Trabalhadores da Scania aprovam acordo coletivo e greve na Mercedes chega ao 4º dia

Proposta aprovada por trabalhadores da Scania será válida por dois anos. Foto: Adonis Guerra / SMABC

Proposta aprovada será válida por dois anos

JESSICA SILVA PARA O DIÁRIO DO TRANSPORTE

Os metalúrgicos de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, discutiram questões salariais nesta quinta-feira, 17 de maio de 2018. Na Scania, os trabalhadores aprovaram um acordo coletivo para dois anos. Com a Mercedes-Benz, ainda não houve acordo e a greve chegou ao quarto dia.

Em assembleia, os trabalhadores da Scania aprovaram por unanimidade as cláusulas do acordo coletivo proposto pela empresa. A proposta é válida por dois anos e prevê aumento real de 2% a partir de janeiro de 2019, reposição salarial pelo INPC na data-base, que é em setembro, e PLR (Participação nos Lucros e Resultados), paga em duas parcelas (junho de 2018 e janeiro de 2019).

O acordo também prevê um vale-compras mensal a partir de setembro deste ano. A proposta é válida até janeiro de 2020, quando será paga a segunda parcela da PLR referente a 2019.

A Scania produz chassis para ônibus, motores para geradores e caminhões. Caso o acordo não fosse aceito, 4,2 mil trabalhadores poderiam aderir a uma paralisação, o que causaria grande impacto, uma vez que a planta de São Bernardo do Campo é a única no Brasil.

GREVE NA MERCEDES

Os trabalhadores da Mercedes-Benz, também em São Bernardo do Campo, entram no quarto dia de greve nesta quinta-feira, defendendo um acordo coletivo que atenda às reivindicações dos metalúrgicos. A decisão de manter a paralisação foi tomada em assembleia, pela manhã.

Entre os itens pleiteados, está o reajuste salarial e maior participação nos lucros. Os trabalhadores querem que o cálculo da PLR inclua a exportação de itens agregados, como motores, eixos e câmbios.

“Estamos em processo de negociação e a mobilização é para que a empresa se sensibilize e possamos chegar a um acordo bom para os trabalhadores” – disse o diretor administrativo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Moisés Selerges Jr, à Tribuna Metalúrgica.

Até o momento, foram apresentadas pela empresa duas propostas. Nenhuma delas agradou aos trabalhadores.

O diretor do sindicato também criticou a entrevista do presidente da Mercedes à imprensa. “[…] fui procurado por um jornal da região e o repórter perguntou sobre a resposta dada pelo presidente da companhia de que não existe plano de demissões na planta. Se o presidente disse isso ao repórter, que coloque no boletim interno” – disse.

Na terça-feira, o presidente da Mercedes-Benz, Philipp Schiemer, afirmou ao Diário do Transporte que não estão previstos cortes. “Não haverá demissões na planta. Não entendemos a paralisação neste momento, já que as negociações estão em curso” – disse.

Relembre: Trabalhadores da Mercedes-Benz entram em terceiro dia de greve

Uma nova assembleia está marcada para a manhã desta sexta-feira, 18 de maio, às 7h30. A reunião definirá os rumos da paralisação.

A Mercedes-Benz produz caminhões, chassis de ônibus, cabinas e agregados. A empresa tem aproximadamente 8 mil funcionários.

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