Ônibus sem combustível e protestos de caminhoneiros prosseguem

Ônibus em postos de combustíveis na madrugada no Rio de Janeiro – Foto: reprodução redes sociais

No Rio, algumas empresas de ônibus abasteceram em postos comuns durante a madrugada. Transportadores de carga ainda fazem bloqueios

ADAMO BAZANI

Os efeitos da paralisação dos caminhoneiros começam a se intensificar em todo o País e já são sentidos nos transportes coletivos nesta quarta-feira, 23 de maio de 2018.

Como anunciou ontem o Rio Ônibus, sindicato das viações da cidade do Rio de Janeiro, e o Fetranspor, das empresas de ônibus do Estado do Rio de Janeiro, as companhias já sentem o desabastecimento de combustível.

Durante a madrugada, ônibus abasteceram em postos comuns, fora das garagens.

Por enquanto, a circulação dos ônibus é normal.

Em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, ônibus intermunicipais foram vistos abastecendo em postos comuns. Não havia mais diesel suficiente nas garagens.

Ônibus metropolitano e van de fretamento abastecem em postos comuns nesta madrugada em Guarulhos. Foto: reprodução redes sociais

A EMTU, que gerencia as linhas, ainda não informou se houve redução de frota de ônibus na Grande São Paulo.

Em São José dos Campos, no interior de São Paulo, ônibus da CS Brasil também tiveram de abastecer em postos de rua comuns.

Em Recife e cidades da região metropolitana, os postos de combustíveis já começaram a ser afetados pela greve dos caminhoneiros. Vários postos já dão sinais de desabastecimento de gasolina e diesel. O risco de colapso é grande. Por conta da greve, o Grande Recife Consórcio anunciou que a partir desta quarta-feira passa a operar com a mesma frota do período de férias de janeiro deste ano. A medida emergencial representa redução de 8% no número de viagens, ou menos 200 veículos da frota de 2.700 ônibus.

Já em Jacareí, no interior de São Paulo, também houve redução dos horários de ônibus urbanos.

Na região metropolitana de Curitiba empresas de cidades como Fazenda Rio Grande e São José dos Pinhais também já alertam para a falta de combustível.

Em Joinville, estado de Santa Catarina, as empresas de ônibus da cidade informaram que ainda não receberam o combustível que encomendaram. Estão sendo usados estoques e, por enquanto, os serviços são normais. Porém, como elas têm uma boa capacidade de armazenamento de diesel, ainda não falta combustível para a operação diária.

Em Ponta Grossa, interior do Paraná, os ônibus municipais podem parar. A reserva técnica da Viação Campos Gerais (VCG), concessionária responsável pelo transporte coletivo do município, dura apenas mais dois dias. Com isso, o transporte coletivo será afetado e o número de veículos circulando será reduzido a partir desta quinta-feira, 24 de maio.

Em Natal, os motoristas de ônibus intermunicipais aderiram ao protesto dos caminhoneiros e as viagens programadas para esta manhã foram canceladas. Quem já havia comprado bilhete terá a viagem remarcada.

O Sindpass, Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Barra Mansa e Volta Redonda (estado do Rio de Janeiro), anunciou na noite desta terça-feira, 22 de maio, que vai reduzir o número de ônibus em circulação para evitar o colapso do sistema de transporte coletivo.

Em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, a frota de ônibus urbanos será reduzida em 30% a partir desta quarta-feira, segundo informações da Associação das Empresas de Transportes de Passageiros de Caruaru (AETPC).

Em Ouro Preto, Minas Gerais, a Transcotta informou que, nesta quarta-feira, todas as linhas vão funcionar com horários reduzidos, por conta da escassez de combustível.

BLOQUEIOS PROSSEGUEM PELO TERCEIRO DIA

As manifestações de caminhoneiros entram no terceiro dia nesta quarta-feira, 23 de maio de 2018.

Já há bloqueios em rodovias, vias urbanas, portos e entrepostos.

No porto de Santos, o maior da América Latina, a entrada e saída de caminhões estão sendo comprometidas.

Na Bahia, caminhoneiros bloquearam na madrugada desta quarta-feira a rodovia CIA-Aeroporto (BA-526). Apenas caminhões e carretas não estão circulando. Manifestantes permitem apenas que ônibus e veículos de passeio trafeguem. Os trabalhadores também protestam na BR-116, em trechos que ficam nas cidades baianas de Santo Estevão, Itatim, Milagres, Jequié, Poções e Vitória da Conquista. Esse já é o terceiro dia seguido de protesto nas rodovias que cortam o estado da Bahia.

Em São Paulo caminhoneiros atearam fogo em pneus e bloquearam os dois sentidos da rodovia Régis Bittencourt, em Embu das Artes, no km 279 (próximo ao Rodoanel). Em Miracatu, km 385, duas pistas estão interditadas no sentido Curitiba; acesso para a Rodovia Padre Manoel da Nóbrega está bloqueado. Em Jacupiranga (Km 477) bloqueados os dois sentidos da via.

Logo no início da manhã houve bloqueio de uma faixa da Rodovia Presidente Dutra em Bonsucesso, sentido São Paulo (km 210). O bloqueio durou apenas 30 minutos.

VIA OESTE OBTÉM LIMINAR CONTRA BLOQUEIO DE CAMINHONEIROS:

A concessionária CCR ViaOeste, que controla as rodovias paulistas do sistema Castello-Raposo, obteve uma liminar na Justiça contra os bloqueios nas rodovias Castello Branco e Raposo Tavares.

A liminar foi concedida na noite desta terça-feira, dia 22 de maio, pela juíza Renata Bittencourt Couto da Costa, titular da 4ª Vara Cível de Barueri, e abrange as estradas controladas pela CCR.

A juíza escreveu em sua decisão judicial: “fica proibido no leito carroçável e no acostamento das Rodovias acima individualizadas, o contingenciamento de pessoas e estacionamento de veículos destinados à manifestação pública dos réus, bem como, por Centrais Sindicais, Órgãos de Classe e Movimentos Sociais, estes últimos caso identificados por ocasião da realização do evento, seja em toda a sua extensão e, especialmente, no trecho que corta este município e no acesso a capital, através do tráfego de pessoas ou estacionamento de veículos destinados a participação de manifestação coordenada pelos réus”.

A liminar estabeleceu multa de R$ 300 mil em caso de descumprimento da decisão.

PROTESTOS CONTRA POLÍTICA DE PREÇOS

Os profissionais são contra a política de preços adotada desde 3 de julho de 2017 pela Petrobras, que acompanha a cotação internacional do petróleo, que tem ocasionado aumentos constantes no valor dos combustíveis.

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, disse que a Petrobras não vai mudar sua política, mas o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, confirmou ontem um acordo como os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício Oliveira pelo qual, em troca da reoneração da folha de pagamento para mais de 50 setores, o Governo Federal vai tirar a incidência da Cide – Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico sobre o Diesel.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/05/22/ministro-da-fazenda-confirma-acordo-anunciado-por-maia-e-eunicio-e-governo-vai-zerar-cide-do-diesel/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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