Nigéria importa bilhetagem eletrônica da Metrocard/Comec, da região metropolitana de Curitiba

Publicado em: 21 de novembro de 2017

Delegação da Nigéria em visita à sala de controle da Comec – Divulgação Governo do Estado do Paraná Foto: Divulgação SEDU

Comitiva visitou funcionamento de central de controle e dos ônibus

ADAMO BAZANI

O sistema de bilhetagem eletrônica operado pela Metrocard e gerenciado pela Comec, na região metropolitana de Curitiba, tem chamado a atenção de diversos países e, segundo o Governo do Estado do Paraná, será exportado para a Nigéria.

Nesta segunda-feira, 20 de novembro de 2017, uma comitiva do país visitou a Sala de Controle e toda tecnologia para o funcionamento do sistema. Os emissários também percorreram o trajeto entre a Praça Ruy Barbosa, em Curitiba, e a cidade de Pinhais, na região metropolitana, para verem de perto o uso do sistema pelos passageiros dentro dos ônibus e estações dos cartões de transporte e dos validadores.

Segundo nota do Governo do Estado, o comissário de infraestrutura e de águas da cidade nigeriana de Lagos, Ade Akinsanya, disse que o município será o primeiro a adotar a bilhetagem brasileira.

 “A cidade de Lagos será a pioneira na implantação desse sistema que, em pouco tempo, será copiado por todas as cidades da Costa do Lago”.

O sistema de bilhetagem eletrônica da região metropolitana de Curitiba começou a ser implantando em 2015, após a chamada desintegração da RIT – Rede Integrada de Transporte, entre a prefeitura de Curitiba e o governo do Estado do Paraná. Na ocasião, um desentendimento político entre o então prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet, e o govenador Beto Richa, quanto ao financiamento das integrações provocou a cisão do sistema, cujo gerenciamento até então era de responsabilidade da Urbs – Urbanização de Curitiba S.A.

O sistema de bilhetagem metropolitana passou então a ser gerenciado pela Comec – Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba, órgão do Governo do Estado do Paraná, e operado pela Metrocard, associação que reúne as empresas de ônibus da região.

A bilhetagem teve início com passes de papel, de forma transitória, mas hoje está mais evoluída que da capital.

As diversas modalidades do Metrorcard oferecem a opção Cartão Acesso, em parceria com a Transdata Smart e Mastercard. O Acesso é um cartão pré-pago para compras gerais em estabelecimentos comerciais.

A bilhetagem trouxe também um aplicativo pelo qual os passageiros podem saber a previsão de chegada dos ônibus metropolitanos às paradas e estações e também acesso gratuito por wi-fi à internet pelo cadastro do número do cartão da Metrocard. Também foi possível integrações que até a criação do sistema não havia entre linhas metropolitanas.

O sistema ainda tem uma sala única de controle e gestão das operações e envia em tempo real os dados da bilhetagem das empresas para a Comec.

Os ônibus possuem também devido ao sistema de bilhetagem, a biometria facial. Câmeras na região das catracas fotografam os passageiros com direito à gratuidade no momento do uso do cartão e comparam com as fotos cadastradas no banco de dados da Comec. A tecnologia reduz as fraudes no uso destas gratuidades que encarecem o sistema para todos os passageiros.

Segundo o governo do Paraná, o sistema atende 20 cidades com 18 empresas operadoras de 218 linhas. Destas, 206 operam em dias úteis, 136 delas integradas e 82 não integradas. Há 920 veículos para atender 85 milhões de acessos aos serviços pelas catracas, só em 2016. No primeiro trimestre de 2017 foram 20 milhões de acessos. Dos 3,7 milhões de cartões emitidos, 1.288 foram cancelados por suspeita de fraude. Dos usuários do sistema, 65.117 são pessoas idosas e 12.734 são pessoas com deficiência. Da frota, 1.005 veículos são rastreados por GPS. Em tubos e terminais, 100% da frota possuem Sistema de Identificação Biométrica e 100% dos Terminais Metropolitanos têm serviço de wifi para pessoas que possuem cartão.

Ainda de acordo com a nota, a implantação da bilhetagem não onerou a tarifa, já que foi assumido pelas empresas que operam o sistema.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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