Urbs considera aumento de tarifa de ônibus em Curitiba em 2019

Urbs quer discutir com viações exclusão do imposto de renda das empresas no peso das tarifas. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte)/Clique para ampliar

Presidente da empresa gestora disse que projeção atual leva em conta um milhão a menos de passageiros neste ano em comparação com 2017

ADAMO BAZANI

O presidente da Urbs – Urbanização de Curitiba S.A., empresa que gerencia os transportes na capital paranaense, Ogeny Pedro Maia Neto, disse nesta terça-feira, 14 de agosto de 2018, em audiência na Câmara Municipal que neste ano, a tarifa de ônibus para o passageiro vai se manter em R$ 4,25, mas que no ano que vem, um reajuste é quase inevitável.

A tarifa técnica, que é o valor que as empresas recebem por passageiro transportado, subiu de R$ 4,24 para R$ 4,71, fazendo com que, para se manter, o sistema tenha de receber subsídios públicos de  R$ 71,3 milhões, desta vez, dinheiro do governo do Estado.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/08/01/tarifa-tecnica-do-sistema-de-curitiba-passa-a-ser-de-r-471-com-subsidios/

Ogeny disse que os esforços serão para “mitigar” custos para que no ano que vem a elevação da tarifa técnica e da tarifa social (paga efetivamente pelos passageiros) seja a menor possível.

Para isso, segundo o presidente da Urbs, a prefeitura vai chamar as empresas de ônibus para “conversar”.

Um dos assuntos, ainda de acordo com Ogeny, é o Imposto de Renda das empresas, que compõe a planilha de cálculos da tarifa, mas que, na visão do TCE – Tribunal de Contas do Estado do Paraná, não deve fazer parte dos custos, porque na prática, é como se o passageiro estivesse pagando não apenas a prestação de serviços, mas os impostos para os empresários.

“A Urbs, se bem gerida, sobrevive sem subsídio (do governo estadual). Desde que haja uma redução dos custos do sistema de transporte, que é o que vamos fazer a partir de agora. Há condições de se fazer”, disse Ogeny, em sua fala, de acordo com nota da Câmara Municipal.

O presidente da Urbs ainda disse que a projeção mensal de 15 milhões de passageiros pagantes, usada para estipular a remuneração às empresas, leva em conta um cenário com 1 milhão de passageiros a menos por mês que no ano passado.

As empresas argumentavam que as projeções anteriores da Urbs estavam superestimadas, fazendo com que elas recebessem menos do que deveriam, o que ocasionava déficits financeiros.

Foi com base neste argumento que as companhias conseguiram liminares judiciais que as desobrigaram de renovar a frota entre os anos de 2013 e 2017.

Em novembro do ano passado, o prefeito Rafael Greca e as companhias fizeram um acordo. As viações retirariam as ações judiciais, a prefeitura definiria nova projeção de demanda e, assim, os empresários comprariam ônibus novos.

Para Ogeny, a atual demanda de 15 milhões de passageiros pagantes por mês, “é real e não fictícia”. Foi com base neste número que a prefeitura chegou ao valor de R$ 4,71 de tarifa técnica.

“Quando você tem a divisão por 17 milhões é uma coisa, quando você tem os custos todos divididos por 15 milhões é outra coisa. Fizemos a projeção baseada em uma metodologia real”,

O presidente da Urbs ainda reiterou que são vários os fatores que compõem a tarifa técnica. Somente os custos com pessoal, como encargos, salários e benefícios, o peso é de 53%.

“A tarifa técnica é baseada no edital (da licitação), no anexo III, e diversos itens a compõem. Encargos sobre pessoal, custo com pessoal, amortização dos carros, impostos e taxas, como a taxa de gerenciamento da Urbs, que é de 4%, rentabilidade, peças e acessórios, combustível. Isto compõe o volume de despesas, que é divido pelo número de passageiros realizados, que nos dá a tarifa técnica, que hoje é de R$ 4,71. A tarifa social exige um estudo da prefeitura até onde o passageiro pode pagar”

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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