TCE/RS quer saber se suspensão do projeto de aeromóvel em Canoas gera prejuízo

Carros do Aeromóvel terão carroceria fornecida pela Marcopolo, com design inspirado no ônibus Viale

Governo do Estado reivindica jurisdição da obra cujo projeto foi lançado pela prefeitura

ADAMO BAZANI

O Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul –  TCE/RS entrou na polêmica referente à interrupção da implantação do sistema de aeromóvel em Canoas.

O projeto do modal foi interrompido na última semana pelo prefeito de Canoas, Luiz Carlos Busato, após ter recebido um ofício da Metroplan, a empresa de planejamento do Estado, reivindicando a responsabilidade pelo sistema.

O Governo do Estado diz que deve ter jurisdição sobre a obra pelo fato de a rede municipal ter ligação com o metrô da Trensurb, tendo impacto na rede metropolitana. O poder estadual também nega autorização para a obra por alegar que o sistema não terá viabilidade técnica e financeira, mas a empresa Aeromóvel Brasil, responsável pelos veículos e pelo sistema para a operação, contesta.

O TCE/RS analisa as duas versões apresentadas: a da prefeitura juntamente com a Aeromóvel Brasil em prol do modal, e a do Governo do Estado, contra.

O órgão fiscalizador de contas verifica se a interrupção causará prejuízos aos cofres públicos.

De um total de R$ 272 milhões financiados pela Caixa Econômica Federal, R$ 64 milhões já foram utilizados no projeto.

Se a equipe técnica do TCE/RS constatar prejuízos aos cofres públicos com a interrupção, pode ser determinada pelo órgão por meio de medida cautelar o reinício imediato.

Mas, se o TCE/RS indicar que a suspensão é necessária, vai continuar acompanhando os entendimentos entre prefeitura e Governo do Estado.

Não há previsão para a conclusão da análise.

A prefeitura de Canoas já estuda a possibilidade de usar esta verba liberada pela Caixa para melhorar os serviços de ônibus na cidade.

AEROMÓVEL DE CANOAS:

O projeto do aeromóvel de Canoas contempla três linhas em dois eixos e uma extensão.

“O Sistema Aeromóvel terá 18 km de linhas, com 26 estações e capacidade prevista para até 12 mil passageiros por hora no pico e de 82 mil por dia.” – diz a prefeitura.

Os eixos são os seguintes:

Leste-Oeste – ligará os bairros Mathias Velho e Guajuviras, integrada com o trensurb. Haverá 17 estações distribuídas em 12 km de extensão.

Norte-Centro – entre a Ulbra e o Centro da cidade, integrando com a linha Leste-Oeste na estação Farroupilha. Terá nove estações ao longo de seis km.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

 

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Comentários

Comentários

  1. Claudio disse:

    Mais uma vez a interferência do estado prejudica as tentativas de melhorias nos sistemas de transporte público.

  2. Esta sistema de transporte pelo AEROMOVEL seria a melhor opção para a maioria da cidades brasileira. Por ser uma criação brasileira o Brasil não faz e o mundo pergunta por que num pais com tanto problema de transporte não faz a sua criação. Se as nossas grandes cidades entendem que a melhor forma de ter transporte publico compatível com a organização urbana e isto se faz pela frequência de linhas uma rede e não com linhas de grande capacidade de carregamento de pessoas, pois estas deformam a cidade.

  3. joao oliveira disse:

    Uma lástima a postura de intervir e cancelar o projeto. E ainda cogitar transferir a verba para o transporte de ônibus, sempre envolto em suspeitas de cartelização é mais lamentável ainda.

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