Deputado quer proibir ônibus com motor dianteiro em Curitiba e região metropolitana

Publicado em: 30 de novembro de 2017

Ônibus de motor dianteiro da Scania ainda deve receber homologação da Urbs Foto Jhonatan Luís (clique sobre imagem)

Projeto também se estende para outras cidades. Normas nacionais permitem veículos com este padrão. Fabricante Scania diz que modelo biarticulado conta com sistema de isolamento desenvolvido após estudos de engenharia atualizados

ADAMO BAZANI

Depois de seis dias da apresentação de um novo modelo de ônibus biarticulado em Curitiba com motor dianteiro, que contou com a participação do prefeito Rafael Greca, surgiu na Assembleia Legislativa do Paraná, um projeto de lei que quer banir este tipo de motorização dos veículos de transporte coletivo em todo o Estado, inclusive na Capital e na Região Metropolitana.

De autoria do deputado professor Lemos, do PT, o projeto de lei 801/2017, propõe que os atuais ônibus com motor dianteiro sigam normalmente nos sistemas de transportes locais até a idade limite permitida pelas legislações das cidades ou metropolitana, mas os veículos novos ou seminovos comprados para os serviços só poderiam ser de motor traseiro ou central.

Na justificativa, o parlamentar cita um estudo de 2012, feito a pedido do Ministério Público do Trabalho do Distrito Federal e Territórios que concluiu que em torno de 48% dos motoristas de ônibus urbanos são vítimas de algum nível de perda auditiva.

O estudo ainda conclui que os motoristas de ônibus urbanos são submetidos as 90 decibéis, em média, mas a Organização Mundial de Saúde – OMS determina como limite de conforto 50 decibéis e constata que a partir de 60 decibéis já começa a ocorrer perda da concentração dos profissionais.

Com base neste estudo, em 2015, os deputados do DF aprovaram uma lei proibindo ônibus de motor dianteiro no sistema. A lei foi regulamentada em junho deste ano. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/06/16/df-regulamenta-lei-que-proibe-onibus-de-motor-dianteiro/

Em entrevista ao Diário do Transporte, no início da noite desta quinta, 30, o gerente de desenvolvimento de mercado da Scania, Eduardo Monteiro, disse que a questão principal não é o posicionamento do motor, mas o isolamento de ruído e calor.

A Scania é a marca que apresentou o novo modelo de ônibus biarticulado F360HA ao prefeito Rafael Greca.

 “Dizer que pode haver risco à saúde auditiva do motorista somente pela posição do motor é um equívoco. Acredito que o interessante seria discutir reduções e limitações do nível de ruído e de calor, independentemente da configuração do ônibus.” – disse Monteiro, por telefone.

O executivo ainda salientou que o modelo biarticulado da marca exige sistemas de construção das encarroçadoras com maior isolamento na área do motor e do escapamento.

“A engenharia da Scania criou um sistema de isolamento específico para o modelo e desenvolveu um ferramental próprio e um pré-moldado a ser usado pelas fabricantes das carrocerias. Por exemplo, no caso do modelo apresentado em Curitiba, houve desenvolvimentos em conjunto com a encarroçadora Caio. Além de o ônibus ser avaliado agora em Curitiba, houve estudos de bancada (com o motor fora do veículo ainda), nas ruas e até mesmo no trajeto entre a Caio, em Botucatu, até Curitiba técnicos foram fazendo medições e avaliações.” – explicou ao Diário do Transporte.

Motor dianteiro de biarticulado tem isolamento especial, diz Scania

A apresentação do veículo ocorreu dias depois de o prefeito de Curitiba, Rafael Greca, fazer acordo com as empresas de ônibus para a compra de 150 ônibus novos por ano até 2020. Os primeiros 25 ônibus biarticulados devem estar em operação em março de 2018.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/11/14/curitiba-vai-receber-150-onibus-novos-por-ano-ate-2020/

Os sistemas de Curitiba (Urbs) e da Região Metropolitana (Comec) têm 2,2 mil ônibus, sendo que em torno de 1,5 mil são de motor dianteiro.

Outra preocupação em relação ao projeto de lei, da forma como foi colocada, é que a abrangência da proposta é todo o Estado, e há diversas cidades no interior e na Região Metropolitana que não têm vias asfaltadas por onde passam os ônibus e com áreas de tráfego mais severo, dificultando ou inviabilizando a operação de toda a frota com motores traseiros ou centrais.

Também não há citações sobre micro-ônibus ou midibus (micrões). Há poucos modelos de ônibus de pequeno ou médio portes com motores traseiros.

Em coberturas anteriores feitas pelo Diário do Transporte, executivos de outras montadoras falaram que os veículos de motor dianteiro evoluíram.

“Hoje há soluções como ônibus de motor dianteiro com suspensão pneumática e tecnologias que reduzem os níveis de ruído e calor. Em breve, o ônibus de motor dianteiro com suspensão a ar será a maior parte dos veículos vendidos nesta categoria”, disse o diretor de vendas e marketing de ônibus da Mercedes-Benz, Walter Barbosa.

“Os motores estão mais silenciosos, menos poluentes e também houve evolução nas carrocerias. O desenvolvimento tecnológico permitiu a fabricação de ônibus com motores dianteiros com nível de conforto bem maior do há alguns anos” – relatou o gerente de marketing da Iveco Bus, Gustavo Serizawa.

Os executivos salientam também a necessidade de conservação e manutenção correta dos veículos. Em outras palavras, se o ônibus não for bem conservado pelas empresas, vai fazer mais barulho e calor interno.

O projeto chegou ontem à Comissão de Constituição e Justiça. A tramitação não é prioritária.

Confira o projeto na íntegra:

Proj_801_Dep_Professor_Lemos

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. Jeferson disse:

    Temos que aplaudir esse deputado motor dianteiro acaba com a saúde dos motoristas,se nós Mercedes o barulho já é alto imagina um Scania, não tô falando da qualidade mas só o Brasil produz ônibus com motor dianteiro e todos sabem o quanto prejudicial a saúde isso é os empresários que abram a mão motor traseiro é mais confortável tanto para passageiros quanto pra motoristas

  2. Allan disse:

    Volvo dando seu jeito de não perder o reinado rs

  3. Daniel Batista dos Santos disse:

    No mínimo curioso o fato de que o referido deputado entre com uma proposta de banir veículos com motorização dianteira bem no momento em que a Scania vem com um produto para rivalizar com a curitibana Volvo. Isso porque existem veículos dianteiros rodando na região há DÉCADAS e nada foi feito a respeito.Particularmente não acho que a Scania vá emplacar com este produto, lançado fora de “timing”. O “boom” de biarticulados já passou. Mas que a manobra tem cheiro de lobby da Volvo, tem sim.

  4. SDTConsultoria em Transportes disse:

    Há que analisar ! Para aplicação de forma genérica com topografias diferenciadas e nós temos isto em Curitiba também o motor dianteiro prevalece ( seja micro,micrão ou os convencionais 4×2 ), são o que chamamos em Curitiba de alimentadores. Obviamente temos aplicação para os motores traseiros nesta categoria ( Topografia ) . Já para esta aplicação específica BIARTICULADOS com motores dianteiros não teríamos problemas , pois rodam somente em canaletas e posso assegurar que onde circulam os motores centrais os motores dianteiros circularão, porém por melhor que sejam os isolamentos térmicos e acústicos , ao longo dos 10 – 15 anos de aplicação teremos sem sombra de dúvidas excesso de ruído e calor ( E já se cobra por Ar Condicionado ) , aliado a isto basta ver as aplicações dos articulados B9 operando em Santiago , eu os convido a dar uma voltinha por lá , ainda que seja virtual. É certo que a cultura de operação e manutenção contribuem por um melhor ou pior estado de conservação. Em alguns momentos tivemos alguns veículos queimados ( associe aí espaço com pouca troca térmica, manutenção pobre ou deficiente … geração de calor e… fogo . ) . Recomendo muita cautela !

    1. Daniel Batista dos Santos disse:

      Concordo com a afirmação. Já tive a oportunidade de visitar a cidade de Santiago e a manutenção dos veículos é um fator crítico. Entendo que os projetos atuais de isolamento termoacústico de ônibus urbanos brasileiros, independentemente da posição dos motores nos veículos, ainda é deficiente. Não sei se o veículo em teste em Curitiba (Scania) é cabinado, e se isso amenizaria a questão termoacústica para o passageiro, embora seja quase certo que concentraria o problema para o condutor do veículo.

  5. Luiz Henrique disse:

    Até que enfim um projeto util vindo de um deputado petista. Proibir o motor dianteiro é uma solução, e uma necessidade imediata para nós cidadãos, tanto motoristas quanto clientes agradecemos….

  6. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    Pegando uma carona nos comentários acima sobre o motor dianteiro,complemento.

    1) Ainda são produzidos chassi Volvo com “motor deitado” ?

    Quando tinha aqui em Sampa, eu achava muito legal, porém não sei se este produto deu certo ou não, pois a maioria quem tinha era a CMTC.

    2) Um outro problema que eu tenho observado, quando vou às exposições de buzão, é que os cokpits, dos pilotos são horríveis, apertados, sufocados e claro sem ergonomia nenhuma.

    Os antigões embora tudo mais rústico e de aço, tinham mais espaço.

    Penso eu, que isso ocorreu dada a complexidade dos motores atuais e consequentemente o aumento de peças.

    Na quinta feira utilizei um micro no qual o capo do motor dianteiro não era centralizado na carroceria e a alavanca de câmbio (também não centralizada) tinha uma inclinação de no mínimo 45 graus, sinceramente achei super loko.

    Gostaria de saber se alguém mais concorda que os cokpits são desconfortáveis ???

    As encarroçadoras deviam trabalhar na questão de melhorar o conforto do piloto no cokpit dos buzões dianteiro, afinal já ter aquela chalerona fervendo ao seu lado e num espaço super desconfrotável e sem ergonomia, ninguém merece.

    Para ter certeza façam uma pesquisa com os pilotos e ouçam o que eles pensam sobre os cokipts dos buzões nos quais eles trabalham.

    Att,

    Paulo Gil

  7. MarcoV disse:

    A posição de dirigir do motorista de um caminhão é mais confortável do que a de um motorista de ônibus?

    Eu acho que não, mas concordo que deve ser feita a pesquisa com os próprios motoristas.

    No Brasil já existem cavalos-mecânicos de 620 CV e não creio que haja problema com o calor ou o barulho dos pesados. Ou seja, dá para construir com o mesmo conforto.

    Para a utilização urbana é conveniente o ar condicionado.

    Depois é questão de manutenção correta e uso adequado, como bem explicado acima.

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