Após fraudes, DF obriga biometria facial em todos os ônibus até 30 de abril

Foto: Blog Edgar Lisboa/DF

Suposto esquema de fraudes teria desviado em torno de R$ 1 bilhão do sistema, segundo Ministério Público

ADAMO BAZANI

As empresas de ônibus que atuam no Distrito Federal têm até o dia 30 de abril para concluírem a implantação do sistema de biometria facial para evitar fraudes nos transportes, principalmente no uso das gratuidades e do vale-transporte.

A determinação faz parte de uma portaria publicada no Diário Oficial do DF desta segunda-feira, 02 de abril de 2018, assinada pelo Secretário de Mobilidade, Fábio Ney Damasceno.

Segundo a secretaria, todos os veículos do sistema urbano já possuem as câmeras que captam as imagens dos passageiros com os benefícios e encaminham a computadores que comparam estas imagens com as fotos cadastradas no banco de dados da DFTrans. Faltam ainda veículos das linhas rurais e circulares.

Foi justamente nestas linhas que ocorreu, segundo o Ministério Público e a Polícia Civil do DF, um esquema de fraudes que teria movimentado R$ 1 bilhão desde 2014.

Na Operação Trickster, deflagrada em 15 de março de 2018, foram presos o auditor fiscal Pedro Jorge Brasil e a mulher, Hedvane Ferreira, além de permissionários dos transportes.

De acordo com as investigações, foram criados trabalhadores fantasmas em empresas de fachada e para eles foram emitidos vales-transportes com créditos.

Os cartões eram usados pela quadrilha de forma sequencial em ônibus do sistema em diferentes linhas.

Isso gerava receita para os transportadores com passageiros que na verdade não existiam.

Os pedidos de emissão de créditos em nome dos funcionários fantasmas geravam boletos que não pagos.

Segundo as investigações, era registrado o pagamento e os créditos liberados nos cartões, que depois eram usados nos ônibus e o dinheiro ia para os fraudadores e transportadores.

O MPDFT e a PCDF apuraram que devido à condição de auditor fiscal, Pedro Jorge Brasil tinha facilidade em criar funcionários falsos e vinculá-los a benefícios de vale-transporte.

A Secretaria de Mobilidade explicou, também na época, que atuou juntamente com a Polícia Civil para desmantelar o esquema.

Pedro Jorge Brasil já tinha sido preso em 5 de outubro de 2017, acusado de comandar um esquema de cobrança de propina aos permissionários das linhas rurais e circulares para relaxar as fiscalizações e liberar ônibus sem condições de operar.

Em 27 de outubro de 2017, o desembargador Waldir Leôncio Júnior, da 3ª Turma Criminal de Brasília, soltou Pedro Jorge Brasil alegando que a liberdade do auditor não traria risco à sociedade.

Mas não foi o que ocorreu na prática.

Ainda na noite de 27 de outubro de 2017, segundo as apurações da Polícia Civil, o auditor, que tinha uma senha da DFTrans (gerenciadora dos ônibus), acessou o sistema para continuar o esquema.

A secretaria diz que a senha não foi cancelada de início de propósito, justamente para pegar o auditor em flagrante.

Pedro nega das acusações.

A previsão era de que todos os ônibus tivessem o sistema até o final do ano passado, o que não foi cumprido pelas operadoras de transportes. Relembre matéria:

https://diariodotransporte.com.br/2017/02/20/sistema-de-transportes-do-distrito-federal-deve-ter-biometria-facial-ate-o-final-do-ano/

NOTA

A foto anteriormente usada, de um coletivo da COOTASPE era meramente ilustrativa e jamais o site ensejou ligação da entidade cooperativista ao suposto esquema noticiado. Por pedido extrajudicial desta cooperativa, o site trocou a imagem. No pedido, a defesa da COOTASPE alega que tal cooperativa não tem relação com os fatos noticiados e que já tem biometria na totalidade de sua frota.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

1 comentário em Após fraudes, DF obriga biometria facial em todos os ônibus até 30 de abril

  1. Vivemos em um Estado criminal. O câncer gerou metástases em todas as cidades, empresas, legislativos, forums, varas, secretarias.

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