EMTU: Frota mais velha, menos ônibus e queda no número de passageiros
Publicado em: 15 de março de 2018
Idade média dos ônibus subiu em todas as regiões metropolitanas do Estado de São Paulo. Média geral é de 6,71 anos. Nas regiões de Campinas, Sorocaba e São Paulo, os ônibus são os mais velhos
ADAMO BAZANI
Quem usa as linhas de responsabilidade da EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos está andando em ônibus mais velhos e tem menos veículos à disposição em todas as cinco regiões metropolitanas do Estado de São Paulo.
É o que mostra o relatório da administração da própria gestora do governo estadual publicado no Diário Oficial da última terça-feira, 13 de março de 2018.
Segundo os dados oficiais, nestas cinco regiões metropolitanas, a idade média da frota é de 6,71 anos. Acima, portanto, da média de cinco anos exigida na maior parte do sistema de ônibus do País.
Em todas as cinco regiões, a população está andando em ônibus mais velhos.
A Região Metropolitana de São Paulo teve, em 2017, frota com idade média de 7,05 anos. No ano de 2016, de acordo com dados da própria EMTU, a idade foi de 6,3 anos e, em 2015, foi de 5,6 anos.
Na região Metropolitana da Baixada Santista, a idade que era de 2,8 anos, em 2016, passou para 3,75 anos em 2017. É a única região do Estado de São Paulo cuja idade média de frota é inferior a cinco anos.
A região Metropolitana de Campinas possui a frota do sistema EMTU mais velha do Estado de São Paulo, 7,48 anos. Em 2016, era de 6,5 anos.
Na Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, a idade da frota passou de 5,2 anos, em 2016, para 5,6 anos, em 2017.
Os ônibus das linhas da EMTU na Região Metropolitana de Sorocaba tinham idade média de 6,4 anos em 2016, que passou para 7,17 anos, em 2017, de acordo com o relatório da administração.
ACESSIBILIDADE NÃO EVOLUIU:
O relatório ainda mostra que subiu pouco o total de ônibus acessíveis, indo de 4.513 em 2016 para 4.525 veículos nas regiões metropolitanas em 2017.
O número revela que em 2017, apenas 74,57% da frota das linhas da EMTU eram acessíveis. Na Capital Paulista, por exemplo, este percentual, segundo a SPTrans – São Paulo Transporte, é de 92,6% da frota de 14,3 mil ônibus.
A falta de equipamentos de acessibilidade nos ônibus revela a idade e as condições da frota. Por lei federal, a partir de outubro de 2008, todos os ônibus passaram a sair de fábrica com elevadores ou tinham rampas na configuração piso-baixo.
O decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004, determina que em dez anos a contar da publicação da lei, todos os ônibus dos sistemas urbanos e metropolitanos deveriam ser acessíveis. Por tanto, a determinação deveria ter sido obedecida a partir de 2014.
As empresas de ônibus em todo o País, para justificar em 2014 a falta de acessibilidade plena, usaram uma interpretação desta lei que abria uma brecha para a frota ser trocada ao final da vida útil.
Assim, levando em conta que a maior parte dos sistemas brasileiros admite ônibus com até dez anos, agora em 2018, todas as cidades do Brasil deveriam ter 100% de suas frotas acessíveis.
Mas, assim como em 2014, a lei não está sendo cumprida pelas empresas de ônibus e pelas gestoras públicas de transportes, como a EMTU.
Em 2018, ainda é possível encontrar ônibus circulando fabricados antes do ano de 2008.
MENOS ÔNIBUS:
Os passageiros que utilizam os ônibus das linhas geridas pela EMTU estão com menos veículos à disposição.
O relatório da administração mostra que a frota caiu. Em 2016, eram 6.204 ônibus e, em 2017, 6.068 ônibus. São 136 ônibus a menos.
PASSAGEIROS ESTÃO SAINDO DO SISTEMA DA EMTU:
Também é possível perceber pelo relatório oficial da EMTU que houve queda significativa no número de passageiros entre 2016, quando a demanda foi de 666,22 milhões de registros de passagens para 640 milhões, em 2017.
O relatório mostra, portanto, uma queda de 26,2 milhões de passageiros.
LICITAÇÕES NÃO SAEM:
Enquanto a frota está envelhecendo, a lei nacional sobre acessibilidade é descumprida e os passageiros estão deixando os ônibus, as licitações que poderiam amenizar parte destes problemas não avançam.
Em 2016, a EMTU deveria fazer novos contratos para os serviços nas 38 cidades da Grande São Paulo mais a capital. Mas por determinação do TCE – Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, após representações e de mais de 130 questionamentos, o certame está suspenso.
No ABC Paulista, a situação é pior. Os ônibus são mais velhos ainda e na região, correspondente à Área 5 da EMTU, por esvaziamento provocado pelos empresários, nunca foi feita uma licitação.
Os donos de empresas de ônibus do ABC acharam que o edital era muito exigente diante dos custos que têm para operar.
Nas outras quatro áreas da Grande São Paulo, foi realizada uma licitação em 2006, mas os contratos terminaram em 2016.
Em Campinas e em Sorocaba, no interior de São Paulo, também as empresas operam apenas por permissões e não por concessões.
RESPOSTA:
A reportagem do Diário do Transporte procurou na terça-feira pela manhã a EMTU para explicar o envelhecimento da frota dos ônibus nas linhas que gerencia, o pequeno avanço na acessibilidade e a perda de passageiros.
Na quarta-feira foi feita mais uma solicitação.
A gerenciadora estadual ainda não respondeu aos questionamentos e sequer informou prazo para as respostas até a publicação desta matéria.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes





Bom dia,
Infelizmente este é o reflexo de diversas repartições do governo que não cumprem o seu papel corretamente, bons tempos eram quando a EMBRATUR era responsável, e a cobrança e fiscalização era mais efetiva.
Por conta destes problemas entre estas repartições/órgãos públicos federais, os emprésários aproveitam e vão empurrando com a barriga até onde conseguem.
Veja o exemplo do Grupo Belarmino, em Campinas, muitos carros já estão vencidos e a EMTU e ARTESP fizeram o que nada.
IstoÉ uma vergonha as empresas lucrao quem sofre são os passageiros!!!!
Faltou citar que a perda de passageiros e causada e muito por corte de linhas deixando passageiro nao mao…nao colocando opçao a altura….trabalho na regiao da Berrini e o que mais de ve é carro com placa de outros municipios aos redores
Na verdade esta redução de passageiros começou com aquela lei idiota do Kassab quando prefeito com restrição a fretados em SP, a partir daí o empresariado vendo que podia pintar e bordar começaram a não mais renovar a frota e cortar várias linhas, deixando a população dentro dos carros que mais parecem gaiolas do que ônibus, me refiro a por exemplo aqui em Campinas e Valinhos carro metropolitano viale com duas portas passa na rua espremido de gente parecendo uma lata de sardinha, a maioria deles com a traseira baixa e frente empinada por causa do excesso de passageiros, e na maioria das vezes quando se quebra carro não existe carro reserva disponível.
Deveriam padronizar um tipo de carro para toda e qualquer linha central e outro tipo de carro para as regiões fora da região central, neste caso deve-se analisar a demanda da população usuária para verificar qual o modelo mais adequado.
Na verdade não entendo porque existem tantos orgãos para cuidar do transporte em São Paulo; Secretária de Transportes Metropolitanos, EMTU, Artesp. Deveriam unir-se e formar um único orgão. Falo isso pois minha locomoção diária para o trabalho, dependo destes 3 orgãos e os serviços prestados são RUINS. A EMTU tem muita propaganda, mas deixa a desejar nos serviços prestados aos usuários. Os problemas são os mesmos mencionados pelos amigos acima.