CBTU decreta suspensão do ‘Vagão Rosa’ no Metrô do Recife

Foto: George Antony, Portal Metrorec

Sem vigilância, uso exclusivamente feminino passou a ser desrespeitado. CBTU alega que custo de vigilância inviabiliza o projeto

ALEXANDRE PELEGI

O Metrô do Recife decidiu suspender o projeto do Vagão Rosa.

O primeiro vagão exclusivo para mulheres entrou em fase de testes no dia 16 de janeiro de 2017. A medida foi adotada à época com o argumento de garantir mais segurança ao público feminino. O metrô transportava 400 mil usuários por dia, dos quais 38% eram mulheres.

A experiência fracassou, diante da ausência de fiscalização, agravada pelas más condições financeiras da Companhia Brasileira de Transportes Urbanos (CBTU), gerenciadora do serviço de metrô em cinco capitais do país.

Leonardo Beltrão, superintendente da Companhia de Trens Urbanos (CBTU) em Recife, afirmou que não há condições de manter a iniciativa da forma com que ela vinha sendo feita.

Logo em seu lançamento, o Vagão Rosa tinha adesivos de sinalização e contava com a presença de seguranças. Devido aos altos custos, os vigilantes deixaram os vagões, o que ocasionou um crescente desrespeito por parte do público masculino, que passou a usar o espaço determinado exclusivamente para as mulheres.

Agora a CBTU estuda alternativas para, no futuro, retomar o projeto. Ainda não há data para que isso ocorra.

Uma das ideias analisadas é a de separar as usuárias mulheres já nas plataformas, para garantir o acesso exclusivo ao Vagão Rosa.

O superintendente da CBTU em Recife alega que o custo para garantir que homens não entrem no vagão equivale a quase o mesmo valor gasto em toda a segurança do metrô da capital. Ele estima que o custo extra para fiscalizar os vagões de uso exclusivo para o público feminino seria de R$ 15 milhões. Somente o custo da folha de pagamento dos atuais seguranças é hoje de cerca de R$ 18 milhões.

“É um custo que não se justifica economicamente”, garante Leonardo. O dirigente acha mais importante para o metrô investir na melhoria de itens que são cobrados pela população, como ar-condicionado, elevadores e escadas.

O uso de vagões exclusivos no metrô para determinados públicos tem sido problema constante em várias capitais do país. No Metrô de São Paulo, por exemplo, o primeiro vagão é reservado para passageiros preferenciais no horário de pico. Mesmo com toda a sinalização indicando, o desrespeito dos demais usuários é evidente quando não há fiscalização presente.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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