Apoiadas em lei de 2012, empresas retiram cobradores de 36 linhas de ônibus em Belo Horizonte

BHTrans afirma que inúmeras cidades do Brasil e do mundo já operam sem agente de bordo. Desde janeiro deste ano algumas linhas do Move já operam com veículos sem cobrador

ALEXANDRE PELEGI

Belo Horizonte terá ao menos 36 linhas de ônibus sem cobradores em período integral.

A retirada dos cobradores começou em janeiro deste ano, e tem se intensificado nas últimas semanas.

As 36 linhas que passarão a operar apenas com o motorista do coletivo são, em sua maioria, do Move (sistema BRT) e micro-ônibus.

A informação é do jornal O Tempo, de Contagem (MG), que teve acesso a um documento da BHTrans, empresa municipal que gerencia o transporte público na capital de Minas.

O Sindicato dos Rodoviários de Belo Horizonte e Região informa que boa parte das linhas convencionais da capital já opera sem cobrador no período noturno a partir das 20h30, e alega que isso sobrecarrega o motorista.

Já o SetraBH, sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH), justifica que a retirada dos cobradores se dá por causa da queda no movimento. A entidade patronal alega ainda que a legislação permite que as 36 linhas possam operar sem agente de bordo.

A lei em que se ampara o SetraBH, de número 10.526/2012, alterou legislação de 2001 para atender especificamente o sistema Move, que opera em pistas exclusivas com pré-embarque. Ou seja, os usuários já entram no veículo com a passagem paga.

Logo em seu 1º parágrafo, a Lei especifica as situações em que as empresas podem retirar os cobradores de determinadas linhas. Leia:

  • 1º – Cada veículo destinado aos serviços de transporte público coletivo e convencional de passageiros por ônibus do Município de Belo Horizonte será operado por um motorista e um agente de bordo, à exceção dos veículos das linhas troncais do sistema de Bus Rapid Transit – BRT, dos veículos em operação em horário noturno e nos domingos e feriados, e dos veículos dos serviços especiais caracterizados como executivos, turísticos ou miniônibus.”.

Questionada pelo jornal, a BHTrans afirma que “inúmeras cidades do Brasil e do mundo já operam sem agente de bordo” e que 75% das passagens em Belo Horizonte são pagas com cartão.

Desde janeiro deste ano algumas linhas do Move operam com ônibus sem cobrador. Essa situação ocorria somente aos domingos e feriados, e passou a ser norma nos dias úteis. Tanto a BHTrans como o sindicato das empresas garantiram na época que a medida tem amparo legal, referindo-se diretamente à Lei 10.526. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/01/17/linhas-troncais-do-move-de-bh-circulam-sem-cobradores/

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

2 comentários em Apoiadas em lei de 2012, empresas retiram cobradores de 36 linhas de ônibus em Belo Horizonte

  1. Diogo Magalhães // 12 de março de 2018 às 16:27 // Responder

    Em Goiânia e região metropolitana não tem cobrador desde 2002 , inclusive salvo engano foi a primeira capital e região metropolitana a ter 100% de ônibus sem cobradores , os sindicatos alegam que vai desempregar muitas pessoas , mas em relação a um se não o principal problema do transporte coletivo que é a segurança , se não resolve por completo , a ausência do cobrador ameniza e muito o problema , em Goiânia mesmo reduziu e muito o número de assaltos a ônibus , não tô dizendo que aqui e as mil maravilhas , mas se compararmos quando tínhamos cobradores , poderia ser muito pior se tivéssemos o cobrador.

  2. Concordo com vc Diogo Magalhães.

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