Resege rendeu à EMTU, R$ 33,9 milhões em 2017

Quanto mais básico o ônibus, melhor para o empresário

Taxa de gerenciamento é mais alta para ônibus melhores, o que é visto como distorção pelas viações. EMTU diz que compra de ônibus novos é considerada na tarifa e o fator que diferencia o valor da Resege é a capacidade de passageiros de cada ônibus

ADAMO BAZANI

A EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, que gerencia as linhas de ônibus intermunicipais das regiões metropolitanas do Estado de São Paulo recebeu R$ 33,9 milhões no ano passado por meio da Resege – Receita dos Serviços de Gerenciamento e Fiscalização, que é uma espécie de taxa de gerenciamento que cobra das companhias de ônibus.

O valor acaba sendo contabilizado nas tarifas que os passageiros pagam.

O dado é da Secretaria de Transportes Metropolitanos e foi obtido pela reportagem do Diário do Transporte por meio da Lei de Acesso à Informação. O total e se refere à cobrança feita de todas as permissionárias das linhas que não são regidas por concessão, como ocorre com a Área 5, da EMTU, correspondente ao ABC Paulista, que nunca foi licitada na história.

O dinheiro deve ser usado para manter a fiscalização dos serviços, inspeção nos ônibus, realização do IQT – Índice de Qualidade do Transporte, planejamento de linhas, entre outras atribuições da EMTU.

OS R$ 33,9 milhões representaram em média, 3,86% da receita apurada em 2017 pelas empresas das regiões onde a taxa foi aplicada.

Em 15 de janeiro deste ano, o Diário do Transporte revelou que quanto melhor for o padrão do ônibus, mais alta é a taxa cobrada, o que na visão dos donos de viações acaba sendo um desestímulo para a implantação de modelos melhores nas linhas que suportam veículos com mais recursos e configurações de conforto ao passageiro.

No início do ano, quando houve aumento na tarifa de ônibus, também foi ampliado o valor do Resege.

No ABC, por exemplo, a empresa que coloca um ônibus de piso baixo, três portas, motor traseiro e ar-condicionado, tem de pagar por veículo, R$ 1.187,43 mensalmente de Resege. Se colocar um ônibus com degraus comuns, sem ar e motor na frente, pagará R$ 1.054,41.

Se o ônibus fosse articulado, o valor saltapara R$ 2.357,79.

“Só a EMTU cobra taxa de gerenciamento pelo modelo de ônibus. Isso é uma distorção. Em outros sistemas, como SPTrans, na cidade de São Paulo, é sobre a receita apurada. Agora, esta questão de [a Resege] estar embutida na tarifa é outa distorção. O empresário que colocar ônibus básico e padron vai ter na prática a mesma tarifa, então, prá que pagar mais com ônibus melhor? Que estímulo?” – disse um gerente de empresa que pediu para não ser identificado.

Relembre a matéria:

https://diariodotransporte.com.br/2018/01/15/resege-emtu-quanto-melhor-o-onibus-mais-caro-as-viacoes-pagam/

EMTU DIZ QUE EQUIPAMENTOS EMBARCADOS NÃO ALTERAM VALOR DA RESEGE:

Em nota, a EMTU diz que independentemente dos equipamentos embarcados em cada tipo de ônibus, como ar-condicionado e wi-fi, o valor cobrado da Resege é o mesmo. O que diferencia é a tecnologia de acordo com a capacidade de transporte de cada ônibus. A gerenciadora contestou ainda declaração de gerente de empresa de ônibus sobre uma suposta falta de incentivo, com a taxa, para a colocação de modelos melhores, já que, segundo a EMTU, a compra de ônibus novos é um item que compõe a tarifa.

Em relação ao texto publicado no Diário do Transporte com o título “Resege rendeu à EMTU R$ 33,9 milhões em 2017”, a EMTU/SP esclarece que o valor do Resege varia de acordo com a tecnologia veicular, considerando a capacidade de transporte de passageiros, e independe dos equipamentos como  ar condicionado, wi fi, motor traseiro, câmbio automático, entre outros. Esses acessórios podem constar nos ônibus comuns, sem alterar o valor do Resege, caso o empresário tenha a preocupação de proporcionar aos seus usuários mais conforto nas viagens nas linhas metropolitanas sob sua responsabilidade.

O texto omite outros trabalhos realizados por esta gerenciadora – conforme informado anteriormente, a EMTU é sim responsável pelo planejamento e fiscalização da operação das linhas e da frota do sistema regular das cinco regiões metropolitanas do Estado de São Paulo  e que, convém citar, envolvem  cerca de 900 linhas que transportam em torno de 50 milhões de passageiros por mês, quase dois milhões por dia, além da inspeção realizada no serviço de fretamento que somam 20 mil veículos.

Mas há outras atividades, também essenciais, exercidas por esta empresa para manter a qualidade e eficiência do serviço oferecido, como fiscalização e combate ao transporte clandestino, pesquisas Origem-Destino, programa de Índice de Qualidade do Transporte – IQT, Programa Conscientizar voltado para o controle de emissão dos ônibus, manutenção e operação dos Centros de Atendimento aos Passageiros Especiais, gestão do Serviço Especial LIGADO que transporta estudantes com deficiência nas Regiões Metropolitanas de São Paulo e Campinas, entre outros.

E por fim, é incorreta a afirmação do gerente da empresa operadora, não identificado no texto, sobre não ser interessante colocar em operação ônibus que ofereçam mais conforto aos passageiros, pois a aquisição de veículos novos no transporte metropolitano é considerada na composição da tarifa.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Roberto Carlos Camargo disse:

    Aí vem a pergunta : o que a EMTU faz com essa arrecadação? Nada pois a frota de muitas empresas estão verdadeiras sucatas sobre rodas, serviços cada dia pior é tai a resposta do porque não há melhorar nas frotas EMTU. Enquanto isso o passageiro se tornou refém dos monopólios e falta de transparência da EMTU. As reclamações dos usuários são burocratiradas, o telefone 0800 5524 8000 nunca funciona pois foi feito pra não atender reclamação o site é mais propaganda do Bom e de governo e agora isso. Quanto pior melhor para empresas e o usuário que se vire. Já passou da hora do ministério público fazer uma boa investigação. Isso é o desabafo de um usuário do sistema EMTU é que por acaso também é Busólogo.

  2. Manuel disse:

    Região dos Pimentas Guarulhos que o diga, ônibus velhos, atrasos, horários prolongados, chapéu nos pontos, etc…..
    Obrigado EMTU, pelos serviços prestados em nossa região!

  3. Paulo Roberto Postigo de Oliveira Bittencourt disse:

    Fato meu caro!!! A EMTU e o governo do Estado de São Paulo não assumem e nem tomam nenhuma providência quanto suas linhas. É duro ver o total abandono da área 5 no ABC, ônibus velhos e sucateados e a nova aqui para a região é a aquisição de ônibus velhos comprados ou repassados de outras linhas, isso demonstra o total descaso do Sr governador e da EMTU

  4. Marcelo disse:

    Se cobrassem R$ 500,00 por qualquer ônibus e arrecadassem 10 milhões já não tava bom EMTU ? E assim daria para cobrar as empresas para prestarem um serviço melhor que realmente é o papel de vocês que é fiscalizar e não arrecadar.
    Agora a empresa com essas taxas desproporcionais vai investir em carros pequenos e sem conforto pois paga menos essa tal de RESEGE..

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