Passageiros da Grande São Paulo sofrem com a falta de transporte noturno

Além da capital paulista, que dispõe de 150 linhas durante a madrugada, Santo André e Guarulhos estão entre as cidades que oferecem o serviço na Região Metropolitana. Foto: Divulgação.

Oito municípios da região não oferecem opções para passageiros que precisam se locomover durante a madrugada

JESSICA MARQUES

Colaboraram Alexandre Pelegi e Adamo Bazani

Grande parte dos passageiros das cidades da Grande São Paulo sofre com a falta de transporte noturno. Conforme levantamento feito pelo Diário do Transporte, oito municípios da Região Metropolitana não disponibilizam linhas de ônibus após o fim da operação comercial.

Além da capital paulista, que dispõe de 150 linhas durante a madrugada, Santo André e Guarulhos estão entre as cidades que oferecem o serviço na Região Metropolitana. As demais têm horários diferentes de início e fim da operação, mas não possuem ônibus 24 horas.

Osasco e Mogi das Cruzes estão entre os municípios que não oferecem linhas de ônibus durante a madrugada. Em Mogi, contudo, o último horário de partida é 1h15 e a operação se inicia às 3h30, segundo informações da Prefeitura, o que torna menor o período sem transporte coletivo.

No ABC Paulista, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra não têm ônibus circulando após o encerramento da operação comercial habitual.

A Prefeitura de São Bernardo informou, em nota, que as linhas de ônibus da cidade circulam até 1h30 todos os dias, retomando as atividades às 4h30. “Não há nenhuma linha específica que atenda apenas o período noturno”.

Em São Caetano do Sul, os ônibus circulam entre 4h20 e 00h35, contudo, o horário de início e fim da operação varia por linha, conforme consta no site da Vipe (Viação Padre Eustáquio), que opera na cidade.

Em Mauá, todas as linhas de ônibus têm encerramento da operação 1h, no terminal, quando o último trem chega à estação, que fica no centro da cidade.

Os municípios de Diadema e Ribeirão Pires não informaram o horário exato de operação das linhas. Em Rio Grande da Serra, segundo informações que constam no site da Talismã, a operação vai de 03h55 a 00h20, variando por bairro.

A jornalista Marina Cid, 27 anos, atualmente mora na capital paulista e já utilizou as linhas noturnas disponibilizadas pela SPTrans na capital paulista. Contudo, quando residia em São Bernardo do Campo, se locomover durante a noite era um desafio.

“Os ônibus municipais param muito cedo. Umas 23h já estão parando onde eu morava, perto da Avenida João Firmino” – contou Marina.

Santo André e Guarulhos

Em Santo André, existem quatro linhas em operação 24 horas. Das 0h às 4h, a operação das linhas acontece de hora em hora. Conforme informado pela Prefeitura, o valor de tarifa é o mesmo que a dos veículos que rodam em horário comercial, R$ 4,40.

As linhas são I 02 Cidade São Jorge / Jardim Ana Maria, I 04 Jardim Las Vegas / Parque Capuava, Hospital Mário Covas / Estação de Santo André e T 29 Vila Suíça/ Estação de Santo André.

A Secretaria de Transportes e Trânsito de Guarulhos, por sua vez, informou que cinco linhas operam da meia-noite às 5h, também sem diferença de tarifa. As linhas são N437 Parque Santos Dumont / Terminal Vila Galvão (Via Marginal Baquirivu), N631 Hospital Pimentas / Cocaia (Via Cecap), N454 Jardim Fortaleza / Terminal Vila Galvão (Via Taboão), N722 Pimentas / Vila Rio De Janeiro (Via Cecap) e N850 Vila Carmela / Shopping Internacional.

Capital Paulista

Na capital paulista, 150 linhas circulam na rede de ônibus da madrugada, que também é conhecida como Rede Noturno. A SPTrans (São Paulo Transporte) é responsável pela operação, que ocorre da meia-noite às 4h e teve as primeiras viagens feitas em fevereiro de 2015.

Segundo informações da SPTrans, as linhas foram criadas para cobrir os principais trajetos na cidade, incluindo os bairros, e percursos do metrô, que não opera nesse intervalo. Também não há alteração no valor da tarifa, como nos outros municípios.

Segundo Claudio de Senna Frederico, engenheiro e consultor de transportes que participou da concepção do projeto da rede de ônibus da madrugada na cidade de São Paulo, a intenção da Rede Noturno é atender regiões que oferecem serviços de emergência.

“A gente tem que entender que a demanda à noite tem uma configuração diferente. Não dá para fazer uma rede de táxi, ou seja, todas as pessoas que estão interessadas em algum lugar da cidade de ir para outro local terão o direito de ir. Tem pessoas que não têm nem de dia, então à noite se procura concentrar em alguns pontos. É uma rede que foi estudada para atender os principais pontos de necessidades noturnas, como hospital, delegacia e coisas do gênero. Foi vendida a ideia errada de que a rede é para o lazer noturno, mas não é” – afirmou.

Uma pesquisa feita pela SPTrans em 2016 aponta 80,7% de aprovação entre os passageiros da Rede Noturna. O perfil dos usuários reforça a fala de Senna: pessoas entre 16 e 35 anos (57%), com ensino médio completo ou superior incompleto (59,5%) e que utilizam os ônibus para o deslocamento até o trabalho (66%).

“É uma rede principalmente de trabalhadores. Muitos desses trabalhadores passaram, depois que existiu a rede, a poder permanecer no emprego por um período maior sem ter que dormir no emprego ou na calçada, o que acontecia com muita gente. Isso também significou mais negócio e mais atividade sem a ditadura daquele horário que existia antes” – Ressaltou Senna.

A pesquisa feita pela SPTrans também aponta que os homens são a maior parte dos usuários (58,9%). Além disso, antes da criação da Rede Noturno, 85,7% dos usuários não utilizavam o transporte público durante a madrugada.

noturno 1

Apesar de as estatísticas apontarem para uma maioria de passageiros homens, mulheres também utilizam as linhas com frequência. A estudante Juliana Macedo de Araújo, 22 anos, contou que precisou da Rede Noturno logo que a política foi lançada.

“As que eu mais uso são as do Metrô Jabaquara ao Parque Dom Pedro, uma que passa pela Augusta até o Parque Dom Pedro, uma que sai do Terminal Parque Dom Pedro para o Terminal A.E. Carvalho e uma que sai do terminal Penha e é circular para a Vila Paranaguá. A última vez que eu utilizei foi porque quando cheguei ao metrô eles não permitiram o embarque, alegando que o último carro já havia partido” – contou a estudante.

A jovem informou que utiliza uma das linhas noturnas ao menos uma vez por mês, em casos em que está voltando da faculdade um pouco mais tarde e não consegue chegar a tempo para pegar o trem. Juliana também utiliza a opção da rede para quando está em algum local de lazer da capital paulista e não quer esperar o Metrô retomar o funcionamento.

“A importância [do transporte noturno] é saber que na ausência da possibilidade de eu possuir um transporte particular ou qualquer outra emergência, eu conseguirei me locomover com segurança” – avaliou Juliana.

Custo e receita

Sobre a remuneração das linhas da madrugada, a SPTrans informou que é feito um cálculo em função do custo do serviço medido, ou seja, frota e mão-de-obra disponibilizadas, tecnologia dos veículos, viagens realizadas e quilometragem percorrida.

“A remuneração das linhas noturnas não é feita por passageiro transportado. Contudo, considerando o valor remunerado e número de passageiros transportados, pode-se inferir que o custo médio por passageiro no período de janeiro a maio de 2018 foi de R$ 7,82” – informou a SPTrans, em nota.

“Não é possível calcular a receita tarifária especificamente das linhas noturnas, uma vez que o sistema de transporte municipal é integrado e o usuário pode, pagando uma só tarifa, realizar até 4 viagens em veículos diferentes, no intervalo de tempo autorizado”.

Ainda quanto à remuneração, Senna informou que quando foi associado o interesse público de prestar um serviço de qualidade com o lucro das empresas, houve melhoria nos serviços.

“Isso, principalmente nas áreas troncais e principais áreas, melhorou as condições de rentabilidade. É deficitária para a Prefeitura, que tem que subsidiar mais o passageiro noturno, do que tem que subsidiar o passageiro diurno, mas isso ocorre no mundo inteiro, por conta da menor densidade de demanda” – explicou o engenheiro.

Demanda e linhas

Com relação à demanda, a SPTrans informou que normalmente há uma redução típica nos meses de janeiro, fevereiro, julho e dezembro. Em junho, 956.272 de passageiros utilizaram as linhas que operam durante a madrugada.

A SPTrans informou também que as mudanças na Rede são feitas conforme demanda e dinâmica da cidade. “Em junho deste ano, para atender um novo bairro, a linha N431/11 JD. LIMOEIRO – TERM. SÃO MATEUS teve seu itinerário prolongado em aproximadamente dois quilômetros. Outros exemplos são a criação da linha N540-11 TERM. SAPOPEMBA / JD. SÃO ROBERTO e alteração na operação da linha N701-11 TERM. STO. AMARO /TERM. PQ. D. PEDRO II com acréscimo de duas viagens aos sábados” – informou a São Paulo Transporte.

A eficiência do sistema de transporte noturno, por sua vez, é medida com dois indicadores, o IPP – Índice de Pontualidade de Partidas (relação entre o total de partidas pontuais monitoradas e o total de partidas programadas nos horários especificados) e o ICV – Índice de Cumprimento de Viagens (por faixa horária). Em maio de 2018, os índices foram de 96,8% e 97,6%, respectivamente, ainda segundo a SPTrans.

Confira as linhas de ônibus, conforme informado pela SPTrans:

NOTURNO – REDE DE LINHAS DE ÔNIBUS DA MADRUGADA
HORÁRIO DE OPERAÇÃO: das 00h00 às 04h00
Posição em Junho/2018
código Denominação
N101-11 TERM LAPA – TERM. PQ. D. PEDRO II
N102-11 TERM LAPA – TERM. PQ. D. PEDRO II
N103-11 TERM PIRITUBA – TERM LAPA
N104-11 TERMINAL PIRITUBA – TERMINAL LAPA
N105-11 TERM CACHOEIRINHA – TERM LAPA
N106-11 TERM. PQ. D. PEDRO II – METRÔ BARRA FUNDA
N131-11 TERM LAPA – VILA PIAUÍ
N132-11 TERMINAL PIRITUBA – PQ. SÃO DOMINGOS
N133-11 TERM PIRITUBA – CID D’ABRIL 3ª GLEBA
N134-11 TERM CACHOEIRINHA – TAIPAS
N135-11 TERM. PIRITUBA – JD. DONARIA
N136-11 TERM LAPA – MORRO DOCE
N137-11 TERM PIRITUBA – PERUS
N138-11 TERM CACHOEIRINHA – JD. PRINCESA
N139-11 TERM PIRITUBA – JD PAULISTANO
N140-11 TERM PIRITUBA – VILA MIRANTE
N141-11 TERM CACHOEIRINHA – JD CAROMBÉ
N142-11 TERM PIRITUBA – TERM CASA VERDE
N143-11 METRO BARRA FUNDA – MORRO GRANDE
N201-11 METRÔ TUCURUVI – TERMINAL PQ. D. PEDRO II
N202-11 METRÔ SANTANA – TERMINAL PINHEIROS
N203-11 METRÔ TUCURUVI – TERM. PQ. D.PEDRO II
N204-11 METRÔ TUCURUVI – TERM. PARQUE D. PEDRO II
N205-11 TERMINAL CACHOEIRINHA – TERMINAL PINHEIROS
N206-11 TERMINAL CASA VERDE – METRÔ SANTANA
N207-11 TERMINAL CASA VERDE – TERMINAL TERM. PQ. D.PEDRO II
N209-11 TERMINAL CACHOEIRINHA – METRÔ SANTANA
N231-11 TERM. CACHOEIRINHA – PEDRA BRANCA
N232-11 METRÔ TUCURUVI – PARQUE NOVO MUNDO
N233-11 METRO SANTANA – VILA SABRINA
N234-11 METRÔ TUCURUVI – LGO. DO PERY
N235-11 METRÔ SANTANA    – PEDRA BRANCA
N236-11 METRÔ SANTANA – JARDIM ANTÁRTICA
N237-11 METRÔ TUCURUVI – EDÚ CHAVES
N238-11 METRÔ SANTANA – CEM. PQ. DOS PINHEIROS
N239-11 METRÔ TUCURUVI – VILA NOVA GALVÃO
N240-11 METRÔ SANTANA    – CACHOEIRA
N241-11 METRÔ SANTANA    – VILA ALBERTINA
N242-11 METRÔ SANTANA    – JD. CAMPO LIMPO
N243-11 METRÔ SANTANA – JD. BRASIL
N244-11 METRÔ TUCURUVI    – JARDIM FLÔR DE MAIO
N245-11 METRÔ SANTANA – JARDIM PERY ALTO
N301-11 TERM. A. E. CARVALHO – TERM. PQ. D. PEDRO II
N302-11 TERM. A. E. CARVALHO – TERM. PQ. D. PEDRO II
N303-11 TERM. A. E. CARVALHO – TERM. ARICANDUVA
N304-11 TERM. SÃO MIGUEL – TERM. ARICANDUVA
N305-11 TERM. SAO MIGUEL – CPTM GUAIANAZES
N306-11 TERM. SAO MIGUEL – METRO ITAQUERA
N307-11 TERM. PQ. D. PEDRO II – TERM. PINHEIROS
N308-11 METRÔ ITAQUERA – TERM. PQ. D. PEDRO II
N331-11 TERM. A. E. CARVALHO – OLIVEIRINHA (CIRCULAR)
N332-11 TERM. A. E. CARVALHO – VILA CISPER (CPTM USP)
N333-11 TERM. SAO MIGUEL – CID. KEMEL (CIRCULAR)
N334-11 TERM. A. E. CARVALHO – EST. CPTM GUAIANAZES
N335-11 TERM. PENHA – ERMELINO MATARAZZO
N336-11 TERM. SÃO MIGUEL – JD. CAMARGO VELHO
N337-11 TERM. SÃO MIGUEL – JD. CAMARGO VELHO
N339-11 METRÔ ITAQUERA – ARTUR ALVIM
N340-11 METRÔ ITAQUERA – JD. SANTO ANTONIO
N341-11 TERM. SÃO MIGUEL – VILA CISPER (CPTM USP)
N342-11 TERM. PENHA     – JD. DANFER
N343-11 TERM. A. E. CARVALHO – METRÔ ITAQUERA
N344-11 TERMINAL PENHA – VILA CISPER
N401-11 TERM. VILA CARRÃO – TERM. PQ. D. PEDRO II
N402-11 METRÔ ITAQUERA – TERM. VILA CARRÃO
N403-11 TERM. CID. TIRADENTES – METRÔ ITAQUERA
N404-11 TERM. SÃO MATEUS – TERM. PENHA
N405-11 TERM. VILA CARRÃO – METRÔ ITAQUERA
N406-11 TERM. CID. TIRADENTES – TERM. SAO MATEUS
N407-11 TERM. V. CARRÃO – METRO BELEM
N431-11 TERM. SÃO MATEUS – JD. DA CONQUISTA
N432-11 TERM. SÃO MATEUS – JD. STO ANDRÉ
N433-11 TERM. VILA CARRAO – METRÔ BELÉM
N434-11 TERM. VILA CARRÃO – JD. IV CENTENÁRIO
N435-11 TERM. CID. TIRADENTES – METALURGICOS
N436-11 TERM. CID. TIRADENTES – BARRO BRANCO
N437-11 EST.GUAIANAZES-CPTM – TERM CID TIRADENTES
N438-11 METRÔ ITAQUERA – HOSP STA MARCELINA
N439-11 METRÔ ITAQUERA – COHAB FAZENDA DO CARMO
N440-11 TERM. VILA CARRÃO – SAVOY/DALILA
N441-11 TERM. CID. TIRADENTES – VILA YOLANDA
N501-11 TERMINAL SÃO MATEUS – TERMINAL PQ. D. PEDRO II
N502-11 TERMINAL SACOMÃ – TERMINAL PQ. D. PEDRO II
N503-11 TERMINAL SÃO MATEUS – TERMINAL PQ. D. PEDRO II
N504-11 TERM. SACOMÃ – TERM. PQ. D. PEDRO II
N505-11 TERM. SACOMÃ – TERM. PINHEIROS
N506-11 TERM. SACOMÃ – METRÔ VILA MADALENA
N507-11 TERM. SACOMÃ – METRÔ SANTANA
N508-11 TERMINAL SACOMÃ – TERMINAL PQ. DOM PEDRO II
N531-11 TERM. SAPOPEMBA TEOTÔNIO VILELA – TERM. SACOMÃ
N532-11 TERM. SAPOPEMBA TEOTÔNIO VILELA – HOSPITAL SÃO MATEUS
N533-11 TERM. SACOMÃ – JARDIM PLANALTO
N534-11 TERM. SACOMÃ – VILA ARAPUÁ
N535-11 TERM. SACOMÃ – JARDIM CELESTE
N536-11 TERM. SACOMÃ – JARDIM ITÁPOLIS
N537-11 METRÔ VILA MARIANA – VILA PRUDENTE
N538-11 TERM. SACOMÃ – JARDIM CELESTE
N539-11 TERM. SACOMÃ – HOSP. HELIOPOLIS
N540-11 TERM. SAPOPEMBA TEOTÔNIO VILELA – JD. SÃO ROBERTO
N601-11 TERMINAL GRAJAÚ – TERM. PQ. D. PEDRO II
N602-11 TERMINAL GRAJAU – TERMINAL SANTO AMARO
N603-11 METRÔ JABAQUARA – TERM. PINHEIROS
N604-11 METRÔ JABAQUARA – TERM. PQ. D. PEDRO II
N631-11 TERMINAL GRAJAU – TERMINAL SANTO AMARO
N632-11 TERMINAL GRAJAU – TERMINAL SANTO AMARO
N633-11 METRÔ JABAQUARA – MORUMBI SHOPPING
N634-11 TERMINAL SANTO AMARO – JD. LUSO
N635-11 TERM. GRAJAU – JD. GAIVOTAS
N636-11 TERM. GRAJAU – JD. NORONHA
N637-11 METRÔ JABAQUARA – VILA MISSIONÁRIA
N638-11 TERM. GRAJAÚ – UNISA
N639-11 TERM. GRAJAÚ – VARGEM GRANDE
N640-11 TERM. SANTO AMARO – ELDORADO
N701-11 TERM. STO. AMARO – TERM. PQ. D. PEDRO II
N702-11 TERM. SANTO AMARO – TERM. PQ. D. PEDRO II
N703-11 TERM JD ÂNGELA – TERM  STO AMARO
N704-11 TERM. CAPELINHA – TERM SANTO AMARO
N705-11 TERM. SANTO AMARO – TERM. PINHEIROS
N706-11 TERMINAL CAMPO LIMPO – TERM. PINHEIROS
N731-11 TERMINAL CAPELINHA – TERMINAL SANTO AMARO
N732-11 TERM. JD. ANGELA – TERM. ROD. JD. JACIRA
N733-11 TERMINAL JARDIM ÂNGELA – VILA GILDA
N734-11 TERM. CAPELINHA – VALO VELHO
N735-11 TERM. CAPELINHA – JD. GUARUJÁ
N736-11 TERM. JD. ÂNGELA – JD. HORIZONTE AZUL (CIRCULAR)
N737-11 TERM. JD. ÂNGELA  – PARQUE DO LAGO (CIRCULAR)
N738-11 TERMINAL GUARAPIRANGA  – PARQUE DO LAGO (CIRCULAR)
N739-11 TERM. CAPELINHA – JD. UNIVERSAL (CIRCULAR)
N740-11 TERM. JD. ÂNGELA – JD. RIVIERA (CIRCULAR)
N741-11 TERM. CAPELINHA – VALO VELHO
N742-11 TERM. JOÃO DIAS – TERM. PINHEIROS
N743-11 TERMINAL JOÃO DIAS – JARDIM PLANALTO
N744-11 TERM. JOÃO DIAS – JD. VAZ DE LIMA
N745-11 TERMINAL CAPELINHA – TERMINAL CAMPO LIMPO
N746-11 TERM.CAMPO LIMPO – JD. IRENE
N801-11 TERM. METRÔ BUTANTÃ – TERM. PARQUE D. PEDRO II
N802-11 TERM. PINHEIROS – TERM. PQ. D. PEDRO II
N831-11 TERM. LAPA – PQ. DA LAPA
N832-11 TERM. LAPA – PQ. CONTINENTAL
N833-11 TERMINAL PINHEIROS – CEASA
N834-11 TERMINAL LAPA – TERMINAL PINHEIROS
N835-11 TERM. PINHEIROS – JD. JOÃO XXIII
N836-11 TERM. PINHEIROS – PQ. CONTINENTAL
N837-11 TERM. JOÃO DIAS – CDHU BUTANTÃ
N838-11 METRÔ VILA MADALENA – CPTM LEOPOLDINA
N839-11 METRÔ BUTANTÃ – METRÔ VILA MARIANA
N840-11 TERM. VILA MARIANA – SANTA CECÍLIA
N841-11 TERM. VILA MARIANA – SANTA CECÍLIA
N842-11 TERM. PINHEIROS – COHAB RAPOSO TAVARES
N843-11 TERM. CAPELINHA – PQ. ARARIBA

Transportes metropolitanos

O transporte durante a madrugada, feito com as 150 linhas da SPTrans, é eficaz apenas dentro da capital paulista. Quem está em um compromisso na cidade de São Paulo, mas reside em outro município da Região Metropolitana, não consegue utilizar o transporte público para se locomover após 1h.

É o caso do professor Diego Medeiros, 22 anos, que mora em São Bernardo do Campo. O jovem sempre precisa se programar contando com o horário de início das partidas dos ônibus do ABC Paulista para sair de algum compromisso de São Paulo em um momento considerado estratégico.

“Tenho sempre que me programar para chegar antes da meia noite se saio para me divertir ou tenho que contar com a sorte quando saía um pouco mais tarde da faculdade, ou reservar um pouco mais de dinheiro para um táxi ou Uber” – disse o professor.

Em todas as vezes que Medeiros utilizou os ônibus da madrugada na capital paulista foram para voltar para casa de passeios feitos em São Paulo, antes de o Metrô voltar a funcionar.

“As linhas que eu mais utilizei foram a N202 combinada com a N507, ou seja, da Vila Madalena para o Sacomã. Como o primeiro ônibus que vem para o ABC sai às 4h50, eu conseguia chegar muito mais cedo em casa e descansava mais” – disse.

“Seria interessante que os principais municípios da região metropolitana adotassem sistema semelhante, bem como algumas linhas do sistema metropolitano, posto que alguns lugares da Região Metropolitana de São Paulo já têm uma vida noturna bastante agitada” – ponderou Medeiros.

Na avaliação do engenheiro e consultor de transportes Claudio Senna Frederico, para haver uma rede de transporte intermunicipal durante a madrugada, o serviço deveria estar disponível em outras cidades da Grande São Paulo.

“Esse primeiro momento de começar a fazer um subsídio traz uma sensação de que, uma vez ultrapassada essa porta, o subsídio vai aparecer como uma necessidade em outros momentos. Certamente, para a EMTU [Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos] fazer uma coisa parecida, em primeiro lugar, seria uma coisa muito mais rala do que o sistema municipal. Seria válido se as prefeituras por onde elas fossem fizesse uma coisa semelhante. Uma rede metropolitana noturna tem que ser articulada com as redes municipais noturnas também” – avaliou.

Em nota, a EMTU informou que três linhas metropolitanas da Grande São Paulo operam de madrugada, com tabelas horárias diversas. São elas a 032DV1- Itapecerica Da Serra (Parque Paraíso) – São Paulo (Pinheiros) Via Embu das Artes (Centro), com tarifa a R$ 5,05; 125 – Embu das Artes (Jardim São Marcos) – São Paulo (Pinheiros), com tarifa a R$ 5,05 e 138 – Osasco (Munhoz Junior) – São Paulo (Metrô Vila Madalena), com tarifa a R$ 5,65.

No último caso, são apenas horários especiais, somente para as madrugadas de sextas-feiras para sábados, não uma operação contínua durante toda a noite, segundo informações da EMTU. “Sentido Osasco / São Paulo – 23h30 e 03h30; sentido São Paulo / Osasco – 00h35 e 04h40” – informou a empresa, em nota.

Transportes sobre trilhos

Em algumas cidades do mundo, como Nova York, por exemplo, o metrô funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, durante todo o ano. Com isso, surge a dúvida: por que os transportes sobre trilhos da Região Metropolitana de São Paulo não funcionam sem parar?

Segundo informações do Metrô, a partir do fechamento da operação comercial, começam os trabalhos de manutenção nos trens e nas vias, o que faz com o que as atividades tenham que ser suspensas, necessariamente, para garantir a segurança dos passageiros.

“Para se ter ideia da complexidade do serviço na madrugada, são necessários 20 minutos somente para desligar a energia e, ao final, mais 20 minutos para religá-la e dar início à abertura das estações.  São 40 minutos a menos de tempo para a realização dos serviços, ou seja, sobram apenas 3 horas para a conclusão dos trabalhos, que são essenciais para garantir a segurança dos usuários” – informou a Companhia do Metropolitano de São Paulo, em nota.

Ainda segundo informações do Metrô, um sistema de transporte implantado para atender grandes demandas requer manutenção constante. “Baixas demandas são atendidas pelo sistema de pneus, mais econômico, de rápida instalação e com trajetos adaptáveis, o que torna a possibilidade de operar ininterruptamente”.

A manutenção do Metrô inclui inspeção da via permanente, troca de trilhos, vistoria do terceiro trilho (responsável pela alimentação elétrica dos trens), manutenção preventiva de equipamentos ligados à segurança como máquinas de chave e aparelhos de mudança de via, além de limpezas técnicas, controle de pragas (desratização e desinsetização) e modernização do sistema, conforme informado pela companhia.

De domingo a sexta-feira, a operação do Metrô é das 4h40 às 00h30, variando por estação. De sábado para domingo, os serviços vão até 1h. Clique aqui para conferir o horário de funcionamento de cada linha.

Na CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), por sua vez, o horário de funcionamento é das 4h à meia-noite, de domingo a sexta. Aos sábados, a operação se estende até 1h.

A justificativa para a interrupção do funcionamento dos trens é a mesma. Segundo informações da CPTM, durante a madrugada, são realizados trabalhos de manutenção que não podem ser feitos com usuários nas estações ou com os trens em operação. O transporte de cargas também interfere no serviço oferecido aos passageiros.

“Nessas poucas horas diárias, são feitas inspeção dos equipamentos, manutenção preventiva, verificação de rede aérea, além da substituição de trilhos e limpeza da via permanente. Além disso, há o compartilhamento dos trilhos com os trens de carga, cuja as viagens se intensificam durante a madrugada” – informou a CPTM, em nota.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. Marcio disse:

    Ótima reportagem

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