Manaus quer financiamento do Banco Mundial para implementar transporte hidroviário

Proposta nasce inspirada na experiência bem-sucedida da cidade de Bangkok, na Tailândia

ALEXANDRE PELEGI

O Brasil precisa retomar projetos que visam integrar as cidades com suas bacias hidrográficas, principalmente diante da questão do trânsito cada vez pior nas cidades e com o apelo crescente por uma mobilidade urbana sustentável.

Há projetos que dormitam anos e anos em gavetas, enquanto os rios seguem cada vez mais poluídos, deixando de ser um atrativo turístico em meio a cidades congestionadas e desumanizadas. Basta olhar para São Paulo, onde milhares de carro trafegam (quando não estão parados em longas filas) emitindo poluentes às margens dos já poluídos rios Tietês e Pinheiros.

Manaus busca agora agregar o modal aquaviário ao sistema de transporte coletivo da cidade. Esta é a notícia que a prefeitura divulga, ao informar que um dos projetos apresentados ao Banco Mundial para financiamento se refere ao estudo de viabilidade de implantação do transporte fluvial tanto no Rio Negro quanto no igarapé do Mindu, o principal curso de água urbano de Manaus, com 22 quilômetros de extensão.

O igarapé nasce na Zona Leste da cidade e deságua no bairro São Raimundo, na Zona Oeste da capital, após cortar 20 bairros.

A proposta da prefeitura nasce inspirada na experiência bem-sucedida da cidade de Bangkok, na Tailândia, onde o prefeito Arthur Virgílio Neto participa de uma conferência do Banco Mundial para cidades resilientes.

Arthur Virgílio ficou impressionado com o Chao Phraia, um dos grandes rios da Tailândia. “Aqui nós podemos ver, além dos barcos que transportam pessoas, grandes embarcações que oferecem passeios turísticos com jantares a bordo. Existem shoppings, grandes empreendimentos em construção e uma infinidade de hotéis”, disse o prefeito, em nota distribuída por sua assessoria.

Ao longo do rio existem mais de 30 estações de embarque e desembarque de passageiros, sendo algumas delas conectadas a terminais de ônibus e estações do metrô.

As embarcações que fazem o serviço de transporte regular de passageiros têm tamanhos variados e transportam passageiros sentados e também em pé.

A cada píer de parada, dezenas de passageiros entram e saem dos barcos da mesma maneira como ocorre no transporte terrestre. Funcionários do sistema de transportes da cidade orientam e controlam o acesso dos passageiros, nas estações e nas embarcações.

Para o diretor-presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Claudio Guenka, que integra a comitiva do prefeito Artur Virgílio Neto, será preciso antes de qualquer coisa promover um detalhado estudo técnico da navegabilidade do igarapé do Mindu para saber se é possível a integração do modal convencional de ônibus ao BRT e ao sistema aquaviário em Manaus.

Acreditamos que serão necessários, ao menos, três pontos de integração para tornar o nosso sistema de transporte intermodal”, explicou Claudio Guenka.

Definir os custos do sistema, e ainda por cima se a tarifa caberá no bolso do passageiro (ou se haverá necessidade de subsídio), são questões que somente um estudo técnico de viabilidade poderá definir. Isso, evidente, se o estudo de navegabilidade apontar que a integração com o modal convencional de ônibus e ao BRT será possível tecnicamente.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Este e um tema muiiiiiiiiiiiiito legal, mas só quem conhece são os brasileiros da região norte.

    Será que há os “barcólogos” ou “Hidroviáriozólogos” ???

    Ai é que vemos a beleza e a diversidade do nosso país.

    Pouco sabemos aqui no sul dos detalhes do transporte hidroviário, só ficamos sabendo quando há notícia ruim de naufrageos.

    Mas a beleza deste modal nós poucos sabemos.

    Torço por este financiamento e que a União dê a devida atenção financeira para esse modal.

    Um forte abraço a turma do Hidroviário, que deve ser algo muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiito legal.

    Um dia ainda visitarei a amazonia e claro darei aquela voltinha básica no transporte hidroviário.

    Att,

    Paulo Gil

  2. Anne disse:

    Estou torcendo muito para que o projeto modal aquaviário ao sistema de transporte coletivo da cidade de Manaus se torne realidade, espero que seja aprovado esse belíssimo projeto.

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