SPUrbanuss divulga pesquisa que mostra pequena participação dos ônibus urbanos na emissão de poluentes

Na Transpúblico 2018 diferentes tecnologias limpas foram apresentadas ao mercado

Francisco Christovam, presidente da entidade, mediou o painel “O que move o setor: diesel versus híbrido/elétrico” no 16º Seminário Nacional da NTU

ALEXANDRE PELEGI

O SPUrbanuss, entidade que representa as concessionárias de transporte de passageiros por ônibus do município de São Paulo, participou do 16º Seminário Nacional da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), evento que ocorreu nos dias 1 e 2 de Agosto de 2018 no Transamérica Expo Center, em São Paulo.

Francisco Christovam, presidente da entidade, mediou o painel “O que move o setor: diesel versus híbrido/elétrico“, que teve como pano de fundo o novo projeto de lei municipal de São Paulo, de número 16.802, que visa reduzir em 20 anos 100% da emissão de CO2 por meio de veículos de transporte de passeio, carga e passageiros.

Citando dados da ONG Global Carbon Project, Francisco mostrou o tamanho do desafio que o país enfrenta: o Brasil é considerado hoje o sétimo maior emissor de CO2 no mundo, sendo responsável por 3% dos poluentes totais.

O SPUrbanuss não poderia deixar de participar deste que é o maior evento nacional do setor. Além disso, foi uma excelente oportunidade de debater as necessidades do transporte público por ônibus em um quesito essencial: a preocupação e respeito ao meio ambiente“, afirma Francisco Christovam, presidente do SPUrbanuss.

Na abertura do painel e para estimular o debate, a entidade exibiu um vídeo (abaixo), baseado em estudo exclusivo, que contempla e busca desmistificar dados que são geralmente divulgados sobre a emissão de gases na capital paulista.

Um exemplo: no dia 16 de julho de 2018 foi divulgado um estudo feito pelo Instituto de Física (IF) da USP – Universidade de São Paulo, que apontou que, apesar de representarem em torno de 5% da frota de veículos na região metropolitana de São Paulo, os ônibus e caminhões, justamente por causa do óleo diesel, emitem cerca da metade das concentrações de alguns tipos de poluentes altamente cancerígenos.

Visto desta forma, a impressão que fica para o leigo é que todos os ônibus são responsáveis, ao lado dos caminhões, pela maior parte da poluição na capital.

A pesquisa apresentada em vídeo pelo SPUrbanuss contextualiza a informação, ao identificar o efeito causado exclusivamente pela frota de ônibus urbanos em operação na capital paulista, que atende ao sistema estrutural. O estudo separa os efeitos provocados por outros ônibus e caminhões que circulam pela cidade e são, por sua composição, não só em maior número, como detentores de uma tecnologia mais antiga.

Segundo o trabalho apresentado no vídeo, a frota dos ônibus urbanos das concessionárias contribui com menos de 7,4% do material particulado (MP) e 7,29% do gás carbônico (CO2) lançados, diariamente, na atmosfera – um percentual diminuto, se comparado aos 43,4% e 29,71%, respectivamente, atribuídos aos caminhões circulantes na região. Quando comparado aos demais ônibus, que não atuam no sistema de transporte público gerenciado pela SPTrans, a diferença continua elevada: estes emitem 27,7% de MP, e 18,7% de CO2.

Extrair os dados da frota que atendem ao transporte coletivo do total geral de dados de ônibus e caminhões é o primeiro passo para definir um debate mais claro e objetivo sobre quais deverão ser os desafios do setor para atender à mudança da matriz energética do transporte coletivo em São Paulo, exigência não só da legislação, como da sociedade.

Olimpio Alvares, especialista em transporte limpo, relata no vídeo que o grande vilão da emissão dos poluentes diesel é o caminhão, pelo grande número de veículos diante da frota de ônibus urbanos. A esses se somam, pelos dados apresentados pela pesquisa, os demais veículos pesados que não precisam atender às exigências do contrato de concessão, que são rigorosas quanto à idade da frota, manutenção e tecnologia utilizada.

Mesmo assim, ônibus e microônibus urbanos do sistema de transporte público da capital, apesar da menor contribuição diante do total de emissões, precisam de políticas públicas que alavanquem o processo de melhoria da tecnologia. Além disso, e este foi um dos pontos de consenso do painel no seminário da NTU, são necessários investimentos em combustíveis renováveis e tecnologias elétricas, o que depende fundamentalmente de um novo olhar do setor público para o sistema de transporte coletivo.

Christovam ressalta que a atenção dos operadores de ônibus não se restringe, no entanto, à questão da tecnologia. Ela precisa ser muito mais ampla.

“A confiabilidade da tecnologia é muito importante. Atualmente, temos as opções elétricas, do trólebus ou bateria, que possuem questões relacionadas à infraestrutura, ou os combustíveis alternativos que não eliminam as emissões como um todo, como determina a nova legislação”, argumenta.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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