Bombardier fala em “esforços” para implantar portas-plataformas na linha 5 Lilás. Governo do Estado pode romper contrato com empresa por descumprimento de prazos

Estação Moema começou a operar sem as portas de plataforma, nesta quinta-feira, 05 de abril de 2018

Equipamentos que deveriam ter sido instalados em 2014 ainda não foram colocados nas estações já em operação. Novas estações estão sendo inauguradas sem a proteção para os passageiros

ADAMO BAZANI

Nas últimas semanas de Geraldo Alckmin à frente do Governo do Estado de São Paulo, as inaugurações de estações e trechos do sistema metroferroviário têm se intensificado.

No sábado, 31 de março, o esperado trem para o Aeroporto em Guarulhos (que para entre 450 metros e 2,5 km do aeroporto dependendo do terminal de embarque) fez as primeiras viagens de testes.  É a linha 13 Jade da CPTM (estação Engenheiro Goulart – zona Leste de São Paulo / Estação Aeroporto – Guarulhos). Ontem, foi a vez de a Estação Oscar Freire, da linha 4 Amarela ser aberta, mesmo que com apenas um acesso. Hoje, o Alckmin inaugurou a estação Moema, da linha 5 Lilás.

O espaço é amplo, moderno, bem iluminado e tem acessibilidade.

Mas um tipo de equipamento considerado importante para a segurança dos passageiros não estava lá: as portas de plataforma, que fazem a separação entre a área onde ficam os usuários e os trilhos.

O equipamento não estava lá, mas deveria, segundo o Governo do Estado.

O mesmo tem ocorrido em quase todas as inaugurações das estações da Linha 5 Lilás.

O secretário de Transportes Metropolitanos Clodoaldo Pelissioni, como já mostrou o Diário do Transporte na manhã de hoje, responsabilizou a ausência à empresa Bombardier.

Pelissioni disse que, se a empresa Bombardier, responsável pela instalação dessas portas, não cumprir novo cronograma, poderá ter o contrato rescindido.

O secretário também afirmou que, em relação às estações da primeira fase da linha 5-Lilás, a partir de Capão Redondo até Adolfo Pinheiro, a Bombadier deveria ter entregue as portas-plataformas de cada uma das estações até 2014, o que não ocorreu. Por causa disso, a empresa já foi multada em R$ 48 milhões.

“As portas de plataforma estão incluídas no contrato com a Bombardier. Nós já temos quase R$ 50 milhões de multas aplicadas por atrasos nas portas de plataforma. Estamos cobrando toda semana, todos os meses, um cronograma para a implantação delas. Em dezembro, termina todo o trabalho de sistema de sinalização com a Bombardier. Se em dezembro não estiver com o novo cronograma e instalado novas portas de plataforma, vamos ter que rescindir o contrato e fazer um novo para poder instalar. Nós temos informação de que em Chácara Klabin e Santa Cruz nós poderemos ter as portas de plataforma por um subfornecedor da Bombardier. O que nós temos feito é cobrado e multado, cobrado e multado” — disse Pelissioni.

“No trecho que já estava pronto, [o prazo] era 2014 até o Largo Treze. Nas estações que estamos concluindo, era para entregar com a porta de plataforma. Só Brooklin está concluindo a instalação. Das novas, Adolfo Pinheiro foi instalado e Brooklin, portanto temos só duas no sistema inteiro. Provavelmente teremos na Chácara Klabin e Santa Cruz” — afirmou também o secretário. – Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2018/04/05/estacao-moema/

Ao Diário do Transporte, a Bombardier disse que tem feito “esforços” para instalar as portas, mas não informou prazos sobre a finalização dos trabalhos. A empresa deve tentar uma espécie de entendimento com o Metrô sobre as multas.

Mesmo questionada, a empresa não respondeu os motivos pelos quais atrasou a instalação dos equipamentos.

Segundo a Bombardier, não é possível responder diretamente às questões formuladas pela reportagem do Diário do Transporte por envolverem alguns aspectos de confidencialidade contratual.

Confira a nota:

“A Bombardier informa que todos os esforços necessários estão sendo aplicados à instalação das portas de plataforma no projeto da Linha 5 – Lilás do Metrô de São Paulo, de forma a entregar uma solução apropriada ao nosso cliente e à população da cidade de São Paulo. O Processo Administrativo relativo aos atrasos mencionados será respondido de acordo com o processo de Arbitragem de Disputas estabelecido no contrato com o Metrô de São Paulo, considerando que o escopo sob responsabilidade da Bombardier não inclui as obras civis e a integração dos demais subsistemas”

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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