Grupo Garcia-Brasil Sul conclui entrega de 104 ônibus 0 Km e anuncia novidades operacionais

Ônibus são de dois andares e 15 metros. Frota recentemente apresentada tem padrão visual que destaca serviço “cabine-cama”

Trajeto Maringá-Londrina-São Paulo “non stop”, novas cabines-leito nos ônibus e parceria com rede de hotéis estão entre as ações mais recentes

ADAMO BAZANI

“O ano de 2017 para nós foi simbólico e entra para a história do Grupo Garcia – Brasil Sul. Finalizamos aquele que era o maior problema da Viação Garcia, seu grande endividamento. Nós assumimos a Garcia em 2014, com um endividamento quase sem possibilidade de administrar, que era maior que o ativo da empresa e, durante estes quase quatro anos, a gente não fez quase nada além de trabalhar para que isso fosse solucionado. Era uma obsessão nossa, acabar com o endividamento. Neste ano de 2017, estamos com vida nova, com a Viação Garcia saneada, com possibilidade de crescer e estamos preparados para buscar novos desafios e novos investimentos para crescer”  

A frase do vice-presidente do Grupo Garcia-Brasil Sul, Estefano Boiko Júnior, em entrevista ao Diário do Transporte, nesta quarta-feira, 06 de dezembro de 2017, em Londrina, sede das empresas, mostra que uma das principais e mais antigas companhias de transportes rodoviários do País entra em nova fase.

“Nós estamos otimistas para o ano de 2018. Para nós, 2017 já foi muito bom e a tendência é que o ano que vem seja melhor ou igual. Percebemos que muitos passageiros que estavam no avião, voltaram para o ônibus e investimos para que estes passageiros fiquem no ônibus. Frota nova, com pontualidade, segurança e conforto são algumas das ações. De dois anos para cá, registramos um crescimento de 80% no número de pessoas que procuram  serviços de ônibus da alto padrão” – complementou o presidente Grupo Brasil-Sul, José Boiko.

José Boiko e Estefano Boiko Júnior dizem que nova frota é a materialização de “algo maior”: uma nova fase do Grupo Garcia-Brasil Sul, com conceitos renovados de gestão, saneamento financeiro e de atendimento.

O grupo empresarial realizou um evento para apresentar a conclusão de entrega de sua nova frota. Em 2017, foram 104 ônibus zero quilômetro entregues dos mais diversos portes, desde os urbanos, comprados pela linha de financiamento do Governo Federal, Refrota, até ônibus de dois andares e 15 metros de comprimento.

Os investimentos foram de mais de R$ 60 milhões e, com isso, a frota das operações interestaduais da Garcia e Brasil Sul passa a ter idade média de dois anos.

“É a menor idade de uma frota de ônibus rodoviários do Brasil. Isso reflete em mais segurança e conforto para passageiros e motoristas e torna as viagens mais atrativas”  – disse José Boiko.

Destes 104 ônibus, 77 foram para a VGL – Viação Garcia Ltda e 31 para a Brasil Sul.  Ainda há 18 ônibus novos para a empresa de fretamento Line Tour, também pertencente à família Boiko.

“Temos também como outra obsessão a inovação. Tecnológica sim, mas também no aperfeiçoamento do atendimento por meio de detalhes, humanização e com parcerias comerciais. Neste ano, implantamos uma série de novidades para deixar as viagens mais rápidas, cômodas, convenientes e, logo, atrativas” – contou Estefano Boiko.

OUÇA NA ÍNTEGRA:

LUIS-ESTEFANO-BOIKO-ADAMO-BAZANI

Entre as novidades, algumas das quais já em prática, anunciadas no evento de 06 de dezembro estão:

– Serviço “non stop” Maringá-Londrina-São Paulo, na categoria leito-cabine. Não há paradas no meio do caminho, a não ser em ponto de apoio, de aproximadamente 5 minutos apenas para troca de motoristas. Com isso, segundo o Grupo Garcia-Brasil Sul, o tempo de viagem neste trajeto cai em torno de 30 minutos.

– Como já ocorre setor aéreo, check-in pela internet. O passageiro pode imprimir seu bilhete e embarcar no ônibus sem a necessidade de passar pelo guichê na rodoviária.

– Aplicativo novo de celular para venda de passagens e contato entre passageiros e empresas Garcia e Brasil Sul.

– Cartão Fidelidade, que dá descontos e até viagens gratuitas para passageiros que usam constantemente os ônibus.

– Parceria com a rede de hotéis Bourbon, que passa a fornecer o kit-conforto das viagens nos ônibus leitos, com travesseiro, manta, lençol e fronha. Segundo o Grupo Garcia Brasil-Sul, são os mesmos materiais usados nos hotéis.

– Mudança do serviço leito-cama para a concepção cabine-cama. As poltronas-leito, que reclinam próximo a 180 graus, são separadas umas das outras por cortinas, formando uma cabine. No habitáculo, o passageiro conta com carregador de celular, saída individual de ar-condicionado, luz de led direcional de leitura, monitor LCD com programação musical e com filmes, saídas de áudio para fones de ouvido em um dos braços das poltronas. Poltronas de couro com descansa-pés mais largo e rede de wi-fi livre também fazem parte da cabine. No serviço cabine-cama, são oferecidos kit-lanches, água, suco e refrigerante, além de achocolatado de café de manhã.

– Embarque prioritário para passageiros do serviço cabine-cama

Luz de led interna acessa, enquanto veículo está parado. Tonalidade aumenta sensação de conforto e relaxamento. Quando fechadas, cortinas transformam área da poltrona em cabine

Cabine tem tela de LCD com programação musical e de filmes. Antes, são exibidas mensagens de segurança e procedimento de emergência, como nos aviões.

A intenção da Garcia é usar o conceito cabine-cama como uma marca. Para isso, reformulou a programação visual dos ônibus e de guichês, por meio da empresa especializada MisseMota Arquitetura e Design.

 “Quando os diretores da Garcia e Brasil Sul vieram até a gente, queriam mesmo que nós os ajudássemos a identificar um serviço super especial que é o cabine-cama, que dá uma sensação de exclusividade para cada passageiro e que isso ficasse muito claro na parte de fora do ônibus. Diferentemente da maioria das empresas que exploram figuras de bancos de imagens, com algo muito lugar-comum, os diretores da Garcia queriam que o projeto visual tivesse a cara da empresa e que fosse no ambiente do passageiro para que o usuário tenha a noção plena do que é o serviço.” – disse Gabriela de Toledo Martins que, ao lado de Antônio Missemota e equipe, desenvolveu a comunicação visual da “Cabine-Leito”

Antônio Missemota e Gabriela de Toledo Martins de escritório responsável pela comunicação visual do Grupo Garcia-Brasil Sul desenvolveram também a concepção do serviço cabine-cama

A Missemota é responsável pelo design atual das marcas Brasil-Sul, Garcia e Princesa do Ivaí, além de ter criado as atuais pinturas e padrão de guichês e salas-vip de empresas como UTIL, do Grupo Guanabara, e Auto Viação 1001, Rápido Ribeirão Preto, Auto Viação Catarinense e do serviço de encomendas por ônibus Buslog, Grupo JCA.

PARCERIA COM FABRICANTES APERFEIÇOA ÔNIBUS:

Garcia e Brasil Sul padronizam frota com chassi Mercedes-Benz e carroceria Marcopolo.

A família Boiko começou a pensar na criação da Brasil Sul após cisão parcial da Expresso Nordeste, em 2002, da qual era sócia. Até então, não havia sequer a definição do nome.  As operações começaram em 02 de janeiro de 2004 e havia várias metas a alcançar e escolhas a fazer.  Do pequeno escritório, em uma casa de menos de 100 metros quadrados na Vila Nova, em Londrina, uma das decisões foi: escolher uma encarroçadora e uma fabricante de chassis e tornar a frota padronizada. Entre as vantagens, estão melhor controle de estoque de peças, negociação de preços e maior proximidade com as indústrias.

Na Brasil Sul, a decisão foi por escolher carroceria Marcopolo e chassi Mercedes-Benz.

Quando a família Boiko realizou o sonho de comprar a tradicional Viação Garcia, em 21 de fevereiro de 2014, a política de frota foi estendida para a empresa, que tem a mesma idade da cidade de Londrina, sendo fundada em 1934 pelo mecânico e imigrante alemão Mathias Heim e pelo imigrante espanhol Celso Garcia Cid. Em 1937, mais um Garcia, mas de outra família, entra para a empresa. Neste ano, o espanhol José Garcia Villar compra a parte de Mathias Heim.

Hoje, na Viação Garcia há ainda alguns ônibus chassi Volvo, com carroceria Irizar, que estão sendo substituídos.

Este modelo de negócio, além de trazer as vantagens já relacionadas, permite a parceria entre grandes empresários de ônibus e fabricantes, que resulta até mesmo em alterações dos veículos.

“Não é só uma questão de compra e venda de ônibus, mas uma questão de cumplicidade. Muitos produtos que desenvolvemos foi a pedido o Júnior [vice-presidente do Grupo Garcia-Brasil Sul, Estefano Boiko Júnior] que se preocupa muito com a questão do passageiro. É importante seu bem estar. No rodoviário, o passageiro fica muito tempo no ônibus e é quem nos remete a fazer um veículo cada vez melhor. O Júnior tem ido com muita frequência na Marcopolo e nos sugere detalhes que melhoram ainda mais o conforto do passageiro.” – explicou ao Diário do Transporte, o diretor de operações comerciais e marketing da Marcopolo, Paulo Corso.

“O que a gente faz é observar detalhes. Esses detalhes, se perguntar para o cliente [passageiro] talvez ele não saberá relacionar, mas tem a percepção de que pode lhe trazer mais conforto. Por exemplo: quando as poltronas eram de tecido, o apoio de perna vinha com plástico. Mas este plástico causava uma sensação de desconforto, de calor, suava, escorregava as pernas, e a gente pediu para tirar. Tinha um paradigma que existia que aquilo ia sujar. Mas não suja, a gente tirou, trouxe mais conforto, aumentou o bem estar. Além de tirar este plástico, pedimos para tornar este apoio de perna mais largo, criar um apoio de pés para haver uma adaptação à altura de cada um. Então, dependendo da estatura do cliente, ele pode jogar o apoio mais para frente, mais para trás, e consegue se manter sempre apoiado. Também aumentar a reclinação da poltrona, traz mais conforto. Então são detalhes, são coisas simples, mas o empresário que viaja no ônibus vai percebendo. Levamos à Marcopolo, que acata e discute e faz o que é possível”- exemplificou Estefano Boiko Júnior.

Renovações de frotas de grandes grupos, como do Garcia-Brasil Sul, e a melhoria de indicadores econômicos são vistos de maneira positiva e já representam otimismo entre os fabricantes.

“O exemplo da Garcia-Brasil Sul é um ponto fora da curva num momento de desaquecimento de mercado. Mas percebemos agora os clientes confiando um pouco mais na economia e começam a investir mais em renovação ou ampliação de suas frotas e esperamos um 2018 bem melhor que 2017 e que em comparação aos anos anteriores.”, disse ao Diário do Transporte o CEO da Marcopolo, Francisco Gomes Neto, que aposta num crescimento de 10% a 15% em 2018 na comparação a 2017. O executivo também prevê a continuação do crescimento das exportações.

OUÇA NA ÍNTEGRA:

EXECUTIVOS-MARCOPOLO-GARCIA-ADAMO-BAZANI

Frota de urbanos e metropolitanos da Garcia e Londrisul (empresa municipal de Londrina) também foi padronizada com Mercedes-Benz e Marcopolo.

O diretor de marketing da Mercedes-Benz, Walter Barbosa, também acredita em crescimento do mercado de ônibus em 2018, o que pode, inclusive, resultar positivamente na abertura de vagas de empregos na indústria, como na região do ABC Paulista, onde fica a Mercedes-Benz.

“O momento mais crítico de mercado a gente passou até os quatro primeiros meses de 2017. Gradativamente, mês a mês, este mercado veio se recuperando e hoje, se olharmos o número de novembro, acumulado, já estamos 5% melhores que no ano passado, o que é um indicador positivo para nosso segmento e o mercado de ônibus deve fechar dezembro em algo próximo de 11 mil unidades. No ano passado tivemos 10,3 mil e neste ano, um mercado total próximo de 11 mil ônibus, o que já é positivo. Especialmente no segmento de rodoviários, cresceu até novembro 38%.  Acreditamos que nos próximos três anos, ainda tem um mercado bastante importante no segmento rodoviário que é a renovação dos interestaduais que neste ano começaram a acontecer principalmente no primeiro semestre de 2017 e já enxergamos um primeiro semestre de 2018 positivo para o rodoviário”  – analisa o executivo.

Barbosa destacou também a importância da aproximação maior entre donos de empresas de ônibus e fabricantes. A Mercedes-Benz hoje possui profissionais que atuam nas empresas Garcia, Brasil Sul e Princesa do Ivaí.

“São dois profissionais que estão sempre em uma das garagens, alternando entre as garagens do grupo, avaliando oportunidades de melhoria e, se for necessário, fazendo algumas correções. Nesse contato entre fabricantes e operadores, quem mais ganha é o passageiro” – disse o executivo da Mercedes-Benz

OUÇA NA ÍNTEGRA:

WALTER-BARBOSA-MERCEDES-BENZ-ADAMO-BAZANI

GARAGEM DA GARCIA-BRASIL SUL, ORGANIZAÇÃO QUE RESULTA EM SUCESSO:

Ônibus de reserva ficam em posição diferente dos escalados, com traseira para entrada da garagem

Área com ônibus metropolitanos da Viação Garcia

Área com os ônibus da Londrisul, empresa do Grupo GBS, que faz linhas municipais em Londrina

Antes de acompanhar o evento da conclusão da entrega da frota de 104 ônibus novos e o anúncio das novidades operacionais, a reportagem do Diário do Transporte fez questão de conhecer de perto como funciona a empresa.

A organização pode ser percebida desde a recepção até à execução de atividades mais complexas como controles de manutenção e operação.

Tudo é informatizado e todas as garagens da Garcia e Brasil Sul têm os mesmos sistemas de comunicação e têm dados integrados.

Isso facilita o cumprimento de revisões de manutenção, independentemente de onde o ônibus estiver.

“Todas as garagens têm condições de fazer as manutenções corretivas, preventivas e preditivas. O almoxarifado aqui da sede de Londrina tem mais de 5 mil itens. Nas outras garagens, há menos, mas o suficiente para dar condições operacionais e de segurança” – explicou o gerente de manutenção, Antônio Carlos dos Santos, na Viação Garcia desde 1977.

Funcionário da manutenção geral analisando estado de rodas e pneus

Manutenção está apta para ônibus de diversos portes

“Outra característica é que cada setor é identificado por uma cor, como abastecimento, borracharia, elétrica, carroceria, limpeza e mecânica. Há telas espalhadas em toda a área de manutenção que mostram em que situação está cada setor correspondente aos próximos ônibus escalados. Se houver pendências ainda muito próximas da saída do ônibus, uma luz vermelha se acende no setor correspondente. Além disso, os funcionários de cada setor têm uniformes de cores diferentes para melhor identificação” – explicou o gerente de serviço de manutenção de carroceria, João Alberto Zequini, na Viação Garcia desde 1979.

Limpeza e organização das áreas de manutenção são aspectos essenciais para os reparos serem feitos de forma mais rápida e com melhores resultados

Setor de carroceria é identificado pela cor verde

Uma lâmpada vermelha em cada setor se acende caso haja uma pendência em ônibus que estão prestes a ir para o serviço

Trabalhadores da mecânica têm uniformes na cor-azul

As telas com a situação de manutenção dos próximos ônibus a prestarem serviços estão em diversas partes do setor

Todo contato emergencial dos motoristas em campo por meio do SAM é colocado de forma rápida numa ficha padrão e depois é passado para o sistema informatizado

Cada ônibus possui uma ficha individualizada com todos os dados de manutenções realizadas e os itens previstos para serem abordados pelas equipes. O prontuário, numa prancheta fica pendurado no ônibus no início da verificação do pessoal da manutenção

Tela de acompanhamento de metas para redução de quantidade de ônibus que quebram pelo total de quilômetros percorridos.

“Também reforçamos nosso relacionamento com o motorista. Nossa filosofia é: o motorista é o cliente da área de manutenção. Desde 2013, temos o SAM – Serviço de Atendimento ao Motorista, um celular de plantão que fica aqui na central da manutenção e pode receber ligação a cobrar de toda a parte, independentemente de onde o motorista estiver, caso haja um problema no trajeto e ele precise de orientação. Além disso, demos por SMS no celular um retorno a todas as observações que o motorista preencheu no relatório sobre as condições dos ônibus, que é informatizado e pode ser acionado pela área de manutenção de qualquer uma de nossas filiais” – contou o supervisor de manutenção, Edson Santana, na Viação Garcia desde 1993.

Lavação conta com sistema de reuso de água. A cada oito meses é realizada uma higienização completa, com troca de elementos dos sanitários, substituição de cortinas e desinfecção das poltronas

Uma das principais metas da manutenção é ampliar a Kmeb – Quilometragem por Baldeação, que é a quantidade de quilômetros percorrida entre as baldeações. Baldeação é quando o ônibus quebra sendo necessária a troca do veículo no meio do trajeto. Quanto maior a quilometragem entre baldeações, é sinal de que menos ônibus quebraram.

De acordo com José Boiko, o cuidado com a manutenção traz benefícios imediatos, como redução de custos operacionais e aumento de segurança, e, em prazos maiores, como a valorização dos ônibus no mercado de usados.

Ônibus usado e vendido, pintado de branco a pedido de comprador

“Por causa de nossa idade média baixa, já estamos vendendo ônibus ano 2015. A procura é maior porque o comprador sabe da procedência. E temos o diferencial de entregar o ônibus com a pintura que o cliente quiser, mesmo que seja outra empresa.” – explicou

A limpeza também faz parte da manutenção. E existem vários tipos de ações de acordo com fatores como estado específico de cada ônibus e com a quilometragem. A

Utilizando os termos da mecânica, pode se dizer que existe a limpeza habitual, que consiste em lavar por fora e higienizar internamente os principais itens dos ônibus, mas há também a limpeza corretiva e programada.
Dependendo da situação da operação, o veículo tem de ser submetido a uma limpeza mais profunda fora da programação.

Mas, segundo a empresa, a cada oito meses, o ônibus para e é submetido a uma ação de higienização completa, que envolve troca de cortinas, desinfecção de poltronas, limpeza mais detalha em cantos e vincos internos, troca de itens dos sanitários e desinfecção do assoalho.

TRADIÇÃO E INOVAÇÃO TÊM DE ANDAR LADO A LADO:

Jardineira decorada com enfeites e luzes natalinas no evento de apresentação de frota nova: O passado que abriu o caminho para o futuro.

Jardineira decorada com enfeites e luzes natalinas no evento de apresentação de frota nova: O passado que abriu o caminho para o futuro.

A primeira impressão da reportagem ao chegar à garagem foi a de que a tradição se mescla com o inovador.

Muitos elementos da pioneira Garcia podem ser observado num grupo que hoje tem mais de 800 ônibus e que atende a 22 milhões de passageiros por mês.

A impressão se dá não somente pelo rico museu criado pela família Garcia e que foi mantido pela família Boiko, mas também pela presença de funcionários novos junto com os mais experientes e a preocupação de preservar os detalhes e alusões às origens da empresa.

Em alguns casos, quando um grupo empresarial compra uma empresa tradicional, o passado daquela companhia é quase renegado. Ônibus antigos (e não velhos) do acervo são abandonados ao relento, fotos jogadas fora e até a história da origem da empresa é apagada do site.

Mas, isso não ocorre com o atual grupo que controla a Garcia desde 2014. Vale lembrar que entre a família Garcia e a atual família Boiko, a empresa foi administrada por Mario Luft, empresário do setor de cargas, e Andrea Luft, sua filha, no período de 29 de novembro de 2010 a 21 de fevereiro de 2014.

“A história da Garcia faz parte da história de Londrina. A Garcia nasceu em 1934 e a cidade de Londrina também. É muito importante manter esse museu que não fica restrito à empresa. Todas as quartas-feiras, nós transportamos crianças dos colégios públicos que recebem um lanche, assistem slides especiais e participam vendo a história de como iniciou a empresa junto com a cidade. É muito importante ver que, apesar de sempre ter de melhorar, os transportes já avançaram muito. Hoje você vê um ônibus moderno e olhando a Catita de 1934 (uma jardineira que foi o primeiro veículo da Garcia), pode ter uma constatação agradável sobre quão desenvolveram todas as áreas dos transportes: tecnologias, conforto, segurança, motores… Olhando o passado, a gente reflete sobre o presente” explicou José Boiko.

O museu conta com preciosidades, como a Catita, o primeiro veículo da Garcia. Trata-se de um caminhão ano 1933, da Ford, que em 1934 foi transformado numa jardineira, ônibus simples de madeira. O “Pavão” é outro veículo que revela outra página da história dos transportes mundiais.

Gasogênio era a solução possível em época de escassez de combustível por causa da Segunda Guerra Mundial. Queima ocorria em cilindros na traseira.

O “Pavão” com o gasogênio dos anos da Segunda Guerra ao lado do imponente Trinox, de 1983, ônibus feito pela fabricante de carros ferroviários, Cobrasma, com revestimento externo e estrutura de aço inoxidável.

Por causa da Segunda Guerra Mundial (1º de setembro de 1939 a 2 de setembro de 1945), houve escassez em quase todos os países de combustível. Com o Brasil não foi diferente. O gasogênio foi a solução tecnológica da época. O equipamento que contava com grandes cilindros na traseira do veículo, por meio da queima de carvão e madeira, transformava o gás  gerado em combustível. O problema é que a eficiência era pouca e o barulho e poluição eram muito altos. Muitas pessoas ficavam doentes por causa do sistema, mas era o que se podia fazer na época para os transportes não pararem. O “Pavão” é um ônibus de ano 1942, de motor original GMC à gasolina e carroceria Lins Ônibus.

Outra preocupação do Grupo em marcar a história e até mesmo tratar os “ônibus com carinho” está na lógica da numeração de cada veículo.

“A lógica de numeração da Viação Garcia foi desenvolvida com base no ano de fundação: 1934. O prefixo tem 4 dígitos. Você deve pegar o primeiro e o último dígito, formar uma dezena e somar com 34. Os dois últimos números desta soma vão ser o ano do carro. Exemplo: Carro 7766. Você pega o 7 e o 6 e forma 76. Depois soma 76 com 34 – ano de fundação, que vai dar 110 – Usa os dois últimos dígitos do resultado desta soma, que é 10. Logo, o ano é 2010. Na Brasil Sul, é diferente. Quando nós fundamos a Brasil Sul, nós começamos do zero, não tinha absolutamente nada. Não sabíamos nem como seria o nome dela. A partir da decisão de criar a Brasil Sul, nós começamos a definir o que seria esta empresa. Então escolhemos o nome, onde seria a sede dela, tínhamos até outras alternativas, mas preferimos Londrina. Escolhemos uma pintura, contratamos uma empresa especializada nisso, uniformes, instalações físicas, contratar pessoal e um dos itens era como íamos definir o prefixo. Aí eu e o José Boiko pegamos nosso número de sorte, que é o 13. Então pegando os dois primeiros dígitos e subtraindo o número 13, vai ter de dar sempre o número do ônibus. Exemplo, carro 2501. Pega o 25 subtrai 13, dá 12. Logo, o ano é 2012” – explicou Estefano Boiko

Sem usar a placa e o aplicativo Sinesp Cidadão, você sabe só pelo prefixo saber os anos destes ônibus?

Outra característica da empresa, segundo os diretores, são investimentos sociais, em especial na educação.

A Garcia e Brasil Sul participam do Programa Bom Aluno. São estudantes selecionados por escolas públicas que têm todos os seus custos assumidos pelo grupo de empresas de ônibus, até a faculdade. Depois, a empresas assumem parte do custeio da graduação e pós-graduação, no Brasil e exterior.

Hoje são cinco estudantes assumidos pelas empresas. E o programa já deu seus frutos. Um ex “Bom Aluno”, Nilson Douglas, agora é professor e, coincidentemente dá aulas para os filhos de Estefano Boiko, em Londrina.

A condição para se beneficiado, como diz o nome do programa é ser bom aluno, com notas de 8 para cima. Caso a nota fique abaixo de 8, uma professora vai à casa do aluno reforçar o ensino.

Treinamentos para os funcionários, auxílio de 50% em faculdades para os trabalhadores e cursos de liderança para gestores, em parceria com a Fundação Dom Cabral também fazem parte das ações educacionais da Garcia-Brasil Sul.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Informe Publicitário
Assine

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

     
Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    Hoje não é domingo, mas é como se fosse, por ter sido publicada essa matéria aula histórica do buzão, além de para mim ter sido um presente de Natal, tamanha a emoção e prazer em ler esta matéria e ver as fotos e a organização da empresa.

    Parabéns Adamo, pela matéria aula e histórica do buzão.

    Parabéns à família Boiko pelo carinho, esmero e profissionalismo com que trata o buzão (o seu negócio); a Viação Garcia foi para as mãos certas e abençoadas.

    Que maravilha de empresa de buzão.

    Obrigado família Boiko, por preservar a história da Garcia; todos os buzões históricos da Garcia são sensacionais, principalmente pelos Nielson´s; mas o TRINOX é uma peça rara, pois acho que só sobrou ele e ele é incrível, principalmente por ter sido fabricado pela Cobrasma, uma empresa com alma de brasileiro.

    Adorei saber que a Line Tour é da família Boiko, os Line Tour estão sempre alinhados, está explicado.

    Tecnicamente padronizar a frota MMB e Marcopolo está correta, mas eu pensaria duas vezes, afinal no Barsil tudo acontece e quem tem só um fornecedor não tem nenhum.

    Comprem uns NEOBUS NEW ROAD, vão ficarlindões na pintura do Grupo.

    Gostei muito da percepção que o Sr. Estefano Boiko Júnior tem sobre os buzões e de levá-las até a Marcopolo, pena que a Marcopolo não me houve, afinal não sou frotista né…

    Mas quem sabe na próxima encarnação.

    A matéria também nos trouxe a dimensão e a complexidade de uma empresa de buzão.

    Adorei que o item LIMPEZA faça parte da manutenção sensacional.

    Grupo BRASIL SUL, aqui vai uma cartinha para o Papai Noel.

    “Papai Noel, eu quero que o Grupo Brasil Sul participe da licitação de Sampa, para que assim tenhamos buzões limpos rodando pela nossa cidade.

    Não esqueça do meu pedido heim”

    PARABÉNS e FELIZ NATAL BRASIL SUL!

    HO HO HO!

    Att,

    Paulo Gil
    “Buzão e Emoção é a Paixão”

    1. Zé Tros disse:

      Paulo Gil, eu até concordaria com vc se fossem fornecedores de quentinha. Mas, são duas empresas do porte da Marcopolo e da Mercedes-Benz, mesmo estando no Brasil, não precisa temer(sem trocadilhos).

      Não sei se vc sabe, mas a Mercedes-Benz do Brasil exporta motores, eixos, câmbio e demais componentes para a matriz e demais filiais.

      Quanto à percepção sobre os produtos, acho que se fizerem sentido e tiverem lógica, suas sugestões podrão ser ouvidas.

  2. Sergio Misael disse:

    Ueba!!! Já pensou, Londrisul em Sampa e ainda por cima com um busão lindo desses? Nós só temos Viales da Transpass e me parece que estão indo, né? Ah se viessem com esses novos modelos…

  3. Ignácio ribeiro disse:

    Duas cidades próximas e importantes tanto aspecto econômico tanto estudanti. Ambas cidades são universitárias .estou falando de Maringá e Marília. Ja urgência em uma linha direta de ônibus. Ok Ignácio Maringá

  4. Evaristo H, Ferreira disse:

    Adamo, meus cumprimentos por mais uma excelente matéria.
    Quero aproveitar a oportunidade para enviar meus parabéns à família Boiko por não ter acabado com a Viação Garcia e sua história, fato muito comum nos dias atuais quando uma empresa compra outra.
    Excelente a parte que dá enfase ao que se passa no interior da Empresa, nas garagens, na manutenção.
    Até que enfim um patrão ouve o que os empregados falam(SAM-Serviço de atendimento aos motoristas), afinal são eles que estão na linha de frente!.
    Fiquei só com uma dúvida: As operações são feitas por funcionários da Empresa em 100% dos casos?. Se for, parabéns, mais uma vez, porque se você tem o “DNA” da Empresa, você “veste a camisa” e não vai gostar de reclamações.
    Para descontrair, uma questão de gosto: A “carraria” podia ser tudo Scania.(só tem um pequeno detalhe: os donos são os Boiko e não eu!!).
    Nada contra a Mercedes, como falei acima é apenas questão de GOSTO.
    Mais uma vez, obrigado pelo espaço.

  5. Paulo César rolzao disse:

    Parabéns a família boiko pela competencia na administração da empresa viação Garcia e Brasil Sul e pela coragem de fazer investimentos na empresa e sempre de olho no futuro e na modernização dos equipamentos e visando o conforto dos passageiros. E que deus continue iluminando o caminho de vcs sempre é mto sucesso.

  6. Daniel Duarte disse:

    Parabéns família Boiko por preservar a nossa querida Viação Garcia, com certeza essa empresa é uma marca da linda cidade de Londrina e do Paraná. Gostaria muito que vcs viassem operar linhas do transporte coletivo de Curitiba.
    Gostaria muito de trabalhar para vcs.

  7. Luiz Alfredo Dantas Cyrino disse:

    Que outros brasileiros(empresários),tenham como exemplo a família BOIKO,pARABÉNS Viação Garcia e Brasil Sul.

  8. fabio machado disse:

    Maravilhoso texto! Linda história de sucesso!

  9. Roberto Popper disse:

    Os Onibus Antigos da Viacao Garcia por exemplo o Trinox deve fazer a linha Londrina a Sao Paulo. Eu vi ontem em Ibipora o onibus parado na Praca. A Catita tambem e bonita e deve fazer a linha Londrina Jataizinho. Parabens para Viacao Garcia. Lembrancas do Roberto

Deixe uma resposta para Paulo GilCancelar resposta

Descubra mais sobre Diário do Transporte

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading