Com Orçamento total maior que Doria, Bruno Covas prevê apenas 8 km de corredores de ônibus em 2019
Publicado em: 17 de abril de 2018
Receita prevista em projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias é de R$ 57,6 bilhões. Proposta quer recapear mais 170 km de vias comuns
ADAMO BAZANI
O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, enviou ao presidente da Câmara Municipal, Milton Leite, projeto do orçamento da cidade para 2019.
Os números e destinações de verbas serão agora debatidos e a versão final deve ser aprovada em dezembro, como ocorre todos os anos.
Segundo a peça Orçamentária, a gestão Bruno Covas prevê uma receita de R$ 57,6 bilhões (R$ 57.635.717.18) para 2019, valor maior que a receita prevista para 2018, que é de R$ 56,3 bilhões (R$ 56.370.560.562,00). Relembre:
Em relação a um dos principais problemas de mobilidade hoje na cidade de São Paulo, que é a necessidade de ampliação da eficiência e atratividade dos ônibus, a lei prevê a construção de apenas oito quilômetros de corredores exclusivos para o transporte coletivo, com orçamento de R$ 1,4 bilhão (R$ 1.421.600.000).
Com a nova rede de linhas de ônibus, que deve ser implantada com a conclusão da licitação dos transportes, o aumento da malha de corredores de ônibus é considerado fundamental.
Isso porque, muitas linhas que hoje vão direto dos bairros até a região central vão ser cortadas no meio do caminho, obrigando os passageiros a fazer baldeações.
É o chamado sistema tronco-alimentador. Ocorre que se o ônibus troncal (grande) não tiver corredor, vai ficar preso no trânsito e demorar mais para chegar ao terminal de bairro, onde as pessoas que desceram dos ônibus alimentares (menores) estão esperando para seguir viagem.
A meta da prefeitura é implantar até 2021, 72 quilômetros de corredores de ônibus.
Assim, levando em consideração a informação da própria prefeitura de São Paulo de que foram entregues 3,3 quilômetros do corredor Berrini, que estão em obras mais 14 quilômetros de extensão do corredor Itaquera, trechos 1 e 2 e que, em 2019, a meta é de oito quilômetros de corredores, a tendência é que no final da gestão, já em ano eleitoral, seja entregue a maior parte dos corredores, levando em conta que a meta de 72 quilômetros seja cumprida.
A cidade de São Paulo conta com 12 corredores de ônibus que totalizam 128,7 km de extensão. Apenas 8 km deste total são BRT – Bus Rapid Transit de fato, com maior segregação, embarque mais acessível e maior velocidade comercial dos ônibus. Trata-se do Expresso Tiradentes (antigo Fura Fila), entre o Sacomã, na zona Sudeste, e o Terminal Mercado, na região central.
Um estudo de 2012, encomendado pela própria prefeitura de São Paulo, mostrava que na ocasião, a cidade deveria ter ao menos 600 quilômetros de corredores de ônibus para que a velocidade do sistema fosse satisfatória e para que o atendimento ao passageiro fosse melhorado.
Já os terminais de ônibus devem receber no ano que vem, pela proposta, R$ 179,7 milhões, mas não há meta física sobre a quantidade de novos espaços.
A prefeitura quer conceder à iniciativa privada os atuais terminais que devem ser requalificados com dinheiro das empresas e consórcios que assumirem as concessões.
A licitação deve ser lançada no segundo semestre.
Já em relação às vias comuns, a gestão Bruno Covas prevê recapeamento de 170 km, dos quais 50 km por parcerias com a iniciativa privada e 120 km com recursos próprios.
As possíveis parcerias devem prospectar R$ 50 milhões e dos cofres da prefeitura, serão R$ 163,2 milhões
No final de sua rápida passagem pela prefeitura, João Doria, que agora deve ser candidato ao governo do Estado de São Paulo escolheu o apelo de marketing do “Programa Asfalto Novo”, de recapeamento.
Mais de uma vez, a gestão Doria remanejou recursos milionários dos corredores de ônibus para o Asfalto Novo. Entre o programa e outros fins, os corredores perderam R$ 736 milhões sob o comando de Doria.
Relembre:
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes






Esses corredores paulistanos equivalem aos BRS cariocas?