Mulheres fazem ‘mamaço’ para protestar no Terminal Vila Luzita, em Santo André, nesta quinta

Ato é contra atitude de três homens, que teriam impedido a dona de casa Thaís Magalhães Santina de amamentar o filho no local

JESSICA MARQUES

Um grupo de aproximadamente 20 pessoas está no Terminal Vila Luzita, em Santo André, no ABC Paulista, para realizar um protesto na manhã desta quinta-feira, 12 de julho de 2018. O ato é chamado “mamaço”, em que as mulheres amamentam os filhos em público para conscientizar a população de que alimentar o bebê é um direito, não um atentado ao pudor.

O Diário do Transporte está acompanhando o protesto, que até o momento ocorre de forma pacífica. As mulheres estão em frente às catracas da entrada do terminal.

Dois policiais militares estiveram no local, por volta de 10h30, para perguntar às mães se haveria interdição de vias. Como as manifestantes não pretendem deixar as dependências do terminal, os agentes apenas anotaram o nome de algumas participantes e acompanharam o evento.

O protesto é contra a atitude de três homens, que teriam impedido a dona de casa Thaís Magalhães Santina de amamentar o filho de um mês no terminal, nesta terça. A passageira havia dito que os homens eram funcionários da Suzantur e não compareceu no protesto.

No local, as mães amamentaram os filhos livremente, quando os bebês mostravam ter fome. A intenção é quebrar o tabu de que o seio da mulher é um objeto sexual e mostrar que é uma forma de alimentar uma criança.

A psicóloga Letícia Gonçalves, 27 anos, que participa do ato, veio de São Bernardo do Campo para apoiar a causa. Com a filha de três meses no colo, a mulher se sensibilizou com o constrangimento sofrido por Thaís no terminal.

“Quando uma mulher é impedida de amamentar, a gente se sensibiliza. Poderia ter sido comigo” – disse.

Quando amamenta em público, a psicóloga diz que percebe olhares tortos e de julgamento, mas sabe que alimentar os filhos é um direito garantido por lei.

A mãe trouxe impressa a lei estadual número 16.047, de dezembro de 2015, que estabelece multa para quem impede o aleitamento materno, onde quer que seja.

A dona de casa Beatriz Emanuela, 21 anos, disse que sempre amamenta a filha de quatro meses.

“A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda exclusivamente leite materno até os seis meses de idade, então preciso amamentar minha filha” – contou.

A jovem disse que já passou por constrangimento ao amamentar a filha em uma festa de família, mas não parou.

“Uma roda de amigos olhou feio, mas precisam entender que o seio não é um objeto sexual, mas uma forma de a mãe alimentar sua cria” – relatou. “Tem gente que diz que tem que pôr um paninho para cobrir o seio. Mas ninguém come com um pano no rosto, então por que vou fazer isso com a minha filha?”

As mães também contaram que o puerpério (pós-parto) é um período difícil em que as mulheres ficam fragilizadas no período de adaptação. Esse foi mais um dos motivos que motivou a adesão das participantes do mamaço, pois o filho de Thaís Santina estava com aproximadamente 40 dias quando ela passou pelo constrangimento.

O coordenador da Suzantur em Santo André, Wagner Militani, afirmou ao Diário do Transporte que a empresa se solidariza com a causa.

“A Suzantur se solidariza com todas as mães e repudia veementemente esse tipo de comportamento. Inclusive, nos preparamos uma recepção para as mães aqui no terminal hoje, disponibilizamos cadeiras, água, café, o mínimo em respeito a essas mães. O objetivo da Suzantur é aproximar cada vez mais o usuário da empresa e não deixá-lo de fora, como vem sendo noticiado” – disse.

No local, a Suzantur distribuiu uma nota sobre o caso, reforçando que não há registros nas câmeras do terminal de nenhum funcionário impedindo Thaís de amamentar.

Além disso, a nota diz que a Suzantur repudia atitudes como a que foi relatada por Thaís. Confira a nota na íntegra:

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A empresa também colocou um banner com o objetivo de reforçar o apoio à causa.

O ato foi encerrado por volta de 11h30, sem nenhum tipo de confusão.

O CASO

O Diário do Transporte conversou com Thaís, a mãe que foi constrangida ao amamentar o filho. A dona de casa disse que a companhia de ônibus a chamou para reconhecer os supostos funcionários. A dona de casa, no entanto, contou que preferiu não prosseguir com o caso e disse não ter certeza de que todos os homens que a abordaram eram funcionários da Suzantur.

Relembre: Suzantur diz que não há registros em câmeras de mulher que teria sido impedida de amamentar no Terminal Vila Luzita

Ainda assim, o grupo decidiu prosseguir com o protesto, devido ao constrangimento sofrido por Thaís ao ser abordada pelos três homens de forma desrespeitosa.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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