Metrobus muda proposta de consórcio com iniciativa privada, mas Ministério Público de Goiás continua sendo contrário

Expansão para região metropolitana sem mais receita é apontada como um dos fatores da crise da Metrobus

Viação Reunidas, pela nova proposta, deixaria de ter poder de decisão em união com empresa pública

ADAMO BAZANI

A Metrobus, empresa pública de transportes de Goiás, mudou alguns termos da proposta de formação de consórcio com a iniciativa privada, mesmo assim, ainda não conseguiu a concordância do Ministério Público do Estado.

A medida é apontada pela companhia que opera o Eixo Anhanguera, a principal rota de transporte público de massa na capital e região metropolitana, como a única maneira de resolver a situação financeira e evitar que a população deixe de ser atendida, já que há risco de a empresa pública não conseguir mais continuar operando. Por mês, a Metrobus tem acumulado prejuízos de R$ 2 milhões. Relembre matéria:

https://diariodotransporte.com.br/2018/01/11/para-se-manter-publica-metrobus-deve-se-associar-a-viacoes-privadas-em-goias/

Uma das cláusulas para a formação do consórcio que foi modificada, após críticas do Ministério Público, é a que concedia à Viação Reunidas, que seria a empresa líder, poder de voto de decisão e a nomeação do presidente do Conselho Deliberativo, responsável por tomar empréstimos e decidir sobre as compras e vendas de insumos e patrimônio.

No entendimento da promotora Fabiana Zamalloa, este quesito na prática submeteria a empresa pública à iniciativa privada.

Agora, com a nova proposta, a Metrobus teria maioria no Conselho Deliberativo e todos os bens adquiridos seriam de posse do consórcio e não da empresa líder.

Os bens da Metrobus não serão mais revertidos à Reunidas, como previa o primeiro modelo de consórcio proposto.

Para a promotoria, este termo representaria uma privatização velada.

O Ministério Público, porém, ainda vê o que considera ilegalidades na formação do Consórcio.

Por exemplo, a contratação dos funcionários não seria mais por concursos e seleção, mas como é hoje pela iniciativa privada, com critérios livres.  O MP considera que esta forma não pode se aplicar à associação porque uma das empresas integrantes é pública.

Ainda há dúvidas também sobre o retorno financeiro e o que de fato faria a Reunidas no Consórcio.

A empresa privada deve atuar mais na gestão do consórcio que na operação do Eixo.

A Reunidas atuaria na manutenção dos ônibus, compra de peças e combustível, além da contratação de funcionários.

A estimativa é que com a formação do Consórcio, os prejuízos mensais caiam num primeiro momento dos atuais R$ 2 milhões por mês para R$ 1 milhão.

Entre os fatores apontados pela Metrobus para o déficit estão o aumento do diesel no ano de 2017, os reajustes salarias acumulados acima da inflação e principalmente o crescimento da quilometragem rodada sem aumento proporcional das receitas.

O Eixo Anhanguera foi expandido na região metropolitana: A partir do Terminal Padre Pelá­gio, no lado Oeste, o trajeto passou a contar com mais 16 quilômetros até o município de Trindade.

Já entre a capital Goiânia e o município de Goianira, foram mais 19 quilômetro pela rodovia GO-070, formando o lado Noroeste do eixo.

No extremo do Leste, foram implantados mais de 15 quilômetros de faixas e corredores entre Goiânia e Senador Canedo.

O Eixo Anhanguera hoje tem 64 quilômetros no total.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

4 comentários em Metrobus muda proposta de consórcio com iniciativa privada, mas Ministério Público de Goiás continua sendo contrário

  1. Amigos, boa dia.

    Uma solução simples a lá Paulo Gil

    Ao invés de ficar acumulando prejuízos de 2 milhões fora outras consequência negativas, provando a incompetência do puuuuuuuuuuuuuuuder, faz o seguinte:

    Se livra logo dessa bomba e doa toda a Metrobus para a Reunidas ou para quem quiser essa bomba contábil.

    Se ninguém quiser fecha logo, afinal o contribuinte não é obrigado a custear essa insanidade.

    MP, mude sua visão, pense matematicamente e não filosoficamente.

    Afinal o maior interese público é que o contribuinte não custei prejuízo e incompetência administrativa.

    Precisamos de providência concretas e não filosóficas jurídicas.

    Att,

    Paulo Gil

  2. Como é triste a situação do transporte público em Goiânia…

  3. O máximo que pode acontecer , é a Metrobus anoitecer e não amanhecer , e aí graças ao MP estadual que não entende ou não quer entender que a Metrobus está a beira de um colapso operacional por falta de dinheiro , vai ficar meio mundo de gente apé , e não será só as linhas da Metrobus que serão afetadas , provavelmente as linhas alimentadoras do eixo e das extensões tbm ficaram sem ônibus , uma vez que sem os ônibus da Metrobus , as outras empresas tbm irão deixar os veículos nas garagens com medo de haver quebra-quebra , abre o olho MP .

  4. Wanderson Jose Gomes // 18 de fevereiro de 2018 às 13:44 // Responder

    MPGO, a própria Metrobus está irregular no sistema desde 2011 quando foi firmado um contrato de concessão sem a devida licitação, agora só por causa de um simples contrato de consórcio, onde visa tão somente a melhoria do complexo metropolitano anhanguera vcs ficam no pé. Deixa qualquer empresa de transporte coletivo particular do país tomar conta disso, os governos só usam essa empresa para fins políticos mesmo. Pau que nasce torto morre torto.

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