Pistas do BRT Transcarioca: falta de conservação da prefeitura aumenta tempo de viagem do passageiro

Foto: BRT Rio

Com buracos e bueiros pelo caminho, BRT Transcarioca vira pista de obstáculos e perde qualidade, sua principal característica  

ALEXANDRE PELEGI

O Consórcio BRT Rio já havia divulgado nota em seu site (http://www.brtrio.com) há alguns dias denunciando as más condições do asfalto por onde trafegam os biarticulados. Sob o título “Pistas do Transcarioca sofrem por falta de conservação”, o Consórcio afirmava que o corredor Transcarioca está “com sérios problemas estruturais na calha”. Leia a nota:

A situação é tão caótica que, em alguns trechos, os motoristas dos articulados estão sendo obrigados, por questão de segurança, a fazer desvio na pista ou a reduzir a velocidade para menos de 20km/h. É o que acontece perto da estação Pedro Correa, em Jacarepaguá, sentido Alvorada. Lá, um bloco de concreto da via está solto e até parte do ferro já aparece. A situação se arrasta há pelo menos seis meses.

Caso semelhante acontece na altura da estação Pinto Teles, em Campinho, também sentido Alvorada. São pelo menos três buracos na pista de concreto.  Além de colocar em risco passageiros e condutores, essas crateras atrasam as viagens, porque o tempo do percurso aumenta. O Consórcio BRT estima que, em alguns serviços do Transcarioca, a presença de buracos aumentou em 40% o deslocamento entre bairros. Importante lembrar que o Transoeste está com o mesmo cenário de degradação da pista e que os reparos, por contrato, devem ser feitos pela Prefeitura do Rio de Janeiro.

Hoje, dia 1º de dezembro, segundo matéria publicada no jornal O Globo, o assunto volta à baila. Os vários obstáculos presentes na pista do Corredor, como buracos, remendos, calombos e bueiros sem tampas, transtornam a vida dos motoristas do BRT Transcarioca ao longo dos 39 quilômetros do corredor.

As falhas na pavimentação obrigam os motoristas que pilotam ônibus articulados a fazer desvios constantes e a circular a menos de 20km/h nos trechos prejudicados e carentes de manutenção. Resultado: uma das principais vantagens do sistema BRT, que é a redução do tempo de viagem e o conforto do passageiro, está se perdendo. O tempo médio de deslocamento no Corredor Transcarioca já aumentou em 40%, denuncia novamente o BRT Rio.

A redução do tempo é uma das grandes conquistas do sistema, e ela está sendo perdida. O Consórcio BRT relembra uma pesquisa feita pelo Datafolha, após os jogos olímpicos, que apontava que para 89% dos passageiros do BRT a economia de tempo no deslocamento era a principal vantagem de usar o sistema, seguida por qualidade dos ônibus e preço da tarifa.

“Chegar rápido ao destino e não pegar trânsito e engarrafamento foram as respostas mais comuns dadas pelos entrevistados, que, em sua maioria, 76%, usa os corredores para ir ou voltar do trabalho. Para 58%, o percurso no corredor expresso é feito em até 30 minutos”, completa texto do BRT Rio.

MANUTENÇÃO: QUANTO PIOR, MAIOR O TEMPO DE VIAGEM E MAIOR INSEGURANÇA PARA O PASSAGEIRO

A manutenção cabe à Prefeitura do Rio de Janeiro. Mas como atesta a reportagem do jornal carioca, ela não vem sendo feito regularmente. E quando é feita, a qualidade deixa muito a desejar. Nesta quinta-feira (30), passados apenas três dias de um remendo feito pela Prefeitura numa cratera próxima da Estação Pinto Teles, em Campinho, o asfalto já estava se desfazendo. O buraco da cratera remendada deixa expostas as ferragens dos blocos de concreto da base da pista.

Problemas assim têm se tornado uma constante, e a tendência ao longo do tempo tem sido sua multiplicação, reduzindo a viagem a uma sequência de obstáculos.  Em novembro, dois carros do BRT Transcarioca já foram recolhidos após apresentarem perfurações no cárter, que armazena o óleo do motor. Detalhe: o corredor Transcarioca foi inaugurado há apenas três anos.

Além das crateras no asfalto, bueiros sem tampa ameaçam a segurança: os motoristas são obrigados a reduzir a velocidade para evitar choques maiores.

A manutenção da Prefeitura do Rio de Janeiro, além de tudo, é feita de maneira errada, denunciam especialistas. Como é recomendado em projetos de BRT, parte da pista deve ser feita de concreto, apropriado para faixas exclusivas, mas os consertos que a Prefeitura têm realizado são feitos com asfalto, o que reduz a vida útil da pavimentação.

Através da Secretaria municipal de Conservação e Meio Ambiente, a Prefeitura garante que iniciou as ações de tapa-buraco no corredor Transcarioca no dia 22 de novembro “como medida paliativa”. E que o uso do asfalto se deu “por necessidade de rapidez”.

A diretora de relações institucionais do BRT, Suzy Balloussier, afirma que o sistema se degrada por causa da falta de manutenção da prefeitura. Com a piora do serviço, ela alerta, ele pode até ser interrompido no futuro caso. Com a continuidade dos problemas as empresas estão tendo grandes prejuízos com os consertos dos veículos.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

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