Operação ‘Pedra no Caminho’ da PF realiza 15 prisões em São Paulo por desvio de dinheiro público em obras do Rodoanel

Foto: Divulgação (Marcelo Camargo /Arquivo-Agência Brasil)

Um dos alvos é Laurence Casagrande Lourenço, ex-diretor presidente da Dersa e atual presidente da Cesp

ALEXANDRE PELEGI

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta manhã, 21 de junho de 2018, a operação Pedra no Caminho, que investiga o desvio de dinheiro público nas obras do Trecho Norte do Rodoanel Mário Covas, uma das mais importantes obras viárias do estado de São Paulo.

A operação cumpre 15 mandados de prisão, e um dos alvos é Laurence Casagrande Lourenço, ex-diretor presidente da Dersa, empresa pública responsável pelas rodovias do estado de São Paulo.

Laurence, que hoje preside a CESP – Companhia Energética de São Paulo, foi secretário de Transportes e Logística do governo Alckmin de maio de 2017 a abril deste ano. Ele presidiu a Dersa por sete anos e quatro meses, e assumiu o cargo logo após a saída de Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, ex-diretor de engenharia da empresa.

Paulo responde a ação penal na 5ª Vara Criminal Federal por suposta participação na inclusão de falsos beneficiários no programa de desapropriação da empresa.

Além de Laurence, as prisões temporárias atingem ainda um ex-diretor de Engenharia da Dersa e um gerente responsável pelo trecho norte do Rodoanel, além de fiscais e executivos das empreiteiras Mendes Júnior e OAS, que executam a obra.

A pedido da Polícia Federal foram expedidos também 51 mandados de busca e apreensão pela 5ª Vara Criminal Federal de SP. Os mandados atingem, além da capital São Paulo, as cidades de Carapicuíba, Arujá, Bofete, Ribeirão Preto e São Pedro, todos no estado de São Paulo, além das cidades de Marataízes e Itapemirim, no Espírito Santo.

O inquérito policial foi instaurado em 2016, com base em informações fornecidas por um ex-funcionário de uma empresa que atuou nas obras. Ele apresentou à PF dados sobre possíveis manipulações em termos aditivos da obra do Trecho Norte, como forma de aumentar o valor pago às empreiteiras.

Em nota a imprensa à Polícia Federal afirma que “as investigações apontam que aditivos contratuais, relacionados principalmente à fase de terraplanagem da obra, incluíam novos serviços para efetuar a remoção de matacões (rochas) misturados ao solo. As provas produzidas no inquérito policial indicam que era previsível a existência de matacões no solo e, portanto, o projeto inicial já contemplaria o custo de sua remoção”.

No total, segundo os autos, o acréscimo dos serviços teria redundado num sobrepreço de mais de R$ 131 milhões.

A nota da PF afirma ainda que segundo perícia e relatórios do Tribunal de Contas da União e da Controladoria Geral da União, “em um dos cinco lotes onde houve aditivos relacionados a remoção dos matacões, houve apuração de sobrepreço da ordem de R$ 33 milhões”.

A nota finaliza afirmado que os investigados responderão, na medida de suas participações, “pelos crimes de fraude à licitação, estelionato contra o Poder Público, falsidade ideológica e associação criminosa. Os presos permanecerão na sede da PF em São Paulo, à disposição da Justiça Federal”.

Ainda hoje, às 11:00h, a Polícia Federal fará uma entrevista coletiva no auditório de sua sede em São Paulo.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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