Idade média dos ônibus é de 6,22 anos, acima do máximo permitido pelo contrato de concessão
JESSICA MARQUES / ADAMO BAZANI
O Consórcio União Santo André, responsável por cerca de 75% dos ônibus municipais da cidade, no ABC Paulista, descumpriu o prazo estipulado pela Prefeitura e não apresentou um plano de renovação de frota. O descumprimento foi informado ao Diário do Transporte pelo secretário de Mobilidade Urbana, Edilson Factori.
O prazo para a apresentação do plano era até o fim de junho. Contudo, até esta semana, o secretário informou que nada foi entregue pelo Consórcio.
“Ficaram de apresentar uma proposta sobre a renovação da frota para a gente avaliar. A gente deve voltar a conversar com eles para ver se essa proposta de renovação está pronta. O prazo era o final do mês [de junho] e já passou. Eu estava de férias e não tinham apresentado. Nesta semana, vamos conversar com eles novamente” — disse o secretário.
A idade média dos ônibus municipais é de 6,22 anos, acima do máximo permitido pelo contrato de concessão, que estipula média de cinco anos para toda a frota e idades máximas de oito anos para ônibus convencionais, micros e micrões e de 12 anos para articulados.
Leia mais em União Santo André nunca teve frota de ônibus tão velha e sistema perde 5 milhões de passageiros
As renovações que ocorrem nos ônibus de Santo André são feitas com veículos usados. A exemplo da Viação Guaianazes e Viação Curuçá.
Conforme apurado pelo Diário do Transporte, a Viação Guaianazes e a ETURSA – Empresa de Transporte Urbano Rodoviário de Santo André têm operado com ônibus usados também de Indaiatuba, no interior de São Paulo, onde o dono destas companhias, o empresário Ronan Maria Pinto, deixou de operar os transportes municipais em 2016.
A mais recente entrega de ônibus zero quilômetro pelo Consórcio União Santo André, ocorreu em maio de 2016, ainda na gestão Carlos Grana, quando a Viação Vaz apresentou sete veículos.
Relembre: Santo André recebe mais sete ônibus zero quilômetro
Por sua vez, a idade média dos ônibus da Suzantur, que opera as linhas tronco-alimentadoras da Vila Luzita, segundo a prefeitura de Santo André, é de 4,17 anos. A empresa responde por cerca de um quarto do sistema e opera a título precário (provisoriamente) até a realização da licitação das 15 linhas.
O edital foi publicado em junho. Relembre: Licitação da Vila Luzita é publicada e não prevê ampliação de frota. Ônibus troncais terão de oferecer ar-condicionado
Apesar de um questionamento, a entrega das propostas continua prevista para 26 de julho. Relembre: Edital da Vila Luzita tem questionamento, mas entrega das propostas se mantém para 26 de julho.
Conforme já publicado pelo Diário do Transporte, entre Consórcio União Santo André, formado por várias empresas, e Suzantur, a idade dos ônibus na cidade está acima também do permitido, chegando a 5,92 anos.
Todo o sistema da cidade possui 393 ônibus que transportaram 52,4 milhões de passageiros em 2017.
Os dados foram obtidos pelo Diário do Transporte por meio da Lei de Acesso à informação.
Assim como em fevereiro de 2018, o Diário do Transporte procurou novamente o diretor da AESA – Associação do Sistema de Transporte de Santo André, que reúne as empresas do Consórcio União Santo André, Luiz Marcondes de Freitas Júnior, questionando se há previsão de renovação da frota com ônibus zero quilômetro
Mais uma vez, Marcondes não se pronunciou sobre o assunto.
QUEM É QUEM NOS TRANSPORTES DE SANTO ANDRÉ:
O Consórcio União Santo André é formado pelas seguintes empresas:
Base Operacional 01 – Viação Guainazes / Viação Curuçá (proprietário Ronan Maria Pinto).
Base Operacional 02 – Viação Vaz (proprietário Ozias Vaz)
Base Operacional 03 – TCPN – Transportes Coletivos Parque das Nações (proprietário Carlos Sófio)
Base Operacional 04 – ETURSA – Empresa de Transporte Urbano Rodoviário de Santo André (proprietário Ronan Maria Pinto).
Base Operacional 05 – EUSA – Empresa Urbana de Santo André (proprietário Baltazar José de Sousa)
Linhas Troncais e Alimentadoras do Sistema de Vila Luzita:
Suzantur (proprietário Claudinei Brogliato) – operação emergencial e depois a título precário até licitação.
Até 07 de outubro de 2016, era Expresso Guarará, da família Passarelli.
Jessica Marques para o Diário do Transporte
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
