Empresa de aplicativo com sede em Londres testa projetos inovadores nos serviços de transporte local

Foto: divulgação

Citymapper lançou o Smart Ride no início do ano, um híbrido de ônibus e táxi

ALEXANDRE PELEGI

Um novo serviço de transporte em Londres foi criado este ano pelo aplicativo Citymapper.

Com o nome de Smart Ride, o aplicativo, que começou apenas indicando rotas de ônibus e de metrô, busca revolucionar alguns conceitos tradicionais do sistema de ônibus.

A empresa, com sede em Londres, lançou o serviço oficialmente em fevereiro: trata-se de um híbrido de ônibus e táxi, cuja função é levar passageiros em uma rede fixa na capital do Reino Unido.

A empresa opera o serviço com uma licença de locação privada concedida pela Transport for London (TfL). A empresa está limitada a operar veículos que podem transportar oito ou menos pessoas, mas a libera para executar rotas futuras que podem mudar dinamicamente à medida que a demanda se altera, em vez de ser legalmente obrigada a cumprir horários e padrões de parada específicos.

Na visão de Omid Ashtari, presidente e chefe de negócios do Citymapper, o futuro das cidades está no transporte compartilhado. No entanto, Omid vê um obstáculo a que essa ideia avance: “os regulamentos que vemos não são feitos em favor da indústria de ônibus para garantir que ideias assim funcionem”.

Na definição do criador do serviço, o Smart Ride (viagem inteligente) combina características de vários modos: ele tem um pouco do ônibus – porque tem paradas; um pouco do serviço de táxi – porque se pode solicitar e tem assentos garantidos; e um pouco do metrô, porque é definido para circular em uma rede determinada de ruas.

O Smart Rider opera com oito pessoas transportadas por motoristas licenciados, operando em uma rede fixa que abrange a cidade. Os veículos são de propriedade dos motoristas, como ocorre já com aplicativos como Uber. A licença concedida pela TfL permite que o Smart Ride tenha uma frota máxima de 500 vans.

A diferença para os ônibus tradicionais, no entanto, é abissal.

Os veículos do Smart Ride, ligados a uma rede própria, podem se mover por múltiplas combinações. Ao contrário dos ônibus tradicionais, que devem cumprir horários e roteiros pré-estabelecidos, o sistema Smart Ride atende à demanda, ou seja, suas rotas e frequências são definidas pelos desejos dos usuários. Assim, variáveis que no sistema de ônibus são fixas, como o traçado da rede e a tabela de horários, no Smart Ride elas são variáveis, diretamente ligadas à demanda. As rotas podem mudar a qualquer momento, como os locais de embarque e os horários.

O que a Citymapper fez, na verdade, foi procurar brechas no sistema de transporte, usando para isso seus próprios dados. E descobriu quais trechos e horários não são atendidos pelas redes públicas. Em sua página na internet, o aplicativo se apresenta, ao mesmo tempo em que explica sua gênese e função:

smart_rider_pageO Smart Ride é uma nova forma de transporte compartilhado administrada pelo Citymapper (somos nós)

Construir um aplicativo multimodal nos ensinou muito sobre as viagens que as pessoas fazem

smart_ride_photo1Encontramos lacunas na rede de transporte

Fazemos caminhos A para B que não são bem servidos pelo transporte existente

Estamos realizando uma nova forma de transporte para preencher essas lacunas: um mix de um ônibus e um táxi

O preço está entre uma tarifa de ônibus e o valor de uma corrida de táxi

Requer um pouco de caminhada e algum compartilhamento

Mas, ao contrário de um ônibus, você pode reservá-lo e levá-lo a qualquer lugar da rede sem transferências/baldeações.

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Não foi fácil, no entanto, obter a licença de operação da Transport for London. Foram nove meses para obter a autorização para funcionar, em boa parte devido às más experiências anteriores da TfL com a Uber. Só para lembrar, em setembro de 2017 a TfL negou a renovação da licença da Uber para que ela pudesse operar por mais cinco anos na cidade. A empresa recorreu, e finalmente conseguiu uma vitória parcial em junho de 2018: poderá operar provisoriamente por 15 meses, tempo em que deverá mudar radicalmente sua conduta diante das autoridades de transporte.

Alguns apostam que da mesma forma como ocorreu com os táxis, as empresas de ônibus estão sob ameaça. Casar o desejo da viagem ao atendimento da demanda, no entanto, é algo que deve ser mais que apenas um bom negócio privado. Tem, acima de tudo, que garantir o interesse público.

Como afirmou Lilli Matson, diretora de estratégia da Transport for London: “estaremos confiantes em dar as boas-vindas aos recém-chegados, mas eles devem estar prontos para contribuir com nossos objetivos”.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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