Novo estudo nos EUA aponta que carros autônomos podem piorar trânsito em regiões centrais

Tempo de viagem pode aumentar 5,5% no centro da cidade, mas cair 12,1% na periferia

ALEXANDRE PELEGI

Os carros autônomos vêm sendo alardeados como uma solução tecnológica que, mais do que reduzir acidentes e a poluição, será um importante redutor dos congestionamentos nos centros urbanos.

Um novo estudo feito na cidade de Boston, nos Estados Unidos, mostra que a situação não é tão imediata assim, e os efeitos da nova tecnologia dependem de outros fatores, como por exemplo a região da cidade.

A mudança vai afetar as regiões da cidade de forma diferente. Pelo estudo, os veículos autônomos poderão ser benéficos para as periferias das cidades, onde se estima uma redução de 12,1% no tempo das viagens, mas serão problemáticos para os traslados no centro, onde a estimativa é de aumento no tempo das viagens em 5,5%.

Ainda segundo o estudo de Boston, a duração da viagem deve diminuir em média apenas 4%, queda bem menor que a esperada em outros estudos.

A pesquisa foi realizada pelo Boston Consulting Group em parceria com o Fórum Econômico Mundial.

A pesquisa afirma que, no caso de Boston, o trânsito no centro pode piorar. Isso porque os especialistas acreditam que haverá uma migração do transporte público pelo veículo autônomo em deslocamentos curtos.

Na periferia, no entanto, a expectativa de que os veículos autônomos produzam bons resultados para o trânsito decorre da expectativa de que a modalidade feita através de aplicativos de transporte vai substituir principalmente os carros particulares.

Por isso que uma das soluções seria incentivar o compartilhamento desses veículos, cobrando menos para quem aceita repartir a carona, e mais para quem deseja viajar sozinho. Com o compartilhamento estimulando as caronas o tempo médio de deslocamento poderá cair até 15%.

Ainda segundo o estudo, a cidade poderá cortar metade das vagas de estacionamento, abrindo lugar para outras oportunidades. A explicação está no cenário futuro projetado pela pesquisa, que prevê uma forte queda no uso de veículos particulares.

Em Boston hoje 58% das viagens são realizadas por carros particulares, 7% por aplicativos de transporte e 35% por modos coletivos – ônibus, metrô ou trem. A expectativa do estudo feito pelo Boston Consulting Group é de que em 2030 a divisão modal seja alterada, com os transportes coletivos perdendo pouco espaço (caindo para 32%), os aplicativos crescendo bastante (chegando a 30%) e os automóveis particulares cedendo espaço, reduzindo o índice de viagens para 38%.

ACIDENTALIDADE

Além de tempo de viagem, espera-se que os veículos autônomos reduzam os índices de acidentes, causados principalmente por falha humana. Há estudos que estimam que, com a introdução da tecnologia, 585 mil vidas poderão ser salvas entre 2035 e 2045.

As notícias apontam que em breve, e aos poucos, os carros autônomos começarão a chegar às ruas… das cidades de países desenvolvidos.

É o caso da Waymo, que pretende desembarcar seu serviço de robo-táxi nos Estados Unidos ainda este ano, e depois na Europa.

No Brasil, no entanto, a tecnologia não tem data para aparecer. Um ranking da consultoria KPMG coloca o Brasil como um dos países mais atrasados para a chegada da tecnologia.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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