OPINIÃO: O “injustiçado” ônibus

Mais um ônibus e um micro-ônibus desses da foto poderiam substituir todos estes carros na imagem e ainda sobraria lugar. Imagine que boas seriam as cidades com menos trânsito e poluição? Foto: Adamo Bazani

Prioridade deve ser para o coletivo … em tudo!

ADAMO BAZANI

O ônibus não é um simples veículo automotor, mas um integrador social que tem a capacidade e flexibilidade de chegar a locais onde não é possível implantar outros modais, como metrô e trem.

Aliás, esta é a chamada capilaridade pelos técnicos. O ônibus vai onde o povo está e leva até onde precisa. Da casa para o trabalho, lazer, escola, tratamentos de saúde …

Ocorre que este meio de transporte hoje sofre muitas injustiças.

A população tem toda a razão de reclamar quando um serviço não a satisfaz, mas é necessário parar um pouco e procurar entender o que ocorre com o ônibus.

Se o trem e o metrô precisam de trilhos adequados, com o ônibus é bem mais simples: uma via minimamente em condições já é um começo, mas isso não ocorre na maior parte do país. Seja em locais com características rurais, cidades em regiões metropolitanas ou grandes capitais, os ônibus ainda quebram em buracos.

Criar espaços preferenciais, sejam faixas, corredores simples ou BRTs – Bus Rapid Transit (corredores mais sofisticados) não é dar vez para o ônibus nas cidades, mas sim, dar preferência às cerca de 80 milhões de pessoas que se deslocam por dia no Brasil de maneira coletiva e racional, poluindo menos e usando melhor as áreas cada vez mais escassas nas cidades.

Se o ônibus fica preso no trânsito igual todos os outros carros, que atratividade vai ter o transporte coletivo? E é justo tratar da mesma forma 70 pessoas que estão em um único veículo de 13,2 metros que outra que está sozinha em um carro de 4 metros, sentada, com ar-condicionado, ocupando proporcionalmente mais espaço e poluindo mais? Todo o cidadão deve ter seus direitos e bem estar respeitados, mas a preferência tem de ser para o coletivo. Senão as cidades travam mais.

Outra questão é das tarifas. Operar ônibus é caro demais: salários, pneus, peças, combustível… E quanto mais o ônibus fica preso no trânsito, mais cara é a operação.

As tarifas hoje não são justas para nenhum dos lados. São caras para o passageiro e não cobrem todos os custos na maior parte dos sistemas. Como melhorar isso? O modelo de cobrir custos somente pelas tarifas é defasado. Em diversas partes do mundo há subsídios sem aumentar gastos e sem tirar dinheiro da saúde, educação, segurança, etc.  O segredo disso? O transporte individual financiar o coletivo. É aquela questão de justiça que falamos. A preferência tem de ser para o coletivo, mas não só na rua, nos investimentos também. Dinheiro não é desculpa, afinal, ainda há muitos recursos diretos e indiretos para o transporte individual em políticas e ações que resultam em um estado de imobilidade cada vez maior para o cidadão.

Estaremos em uma situação ideal de cidades quando seus moradores tiverem orgulho de seus ônibus.  Mas o caminho é longo …

A tempo: quando se fala em “injustiçado ônibus”, na prática, acaba sendo o injustiçado passageiro, porque é o usuário que mais sofre com a falta de políticas públicas suficientes para uma mobilidade inteligente e coletiva.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

 

 

5 comentários em OPINIÃO: O “injustiçado” ônibus

  1. SDTConsultoria em Transportes // 17 de Abril de 2018 às 13:52 // Responder

    Boa tarde ! Parabéns pela sua visão , é gratificante saber que pessoas que ainda pensam o COLETIVO , NO COLETIVO . Precisamos localizar e identificar mais pessoas com esta visão e somente assim estaremos evoluindo.

  2. SDTConsultoria em Transportes // 17 de Abril de 2018 às 13:53 // Responder

    …que pessoas ainda pensam….

  3. Realmente, precisamos que as autoridades, principalmente as que controlam os transportes, empresários da área, vereadores, técnicos em transportes, engenheiros da SPTRANS, utilizassem o transporte público, o nosso transporte seria um orgulho para todos os passageiros. Outra coisa são as licitações dos últimos anos, que sempre prometem um transporte melhor, mas, parecem que as autoridades da nossa cidade, nunca andaram de ônibus, não digo transporte especialmente com comitivas de segurança, mas, aquele que fica esperando um ônibus, com até trinta minutos de intervalos. A malha viária tem que ser expandida com mais opções. Veículos pequenos para percorrer em locais apertados, não papa-filas que ficam roçando em árvores e subindo em calçadas, como por exemplo no bairro das Perdizes, onde o motorista precisa ser malabarista. Eu tenho feito muitas sugestões, algumas atendidas e aprovadas pelas autoridades, como: Inversão das Catracas dos ônibus; Colocação dos Horários de todas as partidas no site da SPTRANS; O número do Derivado no painel Frontal; E muitas outras sem registros.

  4. Jayme, concordo com tudo que você escreveu, porem este governo não e popular e sim elitista, ele trabalha para quem anda de carro zero, eles vão reduzir a quantidade de ônibus e dizem que vai melhorar, sim vai melhorar para os empresário, menos ônibus, mais lucro, mas ônibus abarrotados, maiores intervalos, fora a quantidade de ônibus velhos e sucateados que ainda rodam principalmente nas regiões mais pobres, e mais uma coisa preste bastante atenção pois tem uma empresa que presta serviços em quase toda zona leste e que não vem renovando a sua frota e tenha certeza que ela sera uma das aprovadas nessa nova licitação e vamos ficar mais 20 anos andando em sucatas.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: