ENTREVISTA: Metra pede à prefeitura de São Bernardo agulhas no Paço para eliminar “gargalo” do corredor de trólebus

Empresária Maria Beatriz Setti Braga fala ao repórter Adamo Bazani sobre planos da Metra para melhorar serviços no corredor ABD.

Proprietária da empresa, Maria Beatriz Setti Braga, diz que prioridade deve ser do transporte coletivo. Concessionária também quer reforma do Corredor Diadema-Brooklin por parte do Governo do Estado

ADAMO BAZANI

A concessionária do Corredor Metropolitano ABD vai entregar à prefeitura de São Bernardo do Campo uma proposta de reformulação de parte das vias ao entorno do Paço Municipal para eliminar um “gargalo” que os passageiros de ônibus e trólebus enfrentam, principalmente em horários de pico.

“Estamos sugerindo à prefeitura de São Bernardo a construção de uma ‘agulha’ contornando o Paço, para fluir melhor [o tráfego de ônibus e trólebus]” – revelou ao Diário do Transporte, a proprietária da empresa, Maria Beatriz Setti Braga.

De acordo com o portal especializado “engenhariacivil.com”, agulha de trânsito é o termo utilizado no Brasil para designar a abertura em uma passagem lateral, para mudança de faixa de rodagem.

Na prática, seria uma alça para os trólebus saírem do corredor e entrarem no tráfego comum, sofrendo menos interferência do congestionamento e também impactando menos a circulação dos carros.

ENTREVISTA: Metra pede à prefeitura de São Bernardo agulhas no Paço para eliminar “gargalo” do corredor de trólebus

Atualmente, de acordo com a concessionária, a velocidade média comercial dos ônibus e trólebus do Corredor ABD, é de 21 km/h, mas poderia ser maior se houvesse algum tipo de preferência ao transporte coletivo nos trechos das linhas onde não há pistas exclusivas.

O Corredor ABD foi construído entre 1985 e 1990. O primeiro trecho foi entregue em dezembro de 1988 entre Ferrazópolis (São Bernardo do Campo) / São Mateus (zona Leste de São Paulo).

Em diversos trechos, os ônibus e trólebus deixam as pistas exclusivas, como no próprio Paço Municipal de São Bernardo do Campo e, em Santo André, entre a Avenida Ramiro Colleoni e o Terminal Santo André Oeste.

Na rua Oratório, em Santo André, carros podem entrar em trecho dos trólebus. Em horários de pico, região fica congestionada

Trólebus têm de esperar boa vontade de motoristas de carros para entrarem na Avenida Ramiro Coleoni e Praça IV Centenário, no centro de Santo André

Há também compartilhamento entre trólebus e o trânsito comum em trechos da Rua Oratório, em Santo André, e perto do Terminal de Diadema.

A Metra é encarregada de fazer a manutenção das pistas exclusivas do trecho entre São Mateus, zona Leste de São Paulo, e Jabaquara, na zona Sul, passando por cidades do ABC. Entretanto, mudanças de traçados e estruturais do corredor só podem ser feitas pelo Governo do Estado.

Já os trechos onde não há pistas exclusivas de concreto são de responsabilidade de cada prefeitura. O Corredor ABD abrange as cidades de São Paulo, Santo André, Mauá (Terminal Sônia Maria), São Bernardo e Diadema. São 33 quilômetros no eixo principal entre São Mateus e Jabaquara e mais 12 quilômetros entre Diadema e Brooklin, na zona Sul de São Paulo.

Segundo Maria Beatriz Setti Braga, este trecho também necessita de readequações. O projeto inicial, também da metade dos anos 1980, previa rede aérea elétrica e circulação apenas dos ônibus e trólebus do sistema, como ocorre entre São Mateus e Jabaquara. No entanto, o corredor entre Diadema e Brooklin só foi inaugurado em 30 de julho de 2010, com cerca de 20 anos de atraso e diferente do que era planejado. Até hoje não há eletrificação do corredor, impedindo a circulação de trólebus, e os ônibus municipais de São Paulo podem usar o espaço. A empresária espera que o Governo do Estado faça intervenções para deixar o trecho Diadema-Brooklin mais próximo do projeto inicial, começando já em 2018.

“O corredor Diadema Brooklin foi penalizado com muitos ônibus entrando e saindo. O Governo do Estado e a EMTU não o acabaram da mesma forma como são os 33 quilômetros do trecho São Mateus-Jabaquara. Sobre esse [corredor Diadema-Brooklin], precisamos ver como o Governo vai dar uma reformada” – disse.

Corredor Diadema-Brooklin recebe ônibus municipais e é constantemente invadido por carros e motos, apesar de várias placas indicarem exclusividade ao transporte coletivo.

A empresária ainda afirmou que a avaliação dos passageiros em relação aos serviços da companhia é positiva. No mais recente IQT – Índice de Qualidade do Transporte da EMTU, a Metra ficou novamente em primeiro lugar. Neste ano, segundo Beatriz, a empresa conseguiu maior índice de satisfação do cliente (IQC), com 85,2% de aprovação. Os números poderiam ser mais positivos ainda se estes gargalos no sistema fossem, pelo menos, reduzidos.

Beatriz ainda diz que hoje o conceito em relação aos deslocamentos tem mudado, principalmente entre as pessoas mais jovens. O desejo por ter um carro está sendo substituído pelo anseio de melhor qualidade de vida e aproveitamento do tempo. E priorizar o transporte coletivo é essencial neste processo, com investimentos que deixem as formas coletivas de deslocamento mais rápidas e confortáveis, ficando, consequentemente, mais atraentes.

A preocupação com meios de transportes menos poluentes também é maior hoje em dia, de acordo com Beatriz.

“Existe hoje um conceito, principalmente entre os jovens, que querem ônibus não poluentes e mais silenciosos, como os ônibus elétricos, híbridos, trólebus e o dual [que reúne duas tecnologias diferentes de tração num mesmo veículo]… A juventude hoje prioriza viver melhor”

A empresária disse também que um dos planos da Metra para 2018, no aspecto ambiental, é ampliar o Programa Corredor Verde, que desde 2008 foi responsável por plantar mais de 10 mil mudas de árvore ao longo da área de pistas exclusivas. A Metra, de forma espontânea, de acordo com Maria Beatriz, deve também assumir a jardinagem de alguns canteiros das vias públicas da região do corredor, mas que não pertencem ao sistema. Para isso, vai conversar com as prefeituras.

Ainda em relação à cidade de São Bernardo Campo, a expectativa é para a conclusão de parte do pacote de 12 corredores municipais, prometidos em 2012 para 2014 pela prefeitura.

A Metra faz parte do Grupo ABC que também controla a SBC Trans, empresa responsável pela operação de todas as linhas municipais de São Bernardo do Campo.

Beatriz ainda falou que, num segundo momento, a eletrificação dos corredores novos de São Bernardo deve ser o caminho mais viável, seja por rede aérea de trólebus ou ônibus elétricos à bateria.

OUÇA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA NESTE LINK:

BEATRIZ-SETTI-BRAGA

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

2 comentários em ENTREVISTA: Metra pede à prefeitura de São Bernardo agulhas no Paço para eliminar “gargalo” do corredor de trólebus

  1. Amigos, bom dia.

    No Paço Municipal de S. B. Campo, só há uma coisa a ser fazer, para se eliminar o problema de vez.

    E olha que a solução é simples, basta usar vigas pré fabricadas.

    Fazer o Terminal suspenso e as alças de acesso suspensas também, ai segrega as vias dos buzões da Metra e acabar com o problema de colapso quando houver enchentes.

    O corredor ABCD se é da EMTOSA, não pode ficar a mercê de decisões de prefeituras municipais, portanto cabe ao Estado fazer as readequações necessárias e pronto, afinal as atualizações são mais do que urgentes.

    E não esqueça de viabilizar os KITS TÚNEIS (Pré Fabricados) a lá Paulo Gil em toda a extensão do corredor ABCD, pois hoje temos Parador e não Corredor.

    E se der coloquem os ralões a lá Paulo Gil para os passageiros não tomarem banho nas paradas e a água captada pode ser tratada e reutilizada.

    Agora se eu tivesse o poder da caneta eu transformaria todo o corredor ABCD em aéreo igual ao Expresso Tiradentes, esse sistema é sensacional.

    Att,

    Paulo Gil
    “Buzão e Emoção é a Paixão”

  2. O Terminal São Mateus continua um horror, tomado por mendingos, ambulantes, telhado com buracos imensos e sem segurança. Quando a Metra vai dar um jeito naquela bagunça?

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