Rio pode ter greve de ônibus. Motoristas e cobradores decidirão nesta segunda-feira (dia 13)

Presidente do sindicato quer greve por tempo indeterminado, em protesto por demissões, falta de negociações do reajuste salarial, além de atrasos nos salários e benefícios

ALEXANDRE PELEGI

Motoristas e cobradores prometem colocar mais pimenta no já conturbado cenário do transporte público vivido pelo Rio Janeiro.

Nesta segunda-feira, o sindicato da categoria convocou assembleia para decidir uma paralisação por tempo indeterminado. Motivos não faltam: demissões no setor, falta de negociações do reajuste salarial, além de atrasos no pagamento de salários e benefícios.

A semana que passou foi cheia de acontecimentos que vieram conturbar o já complicado setor de transportes da cidade do Rio de Janeiro.

À ameaça de fechamento de 22 estações do sistema BRT entre Campo Grande e Santa Cruz, no corredor Transoeste, feita pelo Consórcio BRT no meio da semana, juntou-se a determinação da Justiça de nova redução nas tarifas, de R$ 3,60 para R$ 3,40.

Além desses fatos, ainda reverberava a portaria publicada no fim de outubro pela Secretaria municipal de Transportes de liberar o itinerário de vans nas zonas Norte e Oeste. Apesar de ter sido revista logo em seguida, a decisão causou enorme confusão, e muitas vans seguem desobedecendo as normas, competindo de forma ilegal com o sistema BRT.

Para Sebastião José, presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus do Rio de Janeiro (Sintraturb Rio), em entrevista ao site do jornal O Globo, o setor perdeu mais de cinco mil postos de empregos somente nos primeiros nove meses de 2017, o que representa um encolhimento de 17%. Ele atribui parte do problema às recentes decisões judiciais que reduziram as tarifas, e a perspectiva é de “caos no transporte público”.

Segundo o líder sindical, pelo menos metade das empresas de ônibus do Rio de Janeiro estão em débito em relação aos seus empregados. Alguns trabalhadores estão com até três meses de atrasos salariais, sendo que há trabalhadores que têm denunciado o não recolhimento do FGTS e INSS há quase um ano.

Sebastião José alega ainda que várias empresas já comunicaram ao sindicato que não terão condições de pagar o décimo terceiro dos funcionários, e que já receberam a informação de que aproximadamente 600 ônibus devem sair de circulação por já estarem velhos, o que provocará o crescimento do transporte alternativo principalmente na Zona Oeste. Para ele, uma decisão dessa natureza traz a possibilidade de que 1.200 trabalhadores sejam dispensados.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

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