Ônibus de fretamento se destacam em linhas regulares durante feriado de Carnaval

Ônibus de fretamento em linha regular saindo do Terminal Rodoviário do Tietê nesta segunda-feira, 12 – CLIQUE NA FOTO PARA AMPLIAR

Tem sido cada vez mais comum prática de grandes empresas alugarem veículos para demanda extra. Entretanto, baixo valor pago por viações tem feito fretados repensarem este mercado

ADAMO BAZANI

A prática não é nova, mas de cinco anos para cá ganha cada vez mais força: o aluguel de ônibus de companhias de fretamento por grandes e médias empresas que operam linhas regulares rodoviárias.

A lógica é simples, unir oferta e demanda.

Como em temporadas, a exemplo de Carnaval ou férias escolares, a demanda é mais alta pelas linhas rodoviárias, havendo uma quantidade superior de passageiros que em dias comuns, estas linhas precisam ter uma frota maior.

Entretanto, como esta frota é para uma demanda bem superior à exigida pela média de movimento do ano, se a empresa tivesse todos estes ônibus, na maior parte do tempo, estes veículos extras ficariam parados nas garagens, representando custo.

Além disso, como ficariam os contratos com os motoristas destes ônibus?

Afinal, seriam profissionais sem trabalho destinado na empresa ao longo de um ano.

De outro lado, há empresas de fretamento com ônibus e profissionais para oferecer.

O Diário do Transporte esteve nesta segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018, no Terminal Rodoviário do Tietê, o maior da América Latina, e viu vários ônibus de empresas de fretamento fazendo linhas regulares.

Ônibus da Line Tour a serviço da Reunidas Paulista, titular da linha

Havia veículos para diversas companhias, por causa da maior demanda, e para a Viação Kaissara, do Grupo da Itapemirim, que desde o final do ano passado tem alugado ônibus de companhias de turismo e fretamento porque ainda não tem veículos suficientes para atender toda a demanda comum, principalmente depois da devolução de 175 ônibus ao Grupo JSL – Júlio Simões Logística por não pagamento em dia do contrato de locação destes veículos. O caso foi parar, inclusive, na Justiça.

Ônibus da Premium alugado pela Kaissara, do Grupo Itapemirim, que teve de optar por empresas de fretamento após ter de devolver veículos de contrato de locação com a JSL

Em geral, os ônibus de empresas de fretamento são do mesmo padrão, mas podem até mesmo ser superior aos veículos que seriam colocados nas linhas pela empresa concessionária.

O aspecto destes veículos fretados observados no Terminal Tietê nesta segunda-feira não fica para trás em relação às empresas de linhas regulares: limpeza, pintura bem conservada, detalhes como rodas de alumínio bem polidas, e a tripulação bem trajada chamaram a atenção.

VIAÇÕES PAGAM MAL:

Se por um lado, é um mercado que permite movimentar as frotas e mão de obra de empresas de ônibus de fretamento, um dos segmentos de transportes de passageiros mais afetados pela crise econômica, nem sempre a remuneração é um consenso entre fretados e regulares de linhas.

O Diário do Transporte ouviu representantes de empresas de fretamento que disseram que, na maior parte das vezes, as viações “pagam pouco” por quilômetro rodado.

Os valores variam, mas ficam entre R$ 3,80 e R$ 4,20 por km.

Num aluguel de ônibus para grupos de turismo e religiosos, por exemplo, os valores podem ser R$ 2 mais altos por quilômetro em comparação com o que é pago pelas empresas regulares.

EXIGÊNCIAS:

Os ônibus fretados que fazem linhas regulares devem seguir as mesmas exigências impostas à empresa que alugou o veículo, como idade, categoria e padrão de conforto.

Os órgãos reguladores, como ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres (linhas interestaduais e internacionais), e as agências e departamentos que cuidam das linhas intermunicipais em cada estado, devem fazer uma inspeção nos veículos alugados para liberar ao serviço.

Todo o aluguel deve ser autorizado pelos órgãos reguladores.

TUDO EM CASA:

Ônibus da Piracicabana de fretamento sendo usado em linha regular

Também é possível identificar que, em vários casos, uma mesma empresa possui veículos de fretamento e opera linhas regulares. Nas altas demandas de temporada, é comum que estas companhias desloquem seus veículos de fretamento para as linhas. Muitas vezes, o nome da empresa é o mesmo, mas há detalhes diferentes na pintura, como, por exemplo, ocorre com a Viação Piracicabana (Grupo Comporte) e Viação Cometa (Grupo JCA).

Há também empresas diferentes, mas que pertencem ao mesmo grupo e que “cedem” os veículos para as linhas regulares, como a LiraBus e a VB, do grupo do empresário Belarmino de Ascenção Marta.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

3 comentários em Ônibus de fretamento se destacam em linhas regulares durante feriado de Carnaval

  1. Muito interessante esse tema!

  2. Amigos, boa noite.

    Há algum anos atrás não víamos a utilização de fretados em linhas regulares, salvo engano meu.

    É uma questão para ser analisada com mais elementos e detalhes.

    Será que os órgãos reguladores conseguem fazer uma inspeção nos veículos alugados para liberar ao serviço ????

    Sem contar que é mais uma borrocracia inútil, pois se já são cadastrados…

    Mais uma vez o EFEITO BARSIL.

    Sinceramente achei o valor do aluguel muiiito baixo, afinal colocar para rodar um capital de R$ 500.000,00 a mais de R$ 1 milhão; penso que não vale o risco a R$ 3,80 a R$ 4,20/Km rodado.

    Aonde está o milagre do lucro ???

    Att,

    Paulo Gil

  3. Vamos tentar explicar: “Ônibus de fretamento se destacam em linhas regulares durante feriado de Carnaval ” Esta situação ocorre devido ao desequilíbrio do sistema de transporte rodoviário que desde a década de 90 sistematicamente vem se concentrando em apenas 3 ou 4 Grupos Administrativos de Empresas de ônibus. Muitas empresas foram extintas ou passaram por um processo de fusão e linhas regulares deixaram de existir , remanejamento de linhas e também devido a estas situações citadas as empresas venderam os ônibus que passaram a sobrar nas garagens Eu me lembro que na década de 80 na linha Araraquara a São Paulo eram 20 partidas diárias hoje em dias normais apenas 15 partidas. Também leva se em conta a crise econômica, pois o cidadão agora programa suas viagens para os feriadões . como eu disse : antigamente tínhamos mais empresas década de 80 linhas rodoviárias eram mais distribuídas, na atualidade numero de empresas é menor, linhas rodoviárias com varias seções utilizando um mesmo veiculo. é claro que na alta demanda faltará ônibus.

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