Empresas de ônibus de Maceió querem 15% de reajuste; perda de passageiros seria um dos motivos

Foto: Pei Fon / Secom Maceió

Se o pedido for atendido pela prefeitura da capital alagoana, o valor da passagem passará dos atuais R$ 3,50 para R$ 4,02

Alexandre Pelegi

A perda de passageiros no sistema de ônibus municipais de Maceió, ampliada pela clandestinidade, juntou-se à elevação dos tributos para justificar o pedido dos empresários de transporte coletivo de um aumento tarifário de 15%. Se o pedido for atendido pela prefeitura, o valor da passagem passará dos atuais R$ 3,50 para R$ 4,02.

O pedido de aumento na tarifa foi protocolado pelo Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros de Maceió (Sinturb) no início de janeiro. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/01/05/empresas-de-onibus-de-maceio-protocolam-pedido-de-reajuste-na-tarifa-dos-onibus-municipais/

Em coletiva à imprensa nesta quinta-feira, o advogado Fernando Paiva, em nome do Sindicato das Empresas – Sinturb, ressaltou que o contrato das empresas com a prefeitura prevê aumentos anuais na tarifa, dentro das ações do Sistema de Integração Temporal.

O aumento solicitado pelas empresas, de acordo com Fernando Paiva, antes mesmo das justificativas econômicas, que provocam desequilíbrio no contrato, decorre também de cláusula que consta no contrato de concessão. Mesmo que não houvesse fatos extraordinários, como aumento de custos operacionais, o contrato de concessão já define o reajuste anual segundo o índice da inflação.

Em 2017 o reajuste tarifário foi realizado em março, com “67 dias a menos de reajuste”, segundo lembrou o representante dos empresários.

Além dos tributos e do transporte clandestino, que rouba passageiros dos ônibus regulares, há ainda a variação do preço do óleo diesel. Com um custo hoje, em média, de R$ 3,06, as empresas alegam que no período o aumento atingiu 25%. A capital Maceió não tem qualquer forma de isenção ou benefício fiscal para o combustível, nem políticas de subsídio.

Quanto à perda de passageiros no sistema, as empresas de ônibus da capital de Alagoas dão números ao problema: do número esperado para 2017, cerca de 7,2 milhões de passageiros transportadas, passaram pelas catracas dos ônibus 5 milhões, queda de 17%. Pelos cálculos das empresas essa redução no número de passageiros transportados gerou um prejuízo de R$ 4 milhões.

O representante dos empresários afirmou, na coletiva, que existe uma grande clandestinidade no transporte em Maceió. “Temos táxi-lotação, vans clandestinas, mototáxis que circulam sem recolher tributos. Além disso, temos o projeto Domingo é Meia, a meia-entrada para os estudantes. Isso faz com que o pleito do reajuste seja na ordem de 15%”.

Por conta da perda de passageiros, graças em grande parte ao transporte irregular, e o aumento do combustível, o índice pedido pelas empresas atingiu 15% de reajuste. Caso tais fatores não existissem, eles alegam, o reajuste técnico previsto no contrato da licitação seria o correto e normal: apenas a inflação no período, o que significaria 3% de aumento na tarifa.

EM NOEMBRO DE 2017, SINTURB JÁ DIVULGAVA PERDA DE PASSAGEIROS

Os ônibus que fazem o transporte urbano de passageiros em Maceió estão carregando menos passageiros. Era o que informavam os dados divulgados em 16 de novembro de 2017 pelo Sindicato que reúne as empresas do setor. Segundo o Sinturb, em 2017, até a data, tinham sido transportados menos de 630 mil passageiros. Era a maior queda desde 2015, e os empresários já acusavam: o grande culpado era o transporte clandestino de passageiros.

Por meio de sua assessoria, a entidade se manifestou afirmando que “as pessoas ainda precisam do transporte, pagam por ele, mas da forma errada. O dinheiro vai parar na mão dos irregulares”.

O relatório revelava que, em 2016, as empresas de coletivos urbanos transportaram 6.439.737 passageiros em Maceió.

Na comparação com o mesmo período de 2017, o relatório do Sinturb estimava em 10% a redução do número de passageiros pagantes.

Desde o ano de 2015, ano seguinte ao que ocorreu a licitação das empresas que operam como fornecedoras dos serviços de transporte coletivo – Cidade de Maceió, São Francisco, Real Alagoas e Veleiro –, o setor vem amargando queda de 17% na quantidade de usuários pagantes.

Antes do processo licitatório, em 2014, as empresas atendiam 6.986.300 passageiros ao mês, alcançando  a marca de sete milhões de passageiros nos meses de julho a dezembro daquele ano.

A perda de passageiros teria ocorrido, segundo o Sinturb, à migração dos usuários para o transporte clandestino. Nessa categoria estariam os táxis e veículos que fazem lotação clandestinamente, além dos serviços de transporte oferecidos por meio de aplicativos.

O Sinturb já adiantava, na época, que os resultados apresentados iriam influenciar no reajuste da tarifa dos coletivos em 2018.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

1 comentário em Empresas de ônibus de Maceió querem 15% de reajuste; perda de passageiros seria um dos motivos

  1. Amigos, boa noite.

    Se cai a demanda, trabalhe para aumentar.

    Se for assim todo empresário brasileiro tem direito a um subsídio ou aumento, afinal em todos os ramos de atividade houve queda na demanda.

    Simplesmente, INDEFERIDO.

    É muita moleza né.

    Assim até eu que sou mais bobinho vou pra frente.

    MUDA BARSIL

    Att,

    Paulo Gil

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