Após leilão do Trecho Norte do Rodanel, Alckmin confirma que obra terá novo atraso

A Ecorodovias, que venceu o leilão realizado nesta quarta-feira (10), só assumirá a operação dos subtrechos após a conclusão de cada obra

ALEXANDRE PELEGI

Nesta quarta-feira (10), logo após o leilão do Trecho Norte do Rodoanel vencido pela Ecorodovias Infraestrutura e Logística Ltda, o governador paulista Geraldo Alckmin admitiu que a obra terá novo atraso. A entrega da primeira parte, segundo Alckmin, foi adiada novamente, de março para julho.

O governador confirmou também que a abertura da segunda parte foi postergada de agosto para dezembro de 2018.

O Trecho Norte do Rodoanel, num total de 47 km, vai conectar as rodovias Fernão Dias e Presidente Dutra. Relembre aqui o leilão desta quarta-feira (10):

https://diariodotransporte.com.br/2018/01/10/ecorodovias-vence-leilao-do-trecho-norte-do-rodoanel-com-lance-de-r-883-milhoes/

O leilão, vencido pela Ecorodovias, não implica que o consórcio assumirá a operação do Trecho Norte ainda em 2018. A operação dos subtrechos será transferida apenas após a conclusão de cada obra.

O que Alkmin confirmou ontem após o leilão, a Dersa, empresa do governo paulista responsável pelas obras, já anunciara antes: que a ligação do Trecho Oeste à rodovia Fernão Dias, da primeira parte do Rodoanel, estaria concluída até o mês de julho; e que o restante da obra deverá ser entregue em dezembro de 2018. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/01/09/trecho-norte-do-rodoanel-vai-a-leilao-nesta-quarta-feira-10/

SEGUIDOS ADIAMENTOS

O Trecho Norte, cuja obra começou em 2013, fora prometido para março de 2016. Com o atraso informado nesta quarta-feira por Alckmin, serão 5 anos entre o previsto e o realizado.

Assim como os prazos foram sendo alargados, o custo da obra também cresceu cerca de 30% sobre o orçamento inicial. Com isso, o Trecho Norte atingirá o valor de R$ 9,7 bilhões.

Este valor torna o Trecho Norte do Rodoanel a parte mais cara dentre as quatro alças da obra completa, mesmo sendo o que terá menor utilização. Os dados são da própria Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). Segundo a Agência paulista, a estimativa é que o trecho receba uma média de 20 mil veículos/dia, o que corresponde a 20% do fluxo do trecho oeste (95,7 mil), inaugurado em 2002.

Por todo o Rodoanel serão, em média, 192,2 mil veículos/dia – só nos 47 quilômetros das Marginais Pinheiros e Tietê, circulam mais de um milhão de veículos./dia

EXPLICANDO O ATRASO

A justificativa para o novo atraso, segundo Alckmin, remete a problemas causados por processos de desapropriação de áreas em Arujá e Guarulhos, somados à falta de repasse de recursos do governo federal.

Na declaração dada à imprensa ontem, Alckmin informou que o governo de SP está tocando a obra praticamente sozinho. Ele explicou que o financiamento previsto para a execução da construção do trecho Norte é composto por um terço de verbas federais (da época do governo Fernando Henrique), e dois terços de verbas do orçamento do Estado.

Ele afirmou que o Estado investiu R$ 1,5 bilhão em 2017, ao passo que o governo federal, com R$ 620 milhões alocados no orçamento de 2017, liberou no ano apenas R$ 154 milhões, a quarta parte do dinheiro.

A declaração de Alckmin foi reforçada pelo secretário estadual de Logística e Transportes, Laurence Casagrande, que informou que desde o início da obra, em 2013, o governo federal repassou apenas 13% da sua parte (33% do total) para financiar toda a construção. Casagrande disse que o governo paulista não espera mais por esse dinheiro, ao afirmar que para 2018 a União prevê repassar apenas R$ 131 milhões, conforme o orçamento do ano.

Sem recursos da parte do governo Temer, coube ao Estado, com menos verbas, imprimir um ritmo mais lento para evitar chegar a uma situação de incapacidade financeira, disse que o secretário paulista.

TRECHO NORTE – OBRA CARA, COM VÁRIOS ADIAMENTOS NO CAMINHO:

A última alça do anel viário, com 47 km, passou por vários atrasos e acréscimos de custos, cenário que marcou toda a obra do Rodoanel desde seu início.

Os contratos com as empreiteiras são alvo de investigação do Ministério Público Federal (MPF) por suspeita de superfaturamento. Foram contratos que obtiveram reajustes de R$ 586 milhões por conta da lentidão das obras civis, cujo custo final alcançará R$ 4,5 bilhões.

As desapropriações custarão aos cofres públicos mais do que o dobro do previsto: R$ 2,5 bilhões, item que também é alvo de investigação.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

3 comentários em Após leilão do Trecho Norte do Rodanel, Alckmin confirma que obra terá novo atraso

  1. Embora com todo congestionamento da marginal Tietê (mesmo após a reforma feita pelo Gov. do Estado) o trecho Norte é considerado o de menor volume de veículos? menos que o trecho Leste? so vendo para crer!!!

    • Realmente a conta não bate, não vejo esse trecho com menos carros que o trecho leste e sul, só deve ficar atrás mesmo é do trecho oeste. Ainda mais que depois de pronto a PMSP vai colocar todas as restrições possíveis de veículos pesados na Marginal Tietê para estimular o uso do Rouboanel.

  2. Pelo que entendi a Ecorodovias só vai assumir depois de pronta, ou seja: nós contribuintes vamos arcar com o ônus da construção, e a parte boa fica com eles, que vão cobrar os pedágios extorsivos de sempre. Nós ficamos com o osso e eles com o filé. vergonha, porque o Geraldo Malckmin prometeu que não teria pedágios.
    Relembrem:

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